REUNIÃO CIENTÍFICA ANAMT

 

Dia 21 de março a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) realizará uma reunião científica sobre o tema “Resolução CFM nº 1488/1998: 20 anos depois, o que deve avançar e o que deve ser preservado?.

O debate será aberto a sócios e não sócios da ANAMT. Com objetivo de ampliar a discussão médicos de outras especialidades também poderão participar.

Aqueles que desejaram acompanhar e não puderem comparecer ao evento, poderão fazê-lo transmissão ao vivo no site oficial da ANAMT.

AMB QUER EXAME NACIONAL DE PROFICIÊNCIA EM MEDICINA

 

Para a Associação Médica Brasileira, os estudantes de medicina ou mesmo os médicos recém-formados, diplomados pelas universidades, só podem ter licença para atuar (registro profissional no CFM) depois que forem aprovados pelo Exame Nacional de Proficiência em Medicina. “Precisamos de um filtro minimamente razoável e seguro para evitar que profissionais malformados entrem no sistema de saúde. Isso é condição fundamental para garantirmos um atendimento de qualidade à população”, alertou Lincoln Ferreira, presidente da AMB, durante a reunião do Conselho Deliberativo da entidade, ocorrida nesta sexta-feira, 15, em Natal/RN. O encaminhamento do tema nesta direção foi aprovado em votação por unanimidade pelo Deliberativo.

A entidade há muito vem se posicionando sobre a necessidade de uma avaliação que realmente preserve o cidadão do risco que é ser atendido por um médico malformado. As escolas médicas precisam ser avaliadas e os alunos também. E quem não está preparado não pode exercer a medicina. “Não podemos permitir que a população seja enganada. Se sabemos que os médicos estão sendo formados sem as condições necessárias para atender a população, por que motivo devemos deixar que atuem? ”, questiona Lincoln.

“Médico bem formado custa caro. Mas médico malformado custa mais caro ainda. Ele é um risco para a saúde pública, pois está muito mais suscetível a erros e porque sobrecarrega o sistema: diagnósticos mal feitos geram exames desnecessários, medicação inadequada e aumento de internações. Já temos um sistema de saúde subfinanciado, que acaba ainda sendo sacrificado por conta deste quadro que só vem aumentando. E, infelizmente, todas as ações do governo são na direção contrária à solução necessária”, argumenta o presidente da AMB.

91% DOS BRASILEIROS APOIAM CRIAÇÃO DE EXAME – Segundo o Datafolha, é quase total o apoio da população à exigência de um exame para garantir a qualidade da formação dos médicos ao ingressarem no mercado de trabalho. Foram ouvidas 4.060 pessoas acima de 16 anos na pesquisa. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos; 35% dos entrevistados disseram que a qualificação dos médicos brasileiros piorou nos últimos anos.

Há grande convergência de opinião em torno do tema. Quase todas entidades médicas são a favor de exame semelhante ao proposto pela AMB. Há quem discorde do formato. Mas é quase unânime a concordância de que deve haver um “exame da ordem”, para os egressos dos cursos de medicina, como ocorre com os advogados há muito tempo. Os conselhos de medicina precisam da prerrogativa de não registrar o profissional que não tiver sido aprovado pelo Exame Nacional de Proficiência em Medicina. Hoje não há esta prerrogativa, e mesmo os médicos que tiveram performance insuficiente nos exames, ou nem participaram destes, podem receber o registro profissional.

“Diante deste quadro, é praticamente inconcebível não avançarmos para resolver a situação. A quem interessa que a coisas sigam desta forma, em clara afronta aos interesses da saúde da população? Se todos querem e as divergências são pontuais, não há razões para que isso não seja implementado. Esta será uma das principais bandeiras da Associação Médica Brasileira em 2018”, anunciou Lincoln.

MODELO DE EXAME NACIONAL DE PROFICIÊNCIA EM MEDICINA – Para a AMB, é fundamental que o exame seja nacional e obrigatório. Além disso, o aluno não pode ser avaliado somente depois de concluído o curso. São necessárias avaliações seriadas, como é feito em diversos países, ao final do segundo, do quarto e do sexto ano. Isso permite que o estudante identifique seus pontos fracos e, junto com a escola, possa atuar para correção destas fragilidades. Desta forma, as próprias escolas podem avaliar e corrigir os problemas identificados nas avaliações. “O Exame Nacional de Proficiência em Medicina terá grande impacto na qualificação do estudante de medicina e garantirá maior qualidade no atendimento da população. E também será importante para avaliação das escolas médicas, principalmente das que foram abertas sem as condições necessárias para formação de bons profissionais”, explica Lincoln.

DIPLOMAS ESTRANGEIROS – A proposta da AMB é de que brasileiros ou estrangeiros formados em medicina fora do país também passem pelo mesmo Exame de Proficiência em Medicina. E só depois de aprovados poderão receber o registro profissional que autoriza para atuar como médico no território nacional. O exame só poderá ser feito depois de o médico ter passado pelo Revalida, processo do Ministério da Educação que avalia a adequação do curso feito no exterior aos parâmetros brasileiros.

NÍVEL BAIXO – Diversos exames semelhantes têm sido realizados por entidades médicas brasileiras, mas de forma isolada, como o Exame do Cremesp e do Cremers. Os resultados são alarmantes. E deixam claro que há em curso um verdadeiro descaso com a qualidade do ensino médico no Brasil. “Precisamos de um exame nacional, construído de forma que se possa avaliar realmente e de forma assertiva o nível do ensino médico que está sendo dado aos alunos e a qualidade dos profissionais que estão sendo formados”, afirma Lincoln.
O último exame do Cremesp, divulgado em fevereiro, revela de forma clara o total despreparo de um contingente grande de médicos formados:
• 81% não souberam interpretar uma mamografia
• 78% erraram o diagnóstico de diabetes
• 75% não identificaram tratamento para hemorragia digestiva alta

PROJETO DE LEI – Para viabilizar essas mudanças, principalmente com a segurança jurídica necessária, a Associação Médica Brasileira levará, em breve, ao Governo Federal e ao Congresso uma proposta de Projeto de Lei.

 

REUNIÃO DO CONSELHO DELIBERATIVO DA AMB INICIA COM PROPOSTAS DA FEDERADAS E ESPECIALIDADES

Iniciada hoje pela manhã poucos a Reunião do Conselho Deliberativo da Associação Médica Brasileira (AMB).

Na abertura o Dr Marcelo Cascudo, presidente da associação médica do Rio Grande do Norte, anfitrião do evento, deu as boas vindas da AMRN e pelo Dr Lincoln Ferreira, que salientou a importância do evento, da presença de todos, trazendo suas contribuições para pautar a atuação da AMB, com propostas que também, traduzissem a união de todos.

A reunião teve continuidade com todos os presidentes de Federadas e Sociedades de Especialidade, ou seus representantes, fizeram seus pronunciamentos, com relato e proposições.

AMRN RECEBE REUNIÃO DA DIRETORIA PLENA DA AMB

A primeira reunião da Diretoria Plena da AMB em 2018 aconteceu na tarde desta quinta-feira, 15 de março, na sede da Associação Médica do Rio Grande do Norte (AMRN), federada da AMB no estado. Temas como a qualidade na saúde e criação de exame nacional de proficiência foram discutidos pelos diretores e serão levados para debate no Conselho Deliberativo que ocorre nesta sexta-feira.

 

 

 

 

O espaço para a reunião da reunião da Diretoria Plena da AMB foi oferecido pelo presidente da AMRN, Marcelo Cascudo, que aproveitou a presença de todos para apresentar as instalações da nova sede da entidade.

 

RECURSOS DA SAÚDE PÚBLICA DESVIADOS PARA “TERAPIAS” ALTERNATIVAS

Para a Associação Médica Brasileira (AMB) é ultrajante que os recursos do SUS sejam direcionados a tais práticas, enquanto a cada ano se investe menos em saúde. Vemos o uso do orçamento da união, ou seja, o dinheiro da população, que deveria estar sendo aplicado em áreas da saúde negligenciadas, sendo gastos em “terapias” com a total falta de reconhecimento científico.

O país vive situações graves de filas para cirurgias e exames, inclusive oncológicos, hospitais superlotados, desativação de leitos e de unidades de atendimento, avanço da febre amarela, recrudescimento de doenças, como a malária, sífilis, hepatite A, tuberculose, dentre outras.

Assim a AMB considera um desrespeito aos brasileiros o uso de valores para tais práticas e, ainda, a destinação de mais recursos para a realização de grande evento internacional  – 1º. Congresso Internacional de Práticas Integrativas para Saúde Pública – promovido pelo próprio MS.

Os números divulgados pelo Ministério da Saúde, de que as práticas integrativas estão presentes em 9.350 estabelecimentos, em 3.173 municípios e que 88% dos estabelecimentos são na Atenção Básica, assustam, aliados ao registro de mais de 1,4 milhão de atendimentos individuais em tais “terapias”.

Mas é importante  salientar que dentre as práticas integrativas estão duas espacialidades  médicas, com atuação claramente definida,  reconhecidas pela Comissão Mista de Especialidades, a Homeopatia (desde 1980) e a Acupuntura desde (1995).

Mas mesmo nestas há um desvio, pois em muitos casos estão sendo praticadas, de forma incentivada pelo governo, por não médicos, ferindo a Lei do Ato Médico e colocando em risco a saúde das pessoas. Diversas decisões em Tribunais pelo país tem julgado improcedente práticas médicas de serem executadas por outros profissionais. No caso da Acupuntura  uma das últimas decisões foi do Supremo Tribunal Federal, publicada 16/2, reafirmou que o exercício da acupuntura é ilegal para fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, que pleiteavam aa competência para isso.

AMB COBRA DO GOVERNO DECRETO PARA IMPEDIR NOVOS CURSOS DE MEDICINA

O objetivo é melhorar a qualidade na formação dos médicos e impedir que as escolas sejam um balcão de negócios econômicos e políticos

 Uma moratória que impeça a abertura de novas escolas médicas nos próximos cinco anos é uma importante demanda da Associação Médica Brasileira (AMB) e de outras entidades médicas, devido à baixíssima qualidade dos profissionais que a maioria das novas escolas está diplomando, colocando em risco a saúde da população e sobrecarregando ainda mais o sistema de saúde. Inicialmente seria assinado um decreto no fim do ano passado, depois postergado para fim de janeiro deste ano, mas ainda não foi assinado.

Na abertura do evento, realizado na tarde desta quinta-feira, 8 de março, na sede da AMB, o presidente da entidade, Lincoln Ferreira, indagou o ministro da Saúde, Ricardo Barros, sobre o decreto que suspende a abertura de novas escolas médicas, que estaria pronto desde novembro de 2017. O ministro declarou recentemente em entrevista ao programa Roda Viva que a decisão de criar a moratória era do presidente da República, Michel Temer, decisão com a qual concordava. A grande pergunta é: o que falta efetivamente para que este decreto seja publicado?

Ao indagar o Ministro, Dr. Lincoln Ferreira salientou “o país claramente extrapolou sua capacidade de formar médicos com um mínimo de qualidade; temos trabalhado (o problema) junto ao Ministério da Educação, e tivemos a felicidade de ver no programa Roda Viva que é uma decisão tomada”. E ainda completou: “o decreto vai nos permitir colocar um freio de arrumação, estancar a partir de um certo ponto os problemas repetitivos que temos hoje, que irão impactar em qualquer gestão, sob a forma de exames mal solicitados, sob a forma de tratamentos mal indicados, sob a forma de sequelas, judicialização, com processos no CRM, cíveis e criminais”.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, confirmou o que disse na entrevista ao programa Roda Viva e respondeu que: “saímos de 150 para mais de 300 cursos de medicina autorizados e, com o movimento das entidades, o presidente Temer anunciou que suspenderia por 5 anos a criação de novos cursos. Esta é a decisão do governo”. Sobre o por que ainda não saiu a portaria o Ministro se comprometeu de verificar e “encaminhar para que isto seja consolidado”, e ainda complementou que “não foram somente novas escolas, tem escolas com 300 vagas, formando 300 médicos por ano”.

Para a Associação Médica Brasileira (AMB), quando a medida entrar em vigor, será uma das mais importantes conquistas da população brasileira e para a saúde do País.

O que deve mudar com o decreto?

Com a mudança, o País vai ganhar tempo para que se defina o que fazer do ensino médico no Brasil, criando-se a oportunidade para a implantação de critérios eficientes e eficazes a fim de que se mantenham instituições com competência educacional.

Posição da AMB

Para o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Dr Lincoln Lopes Ferreira, “a moratória não resolve tudo, mas ajuda muito a estancar o problema. A população precisa ter certeza de que, se um médico está formado e com um diploma, ele tem totais condições de atendê-la, independentemente de onde tenha estudado. Esse controle de qualidade é uma demanda de longa data da Associação Médica Brasileira, inclusive para médicos formados antes da abertura indiscriminada de novas escolas”.

“A verdade nua e crua é que o ensino virou um balcão de negócios com o aval dos governos que administraram o Brasil nos últimos 20 anos, e a qualidade ficou em segundo lugar. Sessenta por cento são escolas particulares e cobram entre R$ 5 mil e R$ 15 mil mensais por aluno”, explica o presidente da AMB.

A AMB acredita que medicina de qualidade só se faz com médicos qualificados. Segundo a associação, não há mais necessidade de qualquer curso de medicina novo no Brasil. O Brasil precisa é de médicos com formação de qualidade.

“Não há solução mágica para os problemas da saúde no Brasil. Financiar com recursos do Estado brasileiro uma indústria de impressão e de distribuição de diplomas de médicos não muda a realidade precária da saúde brasileira. Da mesma forma como a vinda dos profissionais cubanos não melhorou substancialmente nenhum índice importante de mensuração”, acrescenta o presidente da AMB.

A AMB também entende que, apesar de o decreto ser extremamente importante, alguns pontos ainda precisam ser conversados com a classe médica. Como, por exemplo, a localização das escolas e as estruturas oferecidas aos alunos. É preciso entender melhor onde estão e como funcionam as atuais escolas. Por isso, a AMB alerta que só a assinatura do decreto não será suficiente para garantir a preparação de bons médicos.

É preciso cancelar os editais lançados durante o governo anterior e que ainda estão em andamento. Eles foram concebidos com os mesmos vícios que causaram os problemas que temos visto em diversas escolas inauguradas recentemente.

Excesso de cursos de medicina

 No Brasil, existem atualmente mais de 300 escolas de medicina. Entre 2000 e 2015, foram criadas 142 escolas médicas. Mais de cem escolas foram liberadas para atuar a partir de 2013. São, ao todo, 78 escolas federais, 35 estaduais, 16 municipais, duas públicas e 172 particulares. Um número surreal, se comparado com países como a China, onde existem 150 faculdades para 1,3 bilhão de pessoas, ou quando olhamos para os Estados Unidos, que tem 131 cursos para 300 milhões de habitantes e as escolas mais respeitadas do mundo.

Só para se ter uma ideia, em 15 anos foram criados três vezes mais cursos de medicina que nos últimos 200 anos de história do nosso país. Isso desde que D. João VI assinou, em 1808, o documento que permitiu criar a primeira faculdade de medicina do Brasil, a Escola de Cirurgia da Bahia (atualmente, a Fameb da UFBA).

Com a expansão das escolas de medicina, em poucos anos estarão se formando cerca de 30 mil médicos por ano, o que dará uma relação de 14 médicos por 100 mil habitantes, quase o dobro da relação nos Estados Unidos.

É preciso formar bons médicos

Os resultados dos exames realizados pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), nos últimos 13 anos, deixam claro o problema da má formação dos médicos nas atuais escolas de medicina. Apesar de a prova abranger temas gerais de grau intermediário de dificuldade, o desempenho dos formandos tem sido pífio. Em 12 das 13 edições do exame, mais da metade dos médicos formados acertam menos de 50% das questões. Um verdadeiro desrespeito à saúde da população e um risco para a imagem da classe médica como um todo. Afinal, não há como se distinguir nos hospitais quais são os médicos bem formados ou não.

Dos 2.636 médicos que participaram da prova de 2017, mais de 35% acertaram menos de 60% das 120 questões da prova, porcentagem considerada mínima para a aprovação.  O quadro fica pior quando se descobre que 88% dos recém-formados não souberam interpretar o resultado de uma mamografia, 78% erraram o diagnóstico de diabetes, 60% demonstraram pouco conhecimento sobre doenças parasitárias e 40% não souberam elaborar a suspeita de um caso de apendicite aguda.

O que se vê nas escolas de medicina são todos os tipos de problemas, dos mais sérios e variados: não existem professores com formação acadêmica em quantidade suficiente nas escolas, que muitas vezes funcionam em cidades onde nem há médicos para atender a população; os laboratórios de boa parte das faculdades são inadequados para o ensino das disciplinas básicas; não há instalações adequadas e a maior parte das faculdades autorizadas pelo MEC não conta com hospitais-escolas, fundamentais na formação prática e no internato dos alunos.

O internato é diferente da residência, que o profissional faz depois de formado. Os últimos dois anos do curso de medicina são dedicados ao estágio, chamado de internato, em que o aluno vai aprender na prática. O MEC exige que, para cada vaga do curso de medicina, deve haver um mínimo de cinco leitos do SUS, ou conveniados, para o internato. Mas a maioria das escolas nem convênio com hospitais tem. As salas de aula têm laboratórios e bonecos de plástico, mas faltam professores e espaço para a formação prática em enfermarias.

O presidente da AMB explica que aumentar o número de médicos no Brasil, pura e simplesmente, não resolve o problema da saúde atual e cria outros, como a sobrecarga do sistema devido à atuação de médicos despreparados e inseguros, que pedem exames desnecessários, além de internarem e medicarem de forma equivocada, drenando de forma cruel os parcos recursos que a saúde pública possui. Ou seja, formar bons médicos custa caro. Mas formar maus médicos custa mais caro ainda.

A alegação do governo federal era de que a abertura se fazia necessária porque faltam médicos no Brasil. Atualmente, o Brasil tem 1,8 médico por mil habitantes. A média das Américas, incluindo Estados Unidos, é de 2,2. E a da Europa é 3,3. O problema do nosso país é que 55% deles trabalham no Sudeste, o triplo da Região Norte. Nas 27 capitais, estão concentrados 55% dos profissionais. Os demais ficam responsáveis por 5.543 municípios. A falta de médicos será resolvida com os cursos de medicina que já existem. São mais de 300 cursos atualmente em funcionamento ou autorizados. Já os desafios do setor no Brasil são enormes, muito mais ligados ao pouco financiamento, à péssima gestão e à corrupção do que à quantidade de médicos existentes no País. Não se pode negar que há dificuldade para atrair e manter médicos em localidades longínquas, mas a solução para isso tem de ser pensada a partir de uma avaliação séria das causas disso, e não de pressupostos simplistas como o de que faltam médicos no País.

Mais avaliações

Avaliar os cursos de medicina e seus egressos ainda é um tabu no Brasil. As desculpas são muitas, mas nenhuma delas leva em conta o direito do cidadão, que confia que um médico é alguém que entende de medicina e é capaz de diagnosticar e solucionar seus problemas de saúde. O paciente é o elo mais fraco dessa cadeia. É preciso pensar que todo o sistema existe para que ele possa ser atendido de forma eficiente e com qualidade. Tudo que for feito e prejudicar este quadro ou não ajudar a melhorar esta situação resultará em dinheiro, tempo e vidas jogados fora.

O ideal seria que os diplomados fizessem um exame de proficiência nacional obrigatório por lei. Os reprovados voltariam para cursos de reforço nas faculdades em que estudaram. E, no melhor dos mundos, em pouco tempo, escolas com índices altos de reprovação seriam fechadas pelo MEC. Isso ajudaria a proteger a sociedade da incompetência de médicos malformados.

NESTE DIA 8 DE MARÇO, A SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA RESSALTA A IMPORTÂNCIA DA PREVENÇÃO CARDIOVASCULAR ENTRE AS MULHERES

Segundo dados do Cardiômetro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) (www.cardiometro.com.br), as doenças cardiovasculares são líderes de mortes no Brasil e vem aumentando entre as mulheres, representando 29% dos óbitos e, nos primeiros meses do ano, foram responsáveis por mais de 60 mil mortes.

Em diversos estados, as mulheres serão estimuladas a usarem roupas vermelhas no Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. As doenças do coração matam duas vezes mais que todos os tipos de câncer, incluindo o de mama, 2,5 vezes mais que os acidentes e mortes decorrentes por violência e 6 vezes mais que as infecções, incluídas as mortes por Aids.

Pela primeira vez, o número de mulheres que morreram em consequência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ultrapassou o número de homens que perderam a vida pela mesma doença: Foram 50.252 mortes de mulheres contra 50.251 óbitos masculinos, levantados em 2015, apesar de estatisticamente ser considerado 50%, a curva do gráfico é o que é relevante na análise.

Nos últimos anos (de 2010 a 2015), as mortes por AVC em homens têm seguido uma tendência de queda, enquanto nas mulheres, verificou-se uma elevação quase constante.

Segundo a presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC, Marildes Luiza Castro, “A mulher tem duplas e até triplas jornadas, ao se dividir entre o trabalho, cuidado com os filhos e afazeres domésticos. Isso eleva o estresse, associado, muitas vezes, à falta de atividade física, má alimentação. Em algumas situações ainda há o tabagismo”.

Em relação aos infartos, as mulheres estão morrendo mais também: Há sessenta anos de cada 10 mortes, nove eram homens e apenas uma mulher. No último ano de dados disponíveis (2015) morreram 65.224 homens e 46.625 mulheres por infarto.

Para a presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher, é preciso ficar atento aos sintomas do infarto nas mulheres que são, em muitos casos, diferentes da clássica dor no peito relatada por homens, como náuseas, vômitos, dor nas costas e no pescoço, falta de ar e indigestão.

Algumas hipóteses para essa diferenciação nos sintomas são as características biológicas, como variação hormonal; a negação ou subestimação do problema, o que dificultaria o diagnóstico e causaria atraso no tratamento; uma maior resistência à dor e fatores físicos e psicológicos, entre outros.

Para saber mais sobre o Cardiômetro da SBC, acesse:

http://www.cardiometro.com.br/

08 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 

 

08 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Desde 2004 as mulheres são maioria nas escolas de médicas. Em 2014 foram responsáveis por 54,8% dos novos registros de CRM.

Neste Dia Internacional da Mulher, a AMB homenageia a as mais de 160 mil médicas que trabalham no país inteiro por uma medicina de melhor qualidade para os brasileiros.

Diversos tipos de câncer afetam as mulheres brasileiras

Embora seja o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no Brasil, os tumores de mama não são os únicos que atingem esse público com frequência. Dois terços dos casos de câncer em mulheres surgem em outros órgãos. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, o câncer colorretal (intestino) é o segundo mais frequente com 9,4% dos casos. Em seguida, aparecem o câncer de colo de útero (8,1%), o de pulmão (6,2%) e o de tireoide (4%).

Também é importante destacar que mais de 10 mil mulheres morrem de câncer de pulmão no Brasil ao ano. O câncer colorretal mata 8 mil mulheres, enquanto o de colo de útero causa quase 6 mil mortes.

A atitude que permite detectar o câncer em fase inicial, quando há maior chance de cura, é fazer exames de prevenção periodicamente. O papanicolau, a mamografia (obrigatória a partir dos 40 anos), o sangue oculto nas fezes e a colonoscopia (obrigatória a partir dos 50 anos), por exemplo, são muito importantes.

Também é fundamental que a mulher esteja atenta a possíveis sintomas como perda de peso inexplicável (sem fazer dieta), estar sempre cansada, ter alguma dor que não passa, febre persistente, tosse persistente, falta de ar e voz rouca, sangue na tosse, nas fezes, na urina ou no mamilo, ficar engasgada com frequência, entre outros.

Quanto à prevenção, as principais atitudes são manter uma alimentação rica em verduras, legumes e frutas, praticar exercícios físicos com regularidade, não fumar, usar preservativos nas relações sexuais e evitar exposição ao sol em horários inadequados.