Anvisa aprova resolução sobre Pesquisa Clínica no Brasil

De acordo com o site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, as novas normas de pesquisa clínica em medicamentos e produtos para saúde devem ser publicadas nos próximos dias no Diário Oficial da União.

Umas das mudanças propostas pela Anvisa na área é a definição de prazo para a avaliação dos Dossiês de Desenvolvimento Clínico de Medicamento (DDCM) contendo projetos de ensaios clínicos a serem realizados no Brasil. Para os estudos de fase III, com medicamentos sintéticos e com realização em outros países contidos em um DDCM, e que constitui cerca de 60% dos estudos analisados, a agência terá um prazo máximo de 90 dias para a sua avaliação .

Os estudos de fase I e II, com medicamentos biológicos ou realizados apenas no Brasil, por sua vez, terão uma meta de 180 dias para sua avaliação pela Anvisa, mas não poderá ser iniciado até ser submetido a ela.

Wanderley Bernardo, coordenador do Projeto Diretrizes, da AMB, explica que a Anvisa, no entanto, não contribui tecnicamente no desenvolvimento das pesquisas, uma vez que os protocolos de estudos são oriundos de instituições de ensino e pesquisa reconhecidos e que contam, muitas vezes, com fomento de órgãos estaduais ou federais, acompanhados de seus pareceres. “Tais protocolos já foram avaliados e aprovados por um Comitê de Ética e Pesquisa Nacional (CONEP). Portanto, não pode haver motivo para se retardar o início da execução de tais protocolos, uma vez que existe a segurança e o cuidado de toda a regulação prévia, a ser atendida, antes mesmo da avaliação do órgão regulatório”.

A definição dos prazos seria, para o médico, “uma medida que regula a agenda do órgão regulatório”, para facilitar a avaliação dos estudos das fases I e II em um maior espaço de tempo; permitindo uma “saída estratégica de liberação” dos estudos mais avançados, após 90 dias sem parecer. “Os muitos estudos fase III contarão, como sempre, com a avaliação das instituições proponentes, dos órgãos de fomento e dos comitês de ética e pesquisa”, acrescenta.

Cirurgia Bariátrica e Reprodução Assistida reconhecidas como área de atuação

A Resolução nº 2.116/2015, publicada no final de janeiro pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) incluiu a cirurgia bariátrica e a reprodução assistida como categorias de áreas de atuação. A certificação para profissionais atuantes nessas áreas será por meio da Associação Médica Brasileira, uma vez que estarão vinculadas às especialidades de Cirurgia do Aparelho Digestivo e Cirurgia Geral, em relação à Cirurgia Bariátrica, e Ginecologia e Obstetrícia, na de Reprodução Assistida.

A Resolução publicada é de autoria do primeiro secretário da AMB e conselheiro do CFM, Aldemir Soares, que explicou como os profissionais médicos poderão obter certificações nas novas áreas. “Após a publicação da Resolução do CFM, a AMB vai elaborar e divulgar um edital estabelecendo as regras para a certificação dos médicos que já realizam cirurgias bariátricas e reproduções assistidas. Depois dessa fase, será dado um prazo para que os programas de formação nessas duas áreas de atuação possam se estruturar. Haverá um reposicionamento dos cursos de formação, que terão de ser regulamentados”.

O diretor da AMB ressaltou ainda que os médicos que já atuam e são especializados nas duas áreas não estariam em discordância com a boa prática médica antes da regulamentação. “Quem procurou se aperfeiçoar e está atuando, deve continuar. Só precisa procurar a AMB para obter a certificação”.

A Resolução 2.116/2015, além da criação das novas áreas, incluiu oficialmente a Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear no Conselho Científico da AMB, vinculou as áreas de atuação em Dor e em Medicina do Sono à Pediatria e restringiu à Cirurgia Torácica e Pneumologia a área de endoscopia respiratória.

Ministério da Saúde convida AMB para discutir a saúde no Brasil

Reunião Ministro Chioro e Diretores da Associação Médica Brasileira

Na quarta-feira, 28 de janeiro, a AMB (Associação Médica Brasileira) e o Ministério da Saúde se reuniram em Brasília para discutir os rumos da saúde no país. Entre os temas abordados estiveram a distribuição de médicos no Brasil, a qualidade na formação dos médicos, projeto Diretrizes, a participação da AMB junto aos órgãos federais voltados pra saúde como a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), além de medidas para valorização do parto normal e o uso de dispositivos médicos (órteses, próteses, materiais especiais implantáveis).

No encontro, a AMB também apresentou ao ministro Arthur Chioro a avaliação da entidade sobre a atual situação do sistema de saúde no Brasil, assim como a construção de uma agenda positiva para saúde pública e suplementar no país.

Além do ministro Chioro e outros representantes da equipe técnica do Ministério, também estiveram presentes na reunião, representando a AMB: o presidente Florentino Cardoso, o secretário Geral, Antônio Jorge Salomão, o representante da AMB na Comissão Mista de Especialidades, Fábio Jatene, o diretor de Defesa Profissional, Emilio Zilli, o tesoureiro, José Bonamigo e o diretor de Comunicação, Diogo Sampaio.

Prefeitura de SP quer diminuir para 60 dias fila para exame e consulta

Após patinar na promessa de acabar com a longa espera da fila da saúde na rede municipal, a gestão Fernando Haddad (PT) fixou a meta de chegar, até 2017, a uma demora de no máximo 60 dias para que um paciente do SUS consiga uma consulta ou exame.

O último dado sobre a fila, de julho, mostrava uma espera de 205 dias para consultas e de 124 dias para exames.

A nova meta, que não consta do plano de governo de Haddad, foi estabelecida pela Secretaria Municipal da Saúde no desenvolvimento de um plano com conselhos municipais e subprefeituras.

O secretário adjunto da pasta, Paulo de Tarso Puccini, diz que a orientação é que os médicos solucionem mais casos no primeiro atendimento básico, evitando atolar a fila de especialidades. “Com isso, uma espera aceitável seria entre 30 e 60 dias no máximo na rede pública.”

A prefeitura não informa dados da demora atual nem do começo da gestão, mas há relatos de longas esperas.

A dona-de-casa Edilene Soares aguarda há um ano a cirurgia para a fimose de seu filho Pedro, 2. A aposentada Erminda Maria Carvalho, 83, conta que estava com problemas no aparelho de audição em janeiro, mas só conseguiu a consulta do otorrino para abril. Maria Eunice Belmino da Silva, 64, chegou a esperar oito meses por uma consulta com um cardiologista.

MAIS UNIDADES

O novo plano discutido pela pasta também fixou metas específicas para alguns procedimentos -como queda em 50% do tempo de espera para vasectomia e laqueadura.

Outros objetivos são regionais, como a diminuição da demora de procedimentos cirúrgicos de média complexidade de dois anos para seis meses em Cidade Tiradentes, distrito da zona leste.

Lideranças na área de saúde avaliam que a verdadeira diminuição da fila será alcançada só com a criação de novas unidades de atendimento prometidas por Haddad.

Apenas 10 das 32 unidades da Rede Hora Certa já foram concluídas. Das 43 Unidades Básicas de Saúde prometidas, apenas 4 foram entregues.

“Os sistemas de aviso não diminuíram a fila de espera como o esperado e isso era uma aposta de todos”, diz o promotor Arthur Pinto Filho, que atua na área de saúde pública. “Só quando essa rede de atendimento se estruturar, com novos hospitais, é que vamos dar conta do problema.”

Paulo Spina, do Fórum Popular de Saúde, concorda. “A prefeitura tem essa visão de que a melhoria da gestão pode melhorar a situação, mas a verdade é que falta tudo, hospitais, médicos.”

 

Fonte: Folha de S. Paulo

COMUNICADO À POPULAÇÃO BRASILEIRA

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A AMB – Associação Médica Brasileira, representando as sociedades de especialidades médicas, com base nas informações apresentadas pela mídia, contendo denúncias graves sobre atitudes antiéticas e criminosas na indicação e utilização de materiais em procedimentos médicos, vem a público informar:

Repudiamos que fatos dessa natureza ocorram em nosso meio e consideramos que tais denúncias devam ser investigadas pelos órgãos competentes com a punição dos culpados dentro do rigor da Lei.

A Classe Médica Brasileira, na sua grande maioria, é constituída por profissionais bem formados, supervisionados e treinados pelas Sociedades Médicas de Especialidades, os quais conduzem suas atividades pautadas nos mais rigorosos critérios técnico e ético e fundamentadas nas normas de cada Sociedade.

Os médicos brasileiros orientam seu trabalho com base em condutas reconhecidas internacionalmente e contrárias às apresentadas nas reportagens.

As atitudes ilícitas de alguns não podem colocar em descrédito a Classe Médica, cuja atuação prioriza a saúde e a segurança do paciente, fundamentais para o sucesso no tratamento. Temos convicção de que imprensa e sociedade brasileira saberão fazer essa distinção.

A AMB está convocando uma força-tarefa com as entidades públicas e privadas envolvidas neste tema, no sentido de criar e aperfeiçoar mecanismos para coibir de forma rigorosa tais práticas, e continuará trabalhando para proporcionar formação técnica e ética aos médicos brasileiros.

 

Florentino Cardoso

Presidente da Associação Médica Brasileira

Também são signatárias deste posicionamento as seguintes entidades médicas:

Academia Brasileira de Neurologia
Associação Brasileira de Alergia e Imunologia
Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica
Associação Brasileira de Medicina de Tráfego
Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação
Associação de Medicina Intensiva Brasileira
Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Federação Brasileira de Gastroenterologia
Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular
Sociedade Brasileira de Cardiologia
Sociedade Brasileira de Cancerologia
Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular
Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
Sociedade Brasileira de Citopatologia
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia
Sociedade Brasileira de Hansenologia
Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista
Sociedade Brasileira de Hepatologia
Sociedade Brasileira de Infectologia
Sociedade Brasileira de Mastologia
Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear
Sociedade Brasileira de Nefrologia
Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica
Sociedade Brasileira de Neurocirurgia
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
Sociedade Brasileira de Patologia
Sociedade Brasileira de Pediatria
Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia
Sociedade Brasileira de Radioterapia
Sociedade Brasileira de Urologia

Câmara aprova salário de 10 mil para médicos da rede municipal

Mudança, que atinge 6,5 mil médicos, vale para aqueles que fazem jornada de 40h/semana em postos, prontos-socorros e hospitais.

Após aprovarem uma reforma na carreira do funcionalismo, criando piso de R$ 6.200 para servidores graduados a partir de 2016, os vereadores paulistanos aprovaram no início da noite desta quarta-feira, 17, também em segunda e definitiva votação, projeto de lei que aumenta o salário inicial dos médicos da rede municipal de R$ 7.066 para R$ 10 mil. O reajuste nos vencimentos desses profissionais vai ocorrer por meio de um bônus de cerca de R$ 3 mil.

Com a votação, o prefeito Fernando Haddad (PT) consegue cumprir sua promessa de igualar o salários dos médicos da rede municipal ao dos brasileiros contratados pela Prefeitura no programa Mais Médicos, via governo federal. O salário vale para profissionais lotados em postos de saúde, prontos-socorros e hospitais que cumprem jornada de 40 horas semanais.

O governo informou que 6.551 médicos vão ter os salários reajustados a partir de 2015. Com a reforma aprovada para o funcionalismo, o vencimento inicial de um médico da rede municipal vai ser de R$ 12 mil em 2016, de acordo com a gestão Haddad.

 

Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo

Preconceito no SUS ou represália aos médicos?

Há poucos dias foi veiculada uma campanha do Governo Federal informando que existem posturas preconceituosas no Sistema Único de Saúde (SUS). A campanha foi trabalhada com vídeos na TV aberta e com postagens nas mídias da internet. Afirma-se que ocorrem preconceitos raciais no SUS embora, de forma oportunista e hipócrita, não se tenha dado “o nome aos bois”. Quem seriam os agentes desses supostos atos preconceituosos? A referida campanha é repleta de equívocos e precisei escrever sobre ela por dois motivos: o primeiro é para deixar as coisas mais claras para aqueles que não sabem e não convivem com a entristecida e lamentável realidade do SUS. Já o segundo será uma luta por justiça sendo justo comigo e com os meus colegas médicos.

O SUS, atualmente, sucumbe e lateja de dor. Os seus diversos equipamentos de saúde e procedimentos não conseguem atender à população que, majoritariamente, é sofrida e necessita desta assistência. Os investimentos destinados a ele são deficitários e os desvios corruptos do pouco que lhe é destinado é uma regra recorrente. A estrutura dos serviços de saúde está sucateada e os salários dos profissionais de saúde são, muitas vezes, inaceitáveis e vergonhosos. Não há estímulo àqueles que se destinam a trabalhar neste sistema. Não há planos de carreira e, via de regra, também não há respeito para quem trabalha, arduamente, no SUS.

A realidade é simples e salta aos olhos de todos e, para isto, basta você ir, neste exato momento, a alguma emergência ou a outra unidade de saúde que presta assistência pelo SUS. Isto é público e notório. Isto acontece de forma escancarada basta não se fazer de cego. O SUS não é o problema, mas se torna um problema a partir do momento que os agentes políticos fazem lambanças na sua gestão. Por exemplo, ao invés de discutir e resolver estes pontos que citei, levanta-se uma campanha que deixa, praticamente, explícito que os profissionais de saúde do SUS, sobretudo os médicos, atuam com posturas preconceituosas. Respeite-me! Respeite-nos! O que os senhores do Governo Federal pensam que estão fazendo? Aonde os senhores querem chegar? Não só os médicos, mas a esmagadora maioria dos profissionais de saúde que trabalham no SUS o faz com louvor. Todos trabalham e faz a diferença mesmo sem um salário justo, sem uma estrutura de trabalho adequada e sem a devida valorização. Já está claro que os vilões do Sistema Único de Saúde são outros – VOCÊS. Isto mesmo a engrenagem não roda e não funciona por causa de outros protagonistas e não por causa de nós, médicos e outros profissionais de saúde. Pelo contrário, se não fosse o nosso envolvimento com a causa da saúde pública, certamente, o caos já estaria instituído. Somos nós os guerreiros infantes que protegem a saúde deste povo pobre e dessa população que está desassistida em face dos desatinos políticos de vocês.

Portanto, há uma inversão de perspectiva numa tentativa de dizer que a culpa está em outros – possivelmente, os médicos. Isto é covarde e projetivo. Atendemos a todos independente de raça, credo, cor ou ideologia política. Criem vergonha nas suas caras e aponte o dedo para si. Façam uma autocrítica e parem de tentar jogar o povo contra nós. Inclusive, ressalto que não conseguirão isto, pois, no fundo, eles sabem quem está ajudando-os no momento da dor. Seria isto uma represália? Seria isto uma resposta pelo posicionamento da classe médica durante a última eleição? Começa agora um confronto onde, os médicos e a medicina, são atacados? Se assim for, resta-me lamentar, pois agir de forma propositada para desqualificar, erroneamente, uma classe é um ato perverso e grave.

Permitam-me salientar outro ponto de destaque: parece que o assessoramento em política social e em dados de saúde do Governo Federal não é um dos mais balizados. Pois, não é admissível construir uma campanha contra o preconceito, que tem como base filosófica o ódio e a não aceitação, alimentando, justamente, o ódio e a não aceitação. Esta campanha gera a seguinte reflexão: “os médicos e os profissionais de saúde atendem melhor os brancos e aqueles de olhos claros”. Francamente, que bizarro e raivoso. Quanta ira destilada em tal construção!

Certamente, os assessores desta campanha, possivelmente, não são atendidos pelo SUS ou nunca visitaram uma unidade pública de saúde lotada. Eles vivem noutro planeta ou não entendem patavina daquilo se propõem a trabalhar. Por fim, outro questionamento que não pode calar: a causa dos piores indicadores de saúde na população pobre é devido ao racismo dos profissionais de saúde ou devido aos graves problemas socioeconômicos vivenciados por esta população desprotegida?

Em meio aos escândalos de corrupção e as dificuldades atuais da nação, criam-se novas bruxas medievais – os médicos. Pois, como neste período histórico, será mais fácil purgar e exorcizar o mal. Basta queimá-los em fogueiras inquisitórias, visto que, esses seres malévolos e preconceituosos não têm salvação e, quem sabe, somente o divino poderá purificá-los.

Dr. Régis Eric Maia Barros
Médico Psiquiatra
Mestre e Doutor em Saúde Mental pela FMRP – USP

Crioablação percutânea guiada por imagem no tratamento de tumores renais

Dr. Marcos Roberto de Menezes

O grande avanço tecnológico dos métodos de imagem, alinhado à busca incessante pela menor invasividade na medicina moderna, tem alavancado de forma expressiva os procedimentos terapêuticos guiados por imagem, acrescentando força, volume e complexidade ao seu escopo de atuação.

A possibilidade da aplicação de modalidades de imagem para guiar de forma precisa procedimentos diagnósticos e terapêuticos minimamente invasivos, utilizando-se de instrumentos miniaturizados, mudou definitivamente o curso da medicina nas últimas quatro décadas. A noção de destruição percutânea do tumor – de forma localizada, com mínima morbidade e mortalidade – vem se tornando aceita como parte do armamentarium moderno do tratamento oncológico, sendo a ablação percutânea guiada por imagem uma opção cada vez mais aceita para casos selecionados de pacientes com tumor renal.

A descoberta de um número cada vez maior de tumores incidentais pequenos e confinados ao parênquima renal, tem estimulado o desenvolvimento de terapias menos agressivas, capazes de preservar o maior volume possível de tecido renal viável.

Recentes avanços no conhecimento da biologia do CCR, bem como no seu tratamento cirúrgico, tem viabilizado tais abordagens em tumores renais pequenos, representadas pela nefrectomia parcial aberta ou laparoscópica (cirurgias poupadoras de néfrons).

Para tumores com menos de 4,0 cm, os resultados das nefrectomias parciais são tão efetivos quanto os obtidos pela cirurgia radical, em termos de recorrência local. A ablação percutânea é a extensão natural dessa abordagem terapêutica; parênquima renal e função são preservados, e o tumor pode ser tratado com sucesso. Em relação às técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, a ablação percutânea é a menos invasiva, com menos complicações e mais rápida convalescença. A ablação percutânea pode ser repetida quando não completamente bem sucedida ou repetida várias vezes nos pacientes com câncer renal associado a doenças sindrômicas que desenvolvem múltiplos tumores ao longo sua vida (Von Hippel-Lindau, Esclerose Tuberosa ou CCR papilares hereditários). Finalmente, a ablação percutânea é a única opção de tratamento local em pacientes que não são candidatos à cirurgia:

  • Pacientes com rim único, cujo comprometimento funcional requer a máxima preservação de tecido viável;
  • Pacientes com comorbidades clínicas que inviabilizem o procedimento cirúrgico;
  • Pacientes com predisposição ao desenvolvimento de múltiplos tumores renais;
  • Pacientes com restrições psicológicas a cirurgias invasivas;
  • Pacientes que se recusam a receber o tratamento cirúrgico convencional.

A incidência desta neoplasia vem crescendo em todo mundo, um fenômeno fortemente associado ao aumento do seu diagnóstico incidental pelos diferentes métodos de imagem. Outro fator importante seria o aumento da exposição a agentes carcinógenos diversos, principalmente os de maior concentração nas sociedades industriais urbanas. Dessa forma, um grande número de neoplasias renais tem sido diagnosticado nas últimas duas décadas, a maioria composta por lesões pequenas (menores que 4 cm), de achado fortuito em exames de rotina, muitas vezes não relacionados a queixas do trato geniturinário (60% delas são descobertas de forma incidental).

No Brasil, embora não sejam disponíveis dados tão atuais, estima-se atualmente uma incidência aproximada de sete a dez casos por 100.000 habitantes/ano, segundo estatísticas do Instituto Nacional do Câncer.

As terapias ablativas como a radiofrequência e a crioablação são modalidades de tratamento minimamente invasivo mais empregadas e estudadas no tratamento de tumores localizados no rim.  Têm sido amplamente utilizadas no tratamento dos tumores renais na última década, sobretudo em pacientes sem condição cirúrgica em Estádio I.

Apresentam como vantagem principal a menor invasividade, possibilitando destruição tumoral sem a necessidade de cirurgias ou incisões. Impactam, portanto, em uma redução significativa da morbidade terapêutica, do tempo de internação e dos custos.

Crioablação

A crioablação consiste na aplicação de sucessivos ciclos de congelamento e descongelamento dos tecidos neoplásicos a partir de crioprobes (agulhas) inseridos no interior dos tumores sob orientação radiológica, atingindo temperaturas mínimas de até -40°C, promovendo a destruição tecidual a partir da ruptura de membranas celulares. O mecanismo de congelamento deve-se à propriedade termodinâmica do gás argônio de sofrer acentuada perda de calor durante sua expansão em uma câmara fechada (efeito Joule-Thompson). O descongelamento é obtido a partir da substituição do argônio pelo gás hélio, cujas propriedades termodinâmicas de expansão têm efeito oposto, aquecendo o sistema.

A possibilidade de visualização e monitorização da expansão da bola de gelo pela TC ou RM permite uma otimização do tratamento completo do tumor e menor risco de lesão das estruturas adjacentes. A crioterapia oferece um menor risco de lesão do sistema coletor, dado a relativa resistência do urotélio ao congelamento. Outro ponto positivo desta terapia é seu efeito analgésico intrínseco decorrente da aplicação das baixas temperaturas nos tecidos peri-tumorais, reduzindo de forma efetiva a dor  pós-procedimento.

Apesar da ablação renal por radiofrequência ou crioterapia já estarem descritas a mais de dez anos, séries maiores com seguimento mais longo têm surgido apenas mais recentemente na literatura.

A técnica de ablação renal percutânea tem o potencial de preservação do parênquima renal com menor morbidade quando comparada com a cirurgia aberta ou laparoscópica.   Alguns trabalhos com seguimento de cinco anos sugerem que a radiofrequência e a crioablação são tratamentos eficazes e com baixo risco de complicações.

As melhores taxas de sucesso são obtidas no tratamento de lesões com até 4,0 cm, sobretudo em tumores exofíticos ao parênquima renal. O tamanho do tumor é o fator mais importante para predizer a resposta. Outro aspecto influenciador é a experiência e infraestrutura técnica dos diferentes centros.

A experiência do nosso grupo no Hospital Sírio-Libanês, que iniciou os primeiros procedimentos há sete anos, já conta 150 pacientes tratados.

Com a melhora constante e a difusão da técnica, a crioablação percutânea renal tem se estabelecido como uma alternativa eficaz e menos invasiva para o tratamento de um grupo selecionado de pequenos tumores renais.

 

AMB lamenta falecimento do Prof. Dr. Adib Jatene

Jatene

A Associação Médica Brasileira lamenta o falecimento do Prof. Dr. Adib Domingos Jatene, que tanto lutou pela evolução da especialidade e pela saúde do país. A cirurgia cardiovascular perde um de seus ícones, a história e o pilar inicial da cirurgia cardiovascular.

Nossos sentimentos à toda a família Jatene!

Audiência pública debate vírus Ebola e Chikungunya

De acordo com o Ministério da Saúde, até o dia 25 de outubro, 828 casos de infecção pelo vírus Chikungunya foram diagnosticados no Brasil. Do total, 299 foram transmitidos dentro do próprio país. Outros 39 casos foram importados, ou seja, os pacientes foram infectados durante viagens a outros países. Nas últimas duas semanas, houve um aumento de 491 casos.

Para discutir planos de contenção de novas epidemias, como a febre chikungunya  e o vírus Ebola, a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara do Deputados (CSSF)  realiza, dia 13 de novembro, uma audiência pública. O debate foi solicitado pelos deputados Amauri Teixeira (PT-BA), Mandetta (DEM-MS), Eleuses Paiva (PSD-P), Geraldo Resende (PMDB-MS) e Rosane Ferreira (PV-PR).

A Chikungunya é transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que espalha o vírus da dengue. Os principais sintomas são febre alta, dor de cabeça, dor nos músculos e nas articulações. O quadro mais agudo chega a durar 10 dias, mas as dores nas articulações podem se estender por até seis meses.

Chikungunya

Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, houveram  458 casos de transmissão interna na Bahia, 330 no Amapá e 1 em Minas Gerais. Quanto aos casos importados, foram registrados 17 em São Paulo,  4 no Ceará, 3 no Rio de Janeiro e mais 3 em Roraima. Rio Grande do Sul, Paraná e Distrito Federal registraram dois casos, cada. Amazonas, Amapá, Goiás, Maranhão, Minas Gerais e Pará tiveram apenas uma notificação de caso importado.

Do total de casos, 155 foram confirmados por exame laboratorial e 673 por critério clínico-epidemiológico. O diagnóstico pode ser feito pela observação dos sintomas, caso o paciente tenha tido contato com outras pessoas infectadas.

Devem participar da audiência pública Paulo Gadelha, presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); Joaquin Molina, representante da Organização Pan-Americana da Saúde; Luiz Carlos Pereira Júnior, diretor técnico do Instituto de Infectologia e Hospital Emílio Ribas e Paulo Coury , superintendente de Vigilância de Portos, Aeroportos e Fronteiras da Anvisa.

O encontro acontece a partir das 9h30, quinta-feira (13), no plenário 7 do anexo II da Câmara dos Deputados.