2. ESSES DISPOSITIVOS ELETRÔNICOS CONTÊM NICOTINA?

Embora os e-líquidos dos cigarros eletrônicos sejam comercializados com e sem nicotina, pesquisa realizada em 2015 revelou que 99% de todos os produtos para cigarro eletrônico vendidos em lojas nos Estados Unidos continham nicotina.

As primeiras gerações de cigarros eletrônicos continham um tipo de nicotina conhecida por base livre, que causava pouco prazer. A quarta geração, na qual se destaca o cigarro eletrônico em forma de pen drive e com USB, entrega nicotina na forma de “sal de nicotina”, algo que se assemelha à estrutura natural da nicotina encontrada nas folhas de tabaco e facilita a sua inalação por períodos maiores, sem ocasionar desconforto ao usuário.

As concentrações de nicotina nos primeiros modelos de DEF variavam entre 0,2 e 2 mg/ml equivalente a 2,4% . No cigarro eletrônico no formato de pen drive, a concentração de nicotina alcança 59 mg/ml (5%), propiciando intenso e rápido prazer, o que gerou uma explosão nas vendas (aumento de 600% em 2016 e 2017), tornando-se o produto dominante do mercado de DEF nos EUA.

A “corrida armamentista de nicotina” levou seus concorrentes a lançarem concentrações muito mais elevadas, chegando a 7% de nicotina. Contudo, em 2018, os fabricantes do cigarro eletrônico no formato de pen drive lançaram no mercado dispositivos para recarga dos cartuchos – os “pods” com concentrações mais baixas, contendo 35 mg/ml (3%). Cada pod do cigarro eletrônico no formato de pen drive contém 0,7 ml de e-líquido com nicotina, possibilitando 200 tragadas, similar, portanto, ao número de tragadas de um fumante de 20 cigarros convencionais.

Os rótulos dos pods não descrevem a quantidade de nicotina, que aparecem apenas na forma de percentual, ou seja, 3% e 5%. Os valores menores levam à falsa percepção de menor quantidade e, portanto, menor dano . Além da nicotina, os pods contêm uma mistura de glicerol, propilenoglicol, ácido benzoico e flavorizantes9. Esses pods podem ser manipulados e preenchidos com outras substâncias como o tetrahidrocanabinol (THC)- principal substância psicoativa da maconha.

Os cigarros eletrônicos geralmente são comercializados com flavorizantes, disponíveis em mais de 7 mil aromas e sabores, como morango, baunilha, chocolate, menta e “crème brûlée”. É importante informar que o uso desses flavorizantes é liberado para consumo oral, mas não para inalação, pois para alguns deles já está bem estabelecido que causam danos ao sistema respiratório. Os e-líquidos contêm, pelo menos, 60 compostos químicos, mas o aerossol de cigarro eletrônico contém ainda mais 40.

O uso de aromas e sabores é para mascarar o gosto ruim característico da nicotina, além de ser um atrativo para as crianças, adolescentes e adultos jovens.

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