AMB APOIA ESTUDO COORDENADO PELO ONCOLOGISTA PAULO HOFF

A AMB (Associação Médica Brasileira) sempre se posicionou veementemente contrária a testes que não seguissem os ritos científicos necessários para a comprovação de sua eficácia, como no caso da chamada “pílula do câncer”.

A entidade foi responsável pela liminar concedida pelo STF (Supremo Tribunal Federal) que suspendeu a chamada “pílula do câncer” em maio de 2016, justamente pela falta de comprovação científica.

Em março, o diretor geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), Paulo Hoff, foi ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga eventuais falhas na pesquisa sobre a fosfoetanolamina sintética, propagada como “pílula do câncer”. O estudo coordenado pelo oncologista e financiado pelo governo paulista não demonstrou a eficácia da pílula do câncer.

É preocupante o uso de forças políticas como instrumento para questionar a validade de um estudo científico. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recomendou o veto à pílula do câncer, enviando nota técnica, justamente por não haver estudos clínicos que demonstrassem sua segurança e eficácia, trazendo riscos à saúde dos pacientes.

No entanto, o senado e a então presidente da República, Dilma Rousseff, aprovaram a liberação da pílula, sem as competências necessárias para julgarem o rito científico. O STF julgou não haver testes científicos suficientes que comprovem que a pílula seja segura e eficaz sem colocar em risco a saúde dos pacientes e que a norma editada pelo Congresso invadiu a competência da própria Anvisa.

Os testes em humanos da fosfoetanolamina sintética coordenados pelo oncologista Paulo Hoff, apresentados durante o 20° Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, mostraram que em testes com 73 pacientes, apenas um teve resultado positivo parcial, de modo que o Icesp não pretende mais conduzir pesquisas sobrea pílula. A baixa eficácia demonstrada autoriza técnica e eticamente a suspensão dos testes e evita colocar mais pacientes em risco. A AMB apoia a decisão técnica do Instituto, justamente por não ser ético submeter mais pessoas a um tratamento sem efeito.

Considera, ainda, que legislar sobre fármacos é inaceitável, pois a responsabilidade legal e criminal recai sobre o médico na prescrição do tratamento, e a utilização de drogas sem o reconhecido efeito vai nos levar a um retrocesso de 300 anos, quando se acreditava em poções e magias para o tratamento de pessoas.

A AMB aconselha sempre aos pacientes que não abandonem seus tratamentos na busca de soluções rápidas e milagrosas. Sigam as recomendações de seus médicos especialistas, pois para cada tipo de câncer há um tratamento adequado que visa à remissão do mal, e quando isso não é possível, à ampliação da qualidade e da expectativa de vida.

Paulo Hoff é um dos oncologistas mais reconhecidos no Brasil, com mais de 300 publicações, e desde março de 2017 ocupa a cadeira 58 como membro titular da Academia Nacional de Medicina.

Após sua formação no Brasil, com graduação em Medicina pela Universidade de Brasília (1991) e doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo (2007), teve longa e sólida formação nos EUA durante sete anos. Depois passou a atuar na assistência e pesquisa, sendo por vários anos professor associado e vice-chefe do Departamento de Gastroenterologia do M. D. Anderson Cancer Center da University of Texas, um dos maiores centros de oncologia do mundo.

No Brasil e no exterior, esteve e está à frente de grandes entidades no estudo do câncer, o que, em conjunto com seu currículo, lhe dá legitimidade para tratar do assunto.

ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA

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