AMB LEVA DENÚNCIA AO ITAMARATY SOBRE FERIDOS EM CONFLITOS NA NICARÁGUA - AMB

AMB LEVA DENÚNCIA AO ITAMARATY SOBRE FERIDOS EM CONFLITOS NA NICARÁGUA

 

Em ofício ao Ministério das Relações Exteriores, AMB afirma ter recebido denúncias que pessoas feridas na Nicarágua estão sendo impedidas de ser atendidas em hospitais e médicos são proibidos à força de exercerem seu trabalho e missão.

A Associação Médica Brasileira (AMB) manifestou sua preocupação e indignação com os fatos que vem ocorrendo na Nicarágua. Protestos contra a polêmica reforma do Instituto Nicaraguense de Seguridade Social (INSS) provocaram intenso conflito social que se espalhou pela Nicarágua nos últimos 50 dias. A situação foi agravada pela desproporcionalidade de atuação das autoridades que adotaram estratégia de repressão caracterizada pelo uso excessivo da força e utilização de grupos armados pró-governamentais para esmagar os protestos.

No ofício encaminhado ao Itamaraty, a AMB afirma ter recebido diversas denúncias que agravam a situação conhecida, por parte de Entidades Médicas da Espanha, México e de outros países membros da Confederação Médica Latino-Ibero-Americana e do Caribe (Confemel) sobre graves problemas de violência enfrentados pela população e pelos médicos que trabalham no País.

Segundo denúncias recebidas pela AMB, não há números oficiais, mas pelos noticiários sabe-se que há mais de cem mortos e número muito maior de desaparecidos, feridos e torturados, com evidencias de execuções.

Há informações de que pessoas feridas estejam sendo impedidas de ser atendidas em hospitais públicos e que os médicos estejam sendo proibidos à força de exercerem seu trabalho e missão. As pessoas que recorrem aos hospitais particulares, estão sendo retiradas à força com violência, junto com seus médicos.

Além da violência, que está sendo imposta à população da Nicarágua e aos médicos que estão sendo impedidos de realizar seu trabalho, pelas forças de segurança do governo, o País ainda enfrenta séria crise de desabastecimento, que complica ainda mais todo esse triste e doloroso processo.

Com controle dos meios de comunicação, o governo nicaraguense impede que a situação mais dramática ainda, chegue ao conhecimento público, nacional e internacionalmente.

“Mediante tamanha barbárie e covardia, tomamos a liberdade de compartilhar as denúncias que temos recebido com o Ministério das Relações Exteriores. Solicitamos que essas informações sejam também encaminhadas à Embaixada do Brasil na Nicarágua. ”, declara o presidente da AMB, Dr. Lincoln Ferreira.

O Presidente da Confemel e Ex-Presidente da AMB, Florentino Cardoso acompanha de perto o que está acontecendo, juntamente com colegas médicos de outros países. “Assustador saber o que se passa na Nicarágua nesse momento, onde sofre a população e os médicos, que foram treinados para salvar vidas e são impedidos de trabalhar nesse sentido. Vamos lutar contra esse caos instalado, desejando rápida solução para tão grande crise humanitária.”

No Ofício, a AMB solicita também ao Ministério:

“Informações urgentes e concretas, a respeito das denúncias que recebemos… Informações se há brasileiros e médicos que tenham sofrido algum tipo de violência ou que estejam em situação de risco e o que está sendo feito para proteger ou retirar essas pessoas… Informações sobre quais medidas que o Brasil, através do Ministério das Relações Exteriores está tomando em desagravo ao governo da Nicarágua”. E por último, pede que faça chegar às autoridades locais o forte repúdio aos fatos citados.

Leia cópia do ofício:  https://amb.org.br/wp-content/uploads/2018/06/Op0025-Itamaraty-Nicara%CC%81gua-2018-1.pdf

Compartilhar em: