VICE-PRESIDENTE DA AMB, DIOGO SAMPAIO, PALESTRA NO SEMINÁRIO CICLO DE DEBATES DA ABM E ACADEMIA DE MEDICINA DA BAHIA

 

 

Diogo Sampaio abordou em sua palestra as consequências da abertura indiscriminadas de novos cursos de medicina no Brasil

Discussões acerca da multiplicação dos cursos de Medicina foram a tônica de seminário realizado pela ABM (Associação Bahiana de Medicina) e Academia de Medicina da Bahia. O evento, aberto ao público, ocorreu na sexta-feira  (27) como parte das comemorações pelos 60 anos da Academia de Medicina da Bahia.

O seminário “Consequências da abertura de novos cursos de Medicina no Brasil” foi aberto pelo presidente da entidade, Dr. Antônio Carlos Vieira Lopes, e a moderação com o acadêmico Roberto Badaró.

A visão da Associação Medica Brasileira (AMB) foi demonstrada pelo vice-presidente da entidade, Dr. Diogo Sampaio. O vice-presidente também mostrou que houve crescimento exponencial dos cursos e do número de matrículas. “A manutenção de escolas ruins tem como efeito a manutenção da formação ruim e a liberação ao exercício de médicos de péssima qualidade”, ressaltou. Sampaio destacou a importância do Exame Nacional de Proficiência em Medicina, da Carreira Médica de Estado e da Frente Parlamentar da Medicina.

 

Já o presidente da Associação Bahiana de Medicina (ABM), Dr. Robson Moura, afirmou que os médicos se opõem à forma irresponsável e indiscriminada de criação dos cursos de Medicina no Brasil. “Eu defendo a minha saúde, da minha família e do meu povo. Os gestores públicos não serão atendidos por estes médicos, mas pela elite da Medicina. A grande discussão aqui é a qualidade”, destacou. Ele classificou ainda como “frouxo” o edital do MEC. “A AMB fez relatórios apontando as lacunas, mas todas essas faculdades avaliadas irão abrir. Esses médicos malformados estão em todos os lugares”. E salientou ainda a importância do Exame de Proficiência Médica. “Parabenizo a iniciativa. Quem está aqui dedicou seu tempo à saúde da população”, finalizou.

 

O seminário foi divido em exposições ao longo da manhã. Teve início com a Academia de Medicina da Bahia, através do acadêmico Dr. Raymundo Paraná, que, entre outros pontos, abordou a importância da qualidade da formação, tecendo um comparativo entre qualidade e quantidade. Em seguida, falando sobre a “diretoria de desenvolvimento da educação em saúde”, esteve Dr. Evandro Guimarães de Souza, avaliador do Ministério da Educação e Cultura, que mostrou números das escolas médicas no País, quantidade de ingressantes, vagas para ingressantes, etc. Representando o magnífico Reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o Prof. Fernando Adan, que é diretor da Faculdade de Medicina da UFBA, contou falou sobre a história e situação das escolas médicas na Bahia. “Houve um aumento exponencial”, destacou.

 

O secretário-geral do Conselho Federal de Medicina (CFM), Dr. Henrique Batista, mostrou que a profissão de médico é a que desperta maior confiança entre os brasileiros, segundo pesquisa feita pelo CFM e Datafolha em 2016. Falou ainda sobre o aumento acelerado dos cursos e vagas dos cursos de Medicina e os efeitos disso na qualidade da educação médica. Ele mostrou que, em quatro anos e meio, foi aberto o mesmo número de escolas de quase dois séculos e apresentou a radiografia das escolas médicas no Brasil: a mensalidade mais baixa gira em torno de R$3 mil e a mais alta beira os R$13 mil.

 

Feita as exposições, o moderador Dr. Roberto Badaró teceu um riquíssimo resumo das apresentações de cada um dos expositores e abriu espaço para comentários acerca do tema. A primeira a comentar foi a presidente do Conselho Federal de Medicina (CREMEB-BA), Dra. Teresa Maltez, que parabenizou a iniciativa. “As apresentações foram abrangentes e trazem o que tem nos preocupado na condição de Conselho: a falta de estrutura de alguns cursos, o endividamento dos egressos das Faculdades, médicos sobrecarregados com inúmeros vínculos de trabalho e aumento do número de acidentes de trânsito envolvendo médicos”, pontuou.

 

A diretora da Escola Bahiana de Medicina, Dra. Maria Luisa Soliani, representando a Associação Brasileira de Educação Médica, afirmou que a ABEM sempre se posicionou em busca de qualidade. “Ela teve papel importante em todos os momentos e tem se feito presente nas discussões. Há uma explosão de escolas médicas e essa abertura sempre esteve ligada a influências políticas e econômicas”. Soliani reforçou que o crescimento tem sido exponencial. “Teria sido melhor se as escolas se localizassem onde realmente são necessárias, influenciando o crescimento econômico e social das regiões. Temos que nos questionar o seguinte: dentro do nosso modelo de saúde, quantos médicos precisamos? ”, indagou.

 

Ao final do evento, representantes de diretórios acadêmicos também comentaram o debate. Com as discussões que foram tecidas durante o evento, uma carta está sendo redigida e será submetida à aprovação das assembleias, para posterior publicação dentro dos próximos 15 dias.

 

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