CONSELHO CIENTÍFICO DA AMB HOMENAGEIA DOIS GRANDES NOMES DA MEDICINA NACIONAL

A construção de um sistema de saúde qualificado e satisfatório para médicos e pacientes passa pelo reconhecimento de ideias e pessoas que contribuem para o desenvolvimento do setor. Neste contexto, a Associação Médica Brasileira (AMB) homenageou, nesta terça-feira (26), dois médicos que atuam ativamente para o avanço da saúde no Brasil: Wilson Pollara, ex-secretário Municipal de Saúde de São Paulo, e Raul Cutait, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

A entrega das placas de homenagem foi realizada na reunião ordinária do Conselho Científico da AMB, que contou com a participação do presidente da entidade, Lincoln Ferreira; do diretor científico, Carlos Chagas; e do secretário-geral, Antonio Jorge Salomão.

“Tanto Pollara quanto Cutait sempre mantiveram as portas abertas para dialogarmos sobre as demandas da classe médica, seja no setor público ou na academia. São dois profissionais que trabalham efetivamente para construir uma saúde melhor e merecem nosso reconhecimento”, destaca Lincoln Ferreira.

Saúde tem cura

Durante o encontro, os médicos homenageados dividiram com os participantes reflexões sobre assuntos relevantes para o segmento. Wilson Pollara apresentou o contexto de desenvolvimento da saúde pública no Brasil, pautado nas condições de bem-estar físico, mental e social, para discutir a situação atual do Sistema Único de Saúde (Sus). “Depois de muito estudo, constatei que o Sus é o melhor sistema de saúde do mundo. A questão é que ele nunca foi implantado como concebido”, avalia Pollara. É preciso encontrar o ponto de equilíbrio entre o perfil de atendimento que o paciente necessita e a estrutura necessária para atendê-lo.

“O caminho é estruturar uma rede de saúde que invista em assistência primária. Atualmente, 5% dos atendimentos de saúde são de casos de alta complexidade. Devemos tratar o simples de forma simples e o complexo de forma complexa, respeitando a população mínima necessária para justificar a existência de um serviço em determinado local. É importante estruturar a saúde para utilizar de forma inteligente os hospitais de apoio, Unidades Básicas de Saúde e de Pronto Atendimento”, detalha Wilson Pollara.

O médico homenageado ainda reforçou as contribuições da AMB para o desenvolvimento da atividade médica no país. “Se tem um lugar que pode ser o núcleo das transformações na saúde é a AMB”, ressalta.

Formação médica

Já Raul Cutait trouxe reflexões sobre as escolas médicas e o mercado de trabalho na medicina. Ele pontua que “não é errado abrir faculdades de Medicina, mas isso deve ser pautado em critérios técnicos e não em oportunismo político ou financeiro” e acrescenta que “a realidade atual mostra um número abusivo de escolas novas, a grande maioria sem a competência mínima para formar médicos”.

O professor da USP alerta que, em breve, o Brasil vai formar mais médicos que o necessário. Para melhorar o controle, o Cutait sugere implantar sistemas de acreditação de escolas médicas e hospitais de ensino, além de avaliar os graduandos por meio de testes de proficiência.

“É imprescindível avaliar variáveis epidemiológicas e de distribuição geográfica, a capacidade de vagas de residência médica existente e as oportunidades do mercado de trabalho para chegarmos ao número ideal de escolas médicas que o país precisa. Médicos mal formados são um risco à população e isso gera sofrimento e custos desnecessários. Não é nossa intenção restringir corporativamente o mercado, queremos formar bons profissionais”, pontua Cutait.

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