Debate em Brasília trata de ataques a profissionais e instalações de saúde

Os constantes ataques a hospitais, ambulâncias e equipes médicas em áreas de conflito armado e de emergências estão causando uma erosão nos sistemas de saúde dos países afetados. O alerta foi dado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn), no Auditório do Museu Nacional do Conjunto Cultural da República de Brasília.

“Estamos cientes de que os médicos são pressionados pelas condições de trabalho e pela violência em áreas críticas e de conflito, no entanto, temos que assegurar que eles possam desenvolver seu trabalho de atendimento aos feridos e doentes segundo as bases éticas estabelecidas pela profissão que garantem seu pleno exercício”, afirmou Rilito Povea, gerente da campanha internacional “Assistência à Saúde em Perigo” do CICV, na última quinta-feira, dia 25 de setembro, a uma plateia formada por diplomatas, representantes das Nações Unidas, médicos, militares, estudantes e autoridades do governo brasileiro.

Em torno do tema ‘Consequências humanitárias da falta de respeito e de proteção aos serviços de saúde’ apresentado por Povea, o encontro reuniu, ainda, a presidente da ABEn, Angela Maria Alvarez, o diretor de Relações Internacionais da AMB, Dr. Miguel R. Jorge, e o coordenador adjunto do Departamento de Atenção Especializada e Temática do Ministério da Saúde (MS), Alexandre Teixeira Trino. O responsável pelo Programa Acesso à Saúde do CICV, Ricardo Laino, foi o mediador. O debate é parte das atividades paralelas da mostra fotográfica “Assistência à Saúde em Perigo: Líbia e Somália no Olhar de André Liohn”, em exposição até 12 de outubro no Museu Nacional.

Rilito Povea ressaltou que a violência recai em maior parte sobre os profissionais locais. Um estudo realizado em 2012 e 2013, em 23 países onde o CICV atua, registrou 1809 incidentes de violência contra profissionais, pacientes, ambulâncias e estabelecimentos de saúde. Sendo que 90% dos afetados são trabalhadores do país, e não estrangeiros. Uma parte dos ataques é realizada pelas forças de segurança (31%) e outra, por grupos armados não estatais (32%) e indivíduos que não formam nenhum grupo (14%).

Para o médico Miguel Jorge, feridos e doentes têm o direito de receber tratamento médico adequado. “No Brasil, não temos conflitos como em outros países, mas a violência causa pressões sobre as equipes de saúde, que muitas vezes não podem exercer suas funções e chegam a abandonar seus postos de trabalho”, ressaltou Jorge.

Há muitos exemplos sobre este problema no país, que preocupa a AMB. Em 2000, o Sindicato dos Médicos de São Paulo (SIMESP) realizou um estudo com médicos da Grande São Paulo que apontou que 41% deles estiveram expostos a violência por três ou mais vezes, sendo que nos hospitais públicos esta exposição é três vezes maior do que nos hospitais privados. A situação, segundo o levantamento, se repete com maior frequência nos serviços de pronto-atendimento (62%).

Já a enfermeira Angela Alvarez relatou casos de profissionais impedidos de trabalhar por causa de ameaças de morte e a consequente falta de atenção à saúde da população, em especial às comunidades mais carentes.

Ale

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