É “só alergia”

Frase tão comum para minimizar sintomas de alguma patologia que poderia ser mais grave, pode não significar algo tão insignificante assim para o sistema de saúde dos países mundo afora

O cenário é clássico: coceira, irritação, inchaço e pronto. Surge a dúvida se é alergia ou algo mais grave. Mas quem disse que a primeira opção não é algo grave? Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), somente no Brasil há 35% da população que sofre de algum tipo de alergia. As mais comuns são as respiratórias, que se agravam ainda mais no inverno, mas há também as de pele, alimentares, picadas de insetos, medicamentos, entre outras.

Nas últimas quatro décadas existe um crescimento significativo no número de pessoas infectadas com algum tipo de doença alérgica, que estão relacionadas a fatores genéticos e ambientais, incluindo a exposição aos alérgenos do ar, a poluição e os agentes infecciosos.

Em 2015, a Organização Mundial da Alergia (WAO sigla em inglês) divulgou um relatório que prevê uma população de mais de 400 milhões de pessoas com asma em todo o planeta cerca de 30% e 40% da população mundial têm rinite alérgica, que é uma das manifestações mais frequentes da alergia e acrescentou que cerca de 80% dos pacientes com asma têm rinite alérgica, “porque a mucosa é uma só”.

A incidência está aumentando em função do crescimento da poluição. A asma e a rinite, doenças frequentemente associadas e de alta prevalência em todo o mundo, são as manifestações mais importantes das doenças alérgicas respiratórias, e, portanto, de maior impacto.

Evidentemente que as progressões desta doença representam também investimentos dos sistemas de saúde de cada país, no atendimento destes pacientes. Uma das entidades afiliadas à AMB, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), publicou brilhantemente em março, durante a Semana Mundial da Alergia, dados alarmantes sobre a despesa que esta patologia tem para o sistema de saúde no Brasil. Só os medicamentos para asma consumiram mais da metade dos recursos de famílias com asmáticos e o custo da doença teve impacto importante na renda familiar (10%). Se todos os asmáticos brasileiros recebessem o mesmo tipo de tratamento, o gasto total estimado da asma estaria entre R$ 13 e 18 bilhões/ano, correspondendo a 0,5% do PIB, ou a 4% do PIB da Saúde.

Em 2007, os gastos do SUS com internações por asma foram de R$ 96 milhões, representando 1,4% do total/ano com todas as doenças.

Em estudo com asmáticos em tratamento na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, foi aferido um custo médio (direto e indireto) da asma de quase R$ 2 mil/paciente-ano, com um incremento de 12% para os asmáticos com rinite alérgica associada. O custo da asma foi maior em pacientes que apresentaram sobrepeso/obesidade, nos casos mais graves e com pior controle da doença.

Neste 07 de maio, quando é comemorado o Dia Nacional de Prevenção à Alergias, uma coisa é fato, a próxima vez que se coçar, tiver irritação de pele, ou espirrar e o diagnóstico de que aquilo é “só uma alergia”, pode não ser algo tão insignificante assim para a sua saúde.

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