Hospital São Paulo pede socorro

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Há duas semanas, o Hospital São Paulo (HSP), uma das principais referências no país no atendimento a pacientes, convive com a greve de cerca de 1.200 médicos residentes. Mas mais do que a paralisação, o HSP vem convivendo há alguns anos com a falta de estrutura de atendimento aos seus pacientes.

Mensalmente, são realizadas mais de 90 mil consultas, 2.600 internações, 1.600 cirurgias e cerca de 290 mil exames laboratoriais. Diariamente, são atendidos cerca de 4 mil pacientes ambulatoriais e mil nos serviços de pronto-socorro e pronto atendimento. Mesmo com toda essa importância, o hospital tem reduzido os investimentos e já é notória a falta de remédios básicos e de manutenção de equipamentos de diagnóstico por imagem.

O presidente da Associação de Médicos Residentes do Estado de São Paulo (Ameresp), Dr. Diego Garcia, explicou as motivações dos médicos residentes do HSP de entrarem em greve e também quais são os próximos movimentos da paralisação, que já tem um Ato Público sendo organizado e que pretende sensibilizar o ministro da Saúde, Arthur Chioro.

 

diego garcia (1)Primeiramente, o que é o Ato Público que os médicos residentes farão logo mais na Unifesp?

Acontece hoje, às 13h, no prédio da Unifesp. Será um ato civilizado e todos participantes estarão usando seus jalecos, assim como estarão com as mãos amarradas por uma faixa preta.

Queremos mostrar que não estamos de braços cruzados como parte da mídia tem divulgado, mas sim de mãos atadas pela falta de materiais, por conta dos equipamentos quebrados, etc.

Vamos aproveitar a presença do ministro da Saúde, Arthur Chioro, para entregar uma carta com nossas manifestações.

 

Por que foi decidido fazer a greve?

O movimento acontece após rodadas de negociações frustradas com a direção do hospital e é realizado em parceria com a Associação dos Médicos Residentes da Escola Paulista de Medicina (Amerepam).

A paralisação é decorrente da falta de estrutura a pacientes e médicos. Entre os principais problemas estruturais está a limitação de insumos cirúrgicos e exames de laboratório, falta de medicamentos, fechamento da sala de trauma e a falta de enfermeiros.

Com a falta de materiais básicos e má estrutura que temos no Hospital São Paulo, estamos colocando em risco a vida dos pacientes. Além disso, também há um grande déficit no desenvolvimento do aprendizado dos médicos residentes, que não conseguem prestar um socorro digno à população.

  

Houve uma reunião com o Conselho Gestor do Hospital São Paulo que indicava o final da greve. O que aconteceu? Por que decidiram manter a paralisação?

Sim, houve uma reunião com o Conselho Gestor na última sexta-feira, dia 26 de junho. Infelizmente, o documento apresentado segunda-feira (dia 29) pelo HSP (Hospital São Paulo) desconsiderou uma semana de negociações. A proposta formalizada foi diferente do que vinha sendo negociada com os residentes, além de ser inconsistente e sem clareza ou compromisso de prazos para solução de problemas sérios para o atendimento aos pacientes.

 

O que, por exemplo, não foi mantido na proposta formalizada pelo Conselho Gestor e que havia sido acordado na sexta-feira?

Um dos pontos prioritários apontados pelos médicos é a falta de medicamentos. Na reunião da última sexta-feira havia sido acordado entre as partes o repasse de R$ 3 milhões somente para a resolução deste item. No entanto, no documento oficial de contraposta do HSP o valor para compra de remédios foi excluído. Além disso, o documento faz menção a um estoque de medicação capaz de atender a demanda até dezembro de 2015, o que é sabidamente não verdadeiro, já que medicamentos básicos, como anfotericina B, Aciclovir, fluco EV, Protamina, Atrovent e enteroclisma estão em falta no hospital. Inclusive, tem sido negada a liberação da lista de medicamentos aos residentes para que não haja transparência sobre a falta destes em estoque.

Outro setor crítico é o de manutenção de equipamentos, como os de diagnóstico por imagem. Estava acordado para começar a partir da primeira quinzena de julho, mas, no documento apresentado pelo HSP, não consta mais previsão de data para resolução do problema.

 

Quais serão os próximos passos do movimento?

Uma nova assembleia será marcada ainda para esta semana, quando será definido se os cerca de 1.200 médicos residentes que trabalham no Hospital São Paulo continuarão a greve pela melhoria na estrutura de atendimento aos pacientes.

 

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