“MAIS MÉDICOS DEVERIA SER CHAMADO DE MENOS MÉDICOS”

O 72º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado em São Paulo, foi o primeiro compromisso público oficial do novo presidente da Associação Médica Brasileira, Lincoln Ferreira, que tomou posse no último dia 31 de outubro.

Na sexta-feira, 3 de novembro, participou da abertura do congresso, quando falou sobre a importância de eventos científicos como o promovido pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), “que contribuem sobremaneira para o aperfeiçoamento técnico e profissional da classe médica, um contraponto fundamental no momento e no cenário atual da saúde no Brasil”.

Na palestra e na mesa de debates que participou no sábado, Dr Lincoln salientou a importância da carreira médica de estado para garantir provimento de profissionais para áreas remotas e de difícil acesso: “única alternativa viável e eficiente ao Programa Mais Médicos, cuja qualidade e mesmo a formação dos profissionais até hoje não foi comprovada. Além disso, segundo o TCU, em 49% dos municípios atendidos pelo programa houve diminuição da quantidade de médicos disponíveis para atender a população”.

Também falou sobre a abertura desenfreada de escolas médicas no Brasil e o custo financeiro, social e para a saúde do País: “Formar um médico com ensino de qualidade no Brasil custa muito caro. Formar médicos sem qualidade, custa mais caro ainda para a sociedade como um todo”, declarou Lincoln durante a palestra. “Não há justificativa para que o Brasil tenha mais escolas médicas do que os Estados Unidos, em termos proporcionais. Precisamos é de qualidade, não somente de quantidade”, completou o presidente da AMB.

A importância do associativismo, o engajamento dos médicos nas associações, assim como os honorários médicos e a Frente Parlamentar da Medicina foram outros temas tratados na palestra de Lincoln Ferreira na palestra “Propostas do associativismo médico brasileiro”, que ocorreu dentro Segundo Fórum de Qualidade Assistencial e Defesa Profissional da SBC, no congresso desta sociedade.

Com mais de 8.200 participantes, o congresso deste ano foi o maior da história da cardiologia no País.

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