MAIS UM CAPÍTULO NA HISTÓRIA DAS ESCOLAS MÉDICAS ABERTAS SEM A ESTRUTURA NECESSÁRIA

Berço da primeira universidade de Medicina no Brasil em 1808, a Bahia é um dos cenários de uma disputa de escolas médicas privadas por espaço para realizarem o internato dos estudantes de medicina (estágio).

O caso tem origem nos últimos 15 anos, quando diversas faculdades foram inauguradas com aval do Governo Federal, mas sem comprometimento com a qualidade da formação médica, muitas isentadas de manterem um hospital-escola, que é preparado e tem vocação para ensino. Assim estas escolas precisam utilizar-se de convênios com a rede pública de saúde, para poderem dar um mínimo de prática aos estudantes.

O Governo do Estado da Bahia, lançou o edital de chamamento público para seleção das instituições de ensino superior para vagas nos hospitais de sua administração e em contrapartida exigia contrapartida financeira das instituições de ensino superior, já que estavam se utilizando de um bem público.

Hoje o TJ-BA liberou as matrículas para internato médico no estado, que uma decisão liminar, após ação movida por uma das escolas, definia que os hospitais gerenciados pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) ficavam impedidos, desde o no final de janeiro, de receberem estudantes de faculdades federais, estaduais e privadas para o internato de 2019. Isso potencialmente afetaria 10 mil estudantes, que deveriam iniciar o internato em março.

“É direito do aluno ter um hospital-escola bem equipado e que contribua com a formação médica dele. Porém, a conta não pode recair somente sobre o Estado. As instituições de ensino precisam assumir o compromisso de arcar com o necessário para que o processo de aprendizado dos estudantes não seja prejudicado.”, afirmou o 2º Vice-presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Dr. Robson Freitas de Moura.

O 1° Vice-presidente da AMB, Diogo Sampaio, avalia que é necessário ampliar a discussão sobre a qualidade dos hospitais-escola. “É preciso rever urgentemente a desregulamentação dos hospitais de ensino e cobrar que as escolas utilizem hospitais preparados para atender às demandas do internato. Estes e outros assuntos devem ser revistos no Grupo de Trabalho criado junto com a Moratória de cinco anos. Precisamos agir para evitar que situações como essas persistam e para devolver à formação médica a importância que ela merece. Aluno de medicina, sem um hospital de ensino, foi uma grave distorção criada por essa política de abertura de escolas médicas nos últimos anos, que teve um viés político/eleitoreiro e econômico”. Entre 2003 e 2018 foram abertas 201 novas escolas.

https://www.metro1.com.br/noticias/bahia/69246,tj-ba-libera-matricula-para-internato-medico-no-estado.html

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