Médicos peritos do INSS entram em greve

Desde a manhã de sexta-feira, 4/9, os médicos peritos do INSS entraram em greve, por tempo indeterminado. A categoria entra em greve dois meses depois dos funcionários administrativos do INSS. Dos mais de 4.500 médicos peritos que atuam em todo o país, somente 30% continuarão trabalhando, garantindo a prestação mínima de serviços.

A pauta de reivindicações é ampla, na qual destaca-se: solução para os prédios do INSS onde a população é atendida e, na sua maioria, estão condenados, ou não possuem “habite-se”; recomposição do quadro médico, que atualmente não é suficiente para atender a demanda existente e causa longas filas de espera à população; recomposição salarial.

“Estamos tentando negociar com o governo desde o início do ano, mas sequer somos recebidos. A situação chegou a um ponto insustentável. Não há mais como trabalhar nestas condições sem a menor perspectiva de nossas reivindicações serem atendidas. É um desrespeito total com a categoria e com a população que acaba tendo um serviço aquém do que deseja e merece”, reclama Francisco Cardoso Alves, Presidente da Associação Nacional dos Médicos Peritos da Previdência Social.

Mais uma vez fica clara a total falta de valorização do governo federal com a classe médica e total despreocupação com qualidade dos serviços prestados à população brasileira. Como no SUS, não há zelo pelo atendimento e pela satisfação com o serviço prestado.

Para Florentino Cardoso, presidente da Associação Médica Brasileira, a situação é lamentável e os médicos peritos necessitam do apoio de todos os médicos brasileiros: “É triste, mas não nos surpreende. Valorizar a carreira de médicos peritos não gera dividendos políticos e nem gera possibilidade de propagandas bonitas para o governo. A AMB apoia a pauta de reivindicações dos médicos peritos. É preciso dignidade e valorização profissional, principalmente para quem tem atividade tão crítica para definição na concessão de benefícios da Previdência Social. É incompreensível que o governo não entenda a importância estratégica que estes profissionais têm para gestão pública”.

A paralisação deve afetar concessão e renovação de benefícios por incapacidade, como auxílio-doença e aposentadoria por invalidez. Mensalmente quase 1,5 milhão de pessoas são atendidas nas agências do INSS.

Alguns pedidos de aposentadoria já foram remarcados para ano que vem. A greve dos médicos peritos deve atingir serviços como: aposentadoria especial, por invalidez e deficiente; aumento de 25% para aposentado que precisa de acompanhamento; auxílio acidente e desconto do Imposto de Renda para doenças graves.

Atualmente, mais de 4.500 médicos peritos são responsáveis pelo atendimento de quase 1,5 milhão pessoas por mês em todo território nacional.

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