REVALIDA 2017 MOSTRA DESPREPARO DE MÉDICOS FORMADOS NO EXTERIOR

 

 

A mais recente edição do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas (Revalida), do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Governo Federal, registrou a pior taxa de aproveitamento desde que passou a ser realizado também pelo INEP, em 2011.

Segundo dados divulgados pelo Portal G1, nesta quinta-feira (04/07), sobre o resultado das provas, somente cinco em cada 100 médicos interessados em atuar no Brasil conseguiram as notas exigidas pelo exame. Entre 7.379 participantes, apenas 389 (5,27% do total) passaram e conseguiram do Governo Federal a autorização para validar seus diplomas e exercerem a medicina no Brasil. Na primeira etapa do exame, segundo a reportagem, apenas 963 médicos formados no exterior foram considerados aptos, e 941 fizeram as provas de habilidades clínicas da segunda etapa.

“O baixo desempenho dos médicos inscritos, demonstra nitidamente falta de preparo. Historicamente, o Revalida consiste na realização de provas baseadas em conteúdo exigido pelos cursos de graduação no Brasil. A nota de corte é definida por critérios de dificuldade, promovendo uma avaliação justa. E tudo isso, para que a população tenha a segurança de ser tratada por um médico com competência técnica para atendê-la, não importando se o médico se formou no Brasil ou no exterior”, explica Diogo Leite Sampaio, Vice-presidente da Associação Médica Brasileira.

A má qualidade da formação médica em alguns países da América Latina e no Brasil preocupa profundamente a AMB. A entidade defende que antes de começarem a atuar todos os médicos sejam avaliados de forma padronizada, independentemente de onde o profissional tenha se formado. “Sabemos que médicos malformados sobrecarregam o sistema pela insegurança, exigindo mais exames, prolongando internações, apresentando dificuldades em fazer diagnósticos, retardando tratamentos e podendo, inclusive, gerar sequelas e danos irreparáveis aos pacientes”, explica o presidente da AMB, Lincoln Ferreira.

Escolas Médicas – Nos últimos 15 anos, houve a abertura de centenas de cursos e escolas de medicina no Brasil e em países vizinhos ao nosso, sem condições e nem estrutura para formar profissionais qualificados. Só no Brasil, foram mais de 200 novos cursos de medicina autorizados entre 2003 e 2018.

“Em muitos municípios foram abertas universidades onde não há um hospital, quanto mais um hospital-escola. Muitos cursos estão funcionando à base de liminares no Brasil de tão desestruturados que são, formando médicos sem as devidas qualificações, que, ao ingressarem na carreira, colocam a população e todo o sistema de saúde em risco. Temos informações de que na Bolívia, Paraguai, Argentina, a situação é bastante crítica também, onde há milhares de brasileiros estudando com o sonho de um dia voltar ao Brasil e poder trabalhar como médicos aqui”, explica Diogo Sampaio.

Moratória – Para estancar essa enxurrada de cursos no Brasil, foi assinada a portaria MEC n. 328, de 5 de abril de 2018. A Moratória suspendeu por cinco anos a publicação de editais para autorização de novas escolas e para pedidos de aumento de vagas, e definiu a criação de um Grupo de Trabalho, com a participação da AMB e do CFM, para realizar a reorientação da formação médica no Brasil, criando critérios de abertura de novas escolas e de escolha dos municípios, bem como para a avaliação dos atuais cursos.

“Tem gente querendo acabar com a Moratória. Ela precisa ser defendida a fim de evitar uma nova abertura indiscriminada de escolas médicas no Brasil. É preciso dar um basta no balcão de negócios financeiros e políticos que se transformou a formação médica no Brasil e lá fora. É preciso urgente avaliar as escolas médicas e continuar avaliando todos os médicos que quiserem trabalhar no Brasil, independentemente de onde tenham se formado. Para isso, é preciso defender cada vez mais um processo de revalidação de diplomas sério, que demonstre comprometimento com a qualidade do atendimento médico à população”, acredita o vice-presidente da AMB, Diogo Sampaio.

Sem Revalida Light – Diogo Sampaio diz também que a AMB e demais entidades médicas são contra as propostas apresentadas por alguns parlamentares que desejam tornar o exame mais flexível. “Isso seria um crime contra a Saúde e a Medicina. Não podemos aceitar que um Revalida Light permita que médicos sem o devido preparo técnico possam atender a população. Além disso, qualquer flexibilização no exame poderá oficializar muitas irregularidades, que já vem acontecendo em outras formas de “revalidação”, que permitem inclusive uma série de burlas e atalhos para os diplomados no exterior, onde muitos conseguem se habilitar para atuar em nosso país como médicos sem que sua real capacidade seja avaliada”, explica Diogo Sampaio.

Imagem da matéria do G1

Leia matéria do G1:
https://g1.globo.com/educacao/noticia/2019/07/04/revalida-2017-tem-a-pior-taxa-de-aproveitamento-da-historia.ghtml

 

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