SOBRE A DECLARAÇÃO ATRIBUÍDA AO MINISTRO DA SAÚDE RICARDO BARROS EM CAMBRIGDE (EUA)

Governo mais uma vez erra no tema exames complementares. Diagnóstico preciso é condição fundamental para tratar pacientes. Exames fazem parte de vários processos diagnósticos, terapêuticos e preventivos.

Resultados “normais” não demonstram que exames são pedidos desnecessariamente. Não há referências que possam embasar a declaração do ministro. Infelizmente, esse diagnóstico feito pelo ministério da saúde também está equivocado.

É sabido que alguns médicos exageram ao pedir exames. Isso sobrecarrega o sistema e gera gastos desnecessários. Contudo, analisar isso como causa de outros problemas está equivocado. É consequência de problema maior, gerado com anuência e sob patrocínio do próprio Governo Federal, que deixa que cheguem às unidades de saúde médicos mal formados pelas inúmeras escolas médicas abertas indiscriminadamente, sem avaliações mínimas quanto a qualidade de formação. Já faz tempo defendemos avaliar os egressos das escolas médicas, assim como punir faculdades de medicina com baixa performance dos seus alunos.

Culpar todos e generalizar, além de estar errado, desrespeita a classe médica. A Associação Médica Brasileira (AMB) responderá sempre que médico e medicina forem atingidos por declarações preconceituosas e desrespeitosas como essa. Enquanto análises sobre problemas e desafios do sistema de saúde brasileiro ficarem na superficialidade ou no desconhecimento de gestão qualificada, não caminharemos para solução dos enormes problemas existentes.

A AMB continua à disposição para ajudar com vistas a melhorias do nosso sistema de saúde.

Ricardo Barros, ministro da Saúde (Foto: Reprodução/NBR)

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