Tema do Dia Mundial da Saúde Mental problematiza abordagem atual da Esquizofrenia

Tema do Dia Mundial da Saúde Mental problematiza abordagem atual da Esquizofrenia

A esquizofrenia acomete cerca de 21 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Crenças ilusórias, pensamentos confusos, alucinações auditivas, baixo engajamento social e expressões emocionais reduzidas, sintomas característicos do transtorno, coexistem ainda com o estigma de preconceito e discriminação do paciente.

Segundo a psiquiatra Roos Korste, a maioria das pessoas que vivem com esquizofrenia nos países em desenvolvimento não recebe qualquer tratamento médico ou terapêutico. Os que fazem tratamento médico (a base de antipsicóticos), muitas vezes lutam contra os efeitos colaterais de longo prazo da medicação: a ideia de uma dependência crônica sobre os outros e de uma existência marginal, sem uma carreira e uma vida familiar estável.

O diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, Tomas Insel, é um dos que propõem uma abordagem integrada no tratamento da esquizofrenia: “Para alguns, o uso de medicação a longo prazo pode impedir um retorno pleno ao bem-estar. Para outros, a interrupção da medicação pode ser desastroso. Para todos os casos, precisamos perceber que a redução dos sintomas positivos (alucinações e delírios) pode ser necessário, mas raramente é suficiente para um retorno ao funcionamento normal. Nem antipsicóticos de primeira ou de segunda geração podem fazer muito para ajudar com os chamados sintomas negativos (falta de sentimento, falta de motivação) ou com os problemas de julgamento e atenção social que podem ser grandes obstáculos para levar uma vida produtiva e saudável. Educação familiar, emprego e terapia cognitivo-comportamental tem demonstrado eficácia na redução de ocorrência de recaída, aumentando a qualidade na vida diária, e melhorando a resolução de problemas e habilidades interpessoais”.

Nos esforços para aprimorar os serviços de saúde mental em países em desenvolvimento, um editorial recente do British Journal of Psychiatry defendeu a necessidade de se considerar a perspectiva e os recursos locais (incluindo cura indígena, redes de apoio social, as organizações baseadas nos direitos e de apoio à família) na relação da conceitualização biomédica da saúde mental. “Não é uma rejeição completa do modelo biomédico, mas uma busca por alternativas junto aos modelos e protocolos de atendimento atuais”, defende Korste.

Compartilhar em: