TUMULTO IMPEDE POSSE DE PRESIDENTE ELEITO DA AMB

A Assembleia de Delegados da Associação Médica Brasileira (AMB), marcada para as 9 horas da manhã dessa sexta-feira, 20 de outubro, no Expo Center Norte, foi encerrada sem que os delegados eleitos e empossados pelo atual presidente da AMB, Florentino Cardoso, pudessem sequer escolher quem deveria presidir a sessão. De forma truculenta e antidemocrática, em consequência disso, também foi impedida a posse do candidato eleito para a presidência da AMB, Lincoln Lopes Ferreira, e da sua diretoria.

Lamentavelmente, mais de 40 médicos do estado de São Paulo tumultuaram a reunião mesmo antes de seu início, quando chegaram ao credenciamento exigindo crachás de “delegados de São Paulo” e foram informados de que a eleição para delegados da AMB, realizada pela Associação Paulista de Medicina (APM), havia sido anulada devido a irregularidades que feriam frontalmente o estatuto e o regimento eleitoral da Associação Médica Brasileira.

A anulação desta eleição foi determinada pelo Conselho Deliberativo da AMB, em reunião ordinária ocorrida na tarde anterior. É o órgão da entidade com a prerrogativa de julgar as eleições da AMB e proclamar os eleitos, conforme determina o Estatuto da Entidade. Este conselho é formado por representantes de 27 Sociedades de Especialidade e pelos presidentes das federadas da AMB. Também fazem parte o representante do CFM, além do presidente e secretário geral da AMB.

Por mais de uma hora, capitaneados por Florisval Meinão, presidente da APM, e por Jurandir Ribas, candidato derrotado à presidência da AMB, obstruíram o credenciamento dos delegados eleitos pelos outros 23 estados que possuem representantes na assembleia de delegados. Também se apropriaram do livro de presença e só o devolveram depois de garantir que todo este grupo o tivesse assinado – de forma irregular, ressalve-se. Por meio de intimidações e ameaças às atendentes do credenciamento conseguiram os referidos crachás da forma que queriam.

Mesmo sem terem direito a voto, foi permitido que todos tivessem acesso à sala onde se realizaria a assembleia e pudessem assistir à reunião, na boa fé de que isso garantiria a maior transparência possível sobre as decisões da reunião. No entanto, o grupo tumultuou ainda mais. E logo após o atual presidente da AMB, Florentino Cardoso, dar posse aos delegados dos demais estados, a grita recomeçou. Os dirigentes da APM, aos quais democraticamente foi dado acesso aos microfones, começaram a protestar contra a decisão do Conselho Deliberativo e a insuflar o grupo.

Não aceitavam a determinação, baseada no estatuto da entidade, de que a escolha para presidir a sessão fosse realizada exclusivamente com os votos dos delegados recém-empossados e dos presidentes das federadas. Queriam que os votos de todos os presentes fossem aceitos, mesmo daqueles que não eram não delegados da entidade. E exigiam que o presidente da APM, Florisval Meinão, assumisse o comando da sessão.

Por mais de uma hora o microfone foi usado para protestos e ataques pessoais aos gestores da AMB. O secretário geral da AMB, Dr. Antônio Jorge Salomão só retomou a palavra quando não havia mais interessados em manifestar-se e reiniciou a chamada dos delegados eleitos, por federada, para escolha do presidente da sessão. Questionado se toda a plateia poderia votar, respondeu que seguiria a determinação do estatuto. O tumulto recomeçou. A gritaria recomeçou. Os insultos recomeçaram. Dr Salomão tentou por diversas vezes acalmar ânimos e iniciar a votação para presidência da assembleia, porém não obteve sucesso. Em dado momento, o presidente da federada paulista subiu ao tablado onde estava a mesa de condução da assembleia e, à revelia do Estatuto, da ética e da educação, se colocou na posição de presidente da sessão. Na sequência, desistiu e desceu.

Sem condições de dar continuidade à assembleia naquele cenário, intimidado pela agressividade do referido grupo, assim como de dirigentes da Associação Paulista de Medicina (APM), buscando evitar que os ânimos exaltados gerassem problemas ainda mais graves, o dr. Antônio Jorge Salomão, secretário geral da AMB, que também secretariava a assembleia, suspendeu a sessão.

Neste momento, os delegados eleitos dos outros estados e os presidentes da maioria das federadas, deixaram a sala da assembleia. Foi quando o presidente da APM voltou a ocupar a mesa, autoproclamando-se presidente da assembleia (que já havia sido encerrada). De forma fantasiosa e teatral, simulou a realização de uma assembleia de delegados – ilegítima, registre-se. O objetivo fica claro no site da própria APM, onde publicam que “Assembleia de Delegados da AMB aclama Jurandir Ribas como novo presidente”.

Vale lembrar que esses delegados sequer eleitos estavam, já que o Conselho Deliberativo anulou este pleito por conta de desobediência às regras estatutárias e regimentais da AMB. Por isso mesmo não foram empossados no início da sessão. Também não há qualquer previsão estatutária que ampare o comportamento do presidente da APM.

Depois disso, parte desse grupo resolveu ir à sede da AMB para que “Jurandir assumisse o controle”, conforme informou a segurança do local. Recebida essa informação, para preservar os funcionários da entidade, como medida preventiva, determinou-se o fim do expediente e o fechamento de todas as salas da entidade.

No início da tarde, dezenas de pessoas do mesmo grupo detalhado acima, juntamente com um diretor da APM e dois seguranças desta federada, ameaçaram invadir a sede da AMB. Alguns integrantes conseguiram entrar no estacionamento e se negaram a sair até a chegada do jurídico da AMB ao local.

Lamentamos que estes médicos se neguem a obedecer à decisão do Conselho Deliberativo. Uma ocorrência triste que ficará marcada na história da AMB, maculando sua trajetória continuamente vitoriosa e representativa da classe médica brasileira, já tão vilipendiada.

Todos estes acontecimentos foram registrados por vídeo, áudio e fotografia.

Todas as decisões judiciais têm sido acatadas pela AMB, como não poderia deixar de ser.

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