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Dia Nacional de Combate ao Fumo

Criado em 1986 pela Lei Federal nº 7.488, o Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado em 29 de agosto, tem como objetivo reforçar as ações nacionais de sensibilização e mobilização da população para os danos à saúde e os impactos sociais, políticos, econômicos e ambientais causados pelo tabagismo. Esta foi a primeira lei federal a regulamentar o tema no Brasil, inaugurando a normatização voltada para o controle do tabagismo como um problema de saúde pública.

Todos os anos, no Dia Nacional de Combate ao Fumo, o Instituto Nacional de Câncer (INCA), em conjunto com o Ministério da Saúde, define o tema e articula a comemoração nacional junto às Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde e Educação.

O tabagismo é a principal causa evitável de morte no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A cada ano, mata cerca de 8 milhões de indivíduos, sendo cerca de 7 milhões de fumantes ativos e 1,3 milhão de fumantes passivos. Além disso, é responsável por cerca de 50 doenças e por cerca de 70% das mortes por Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), tais como doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, doenças respiratórias, vários tipos de câncer e diabetes tipo 2, entre outras.

No Brasil, morrem 477 pessoas por dia em decorrência de doenças relacionadas ao tabaco (Instituto de Efetividade Clínica e Sanitária, 2024).

O tabaco fumado, em qualquer uma de suas formas, principalmente os cigarros, que são os produtos mais consumidos no país, causa a maior parte de todos os cânceres de pulmão e é um fator de risco significativo para a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), pneumonias, acidentes cerebrovasculares e ataques cardíacos.

Os produtos de tabaco que não produzem fumaça estão associados ao desenvolvimento de cânceres de cabeça e pescoço, esôfago e pâncreas, assim como a muitas patologias buco dentais (INCA, 2020).

Diante do aumento da experimentação e do uso dos Dispositivos Eletrônicos para Fumar (cigarros eletrônicos e produtos de tabaco aquecido) e de outros derivados do tabaco e da nicotina, como as bolsas de nicotina, no mundo e no Brasil, existe a falsa percepção de que esses produtos causam menos danos à saúde. Porém, estudos mostram que os DEFs são fatores de risco para doenças respiratórias, cardiovasculares e câncer. Cigarros eletrônicos podem causar uma doença específica nos pulmões, a EVALI, que pode levar à insuficiência respiratória aguda e à morte, inclusive em jovens.

Atividade física e saúde: “treinar não combina com fumar”

Este é o tema escolhido para o Dia Nacional de Combate ao Fumo de 2026, com a finalidade de destacar a incompatibilidade entre a atividade física e o uso de produtos de tabaco e nicotina, na tentativa de aproximar a prevenção do tabagismo do universo de adolescentes e jovens, por meio de uma linguagem positiva e focada na promoção da saúde.

Tabagismo e o comprometimento da atividade física

O uso de produtos de tabaco e nicotina interfere no desempenho físico por meio dos seguintes mecanismos:

  • diminuição do fluxo de sangue e de oxigênio para os músculos e órgãos;
  • inflamação das vias aéreas, redução da função pulmonar e da resistência;
  • sobrecarga energética, pois o esforço físico torna-se maior para realizar atividades que exigiriam menos energia de uma pessoa não fumante.

Conclusão

A atividade física deve ser vista como uma ferramenta integrante de um comportamento saudável. Exercitar-se melhora a saúde do coração e dos pulmões, fortalece o bem-estar emocional, reduz o risco de diversas doenças e ajuda a manter a abstinência de produtos derivados do tabaco e de outros tipos de nicotina. Assim, proporciona mais saúde, qualidade de vida, autonomia e bem-estar a longo prazo.

O tabagismo não combina com a atividade física. O fumante apresenta menor resistência física, fadiga precoce, recuperação mais lenta após os treinos e maior risco de lesões ou complicações cardiovasculares durante atividades intensas.

 

Dr. Ricardo Meirelles
Coordenador da Comissão de Combate ao Tabagismo