“Nos preocupamos com o atendimento que será feito à população por médicos com pouca qualificação”, pontuou o presidente da AMB durante audiência pública sobre ‘Resultados do Enamed 2025’
Na tarde desta terça-feira (17), o professor, ginecologista e presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Dr. César Eduardo Fernandes participou de audiência pública promovida pela Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados em Brasília, para debater sobre ‘Resultados do Enamed 2025’ e seus desdobramentos para a formação médica, a regulação dos cursos e o provimento de profissionais, considerando impactos sobre a qualidade da assistência no sistema de saúde brasileiro. O encontro foi proposto pela deputada Adriana Ventura.
Dr. César agradeceu a deputada pela iniciativa da realização do debate em torno da qualidade do ensino médico no Brasil e iniciou sua fala pontuando que a possibilidade de realizar dois exames distintos poderia causar conflitos do ponto de vista ético e de natureza jurídica. “Temos que ter a sabedoria de seguir em uma única direção”.
O gestor também falou sobre a importância de o ensino médico ter aulas práticas, em campos de estágio, e hoje, com o excesso de escolas médicas funcionando no país, não há espaço para atender aos mais de 50 mil formandos por ano, nem há docentes suficientes para atender essa demanda.
“Nos preocupamos com o atendimento que será feito à população por médicos com pouca qualificação. Dessa forma, precisamos avaliar as instituições de ensino. O ensino na graduação médica não se faz apenas com aulas teóricas”, completou o médico.
O ginecologista também mencionou o papel do Enamed, destacando que o exame é visto como um instrumento relevante para indicar a qualidade da formação, ao avaliar o desempenho dos egressos e, indiretamente, das escolas. Entretanto, Dr. César destacou que o exame não substitui uma avaliação completa das instituições e que seus resultados devem levar a medidas rigorosas de regulação.
“O Enamed é importante, mas é necessário aprimorar e complementar esse exame, muito provavelmente com a criação de um conselho em que entrariam as unidades formadoras. Nele estariam entidades como a AMB, o Conselho Federal de Medicina, e, claro, contaria com a participação do Ministério da Educação. Essas instituições deveriam compor um grupo que poderia ser o orientador do Enamed”, analisou o presidente da AMB.
Convidados da audiência
Também estiveram presentes durante a audiência pública o diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Associação Brasileira de Mantenedores de Ensino Superior (ABMES), Dr. Bruno Coimbra; Elizabeth Guedes, presidente da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen); Dra. Maria Dulce Garcez Leme Cardenuto, representante da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo; Dr. Paulo Pêgi Fernandes, vice-diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP); Dr. Juliano Griebeler, presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares (ANUP), e José Luiz Gomes Amaral, secretário-executivo da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo (SES-SP).
Confira a audiência pública na íntegra aqui .
Assessoria de Comunicação da AMB