Alto contraste

Dia 1 CBMGNotícias

Home / Dia 1 CBMG / Especialistas discutem desafios frequentes da otorrinolaringologia na prática do médico generalista durante o CBMG 2026

Especialistas discutem desafios frequentes da otorrinolaringologia na prática do médico generalista durante o CBMG 2026

Problemas relacionados aos ouvidos, nariz, garganta e vias aéreas superiores estão entre as queixas mais frequentes nos consultórios, unidades básicas de saúde, pronto-atendimentos e serviços de emergência em todo o país. Por isso, o reconhecimento precoce, o diagnóstico adequado e a definição da melhor conduta inicial são fundamentais para garantir segurança e efetividade no atendimento dos pacientes.

Com foco na atualização prática dos profissionais que atuam na linha de frente da assistência, o 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da Associação Médica Brasileira (CBMG 2026) promove a sessão “Dia a Dia da Otorrinolaringologia para o Generalista – Parte 1”, reunindo especialistas para abordar situações clínicas comuns e de grande relevância na rotina médica.

A atividade, coordenada pelos médicos André Alencar Araripe Nunes, que reforçou a importância dos médicos generalistas em terem conhecimentos sobre otorrinolaringologia, queixas frequentes de 60% a 70% dos casos em prontos-socorros e UBS e por José Eduardo Lutaif Dolci.

Ao iniciar o tema, o Dr. Luiz Fernando Lourençone abordou sobre a diferença em tratar otite externa, pois neste caso a limpeza de forma cuidadosa é importante para fazer o diagnóstico de forma segura. Segundo ele, a otite na criança é mais curta e horizontal e no adulto mais vertical. “Aspiração, cuidado e limpeza incialmente ajudam”, diz. “Você não precisa de um exame complementar, mas de uma boa autoscopia”, completa.

Ao abordar sobre o manejo das otites médias (OMA), uma das condições mais prevalentes, especialmente na população pediátrica, que são divididas em OMA Recorrente, Serosa, com Efusão e Média Crônica. “Cada uma delas tem um tratamento específica e todas elas são passíveis de tratamento”, diz.

Em seguida, o Dr. Vitor Guo Chen abordou a avaliação e o manejo da criança com estridor, um importante sinal clínico que pode indicar diferentes graus de comprometimento das vias aéreas e que exige atenção imediata dos profissionais de saúde. Segundo o especialista, a identificação correta dos sons respiratórios é fundamental para o diagnóstico precoce e para a definição da conduta adequada.

Durante a apresentação, o médico explicou que, de forma prática, existem três principais ruídos respiratórios observados com frequência na população pediátrica: os roncos, o estridor e o sibilo. Embora apresentem características distintas, o estridor e o sibilo podem ser confundidos, porém, como ele explica, o estridor é um som respiratório audível, semelhante a um chiado agudo, produzido pela passagem do ar através de uma via aérea superior estreitada. 

O palestrante destacou que as causas do estridor podem ser classificadas em congênitas e adquiridas e a rapidez na identificação da causa é essencial. Por fim, o especialista apresentou os principais métodos diagnósticos utilizados na investigação do estridor. 

Na sequência, para apresentar sobre o Novo Paradigma do Refluxo Faringolíngeo, Dr. André Alencar Araripe Nunes conta que recentemente houve uma reunião entre gastrologistas e otorrinolaringologistas para se definir a teoria do refluxo, pois há também a teoria do reflexo.

“Há o refluxo ácido, gasoso e alcalinos e boa parte dos refluxos são não-acidos”, diz. “A doença do refluxo precisa ser confirmada, não se admite mais exame empírico”. Ele explica que é necessária uma documentação, que a PHmetria de dois canais e a PHdesiometria é a que se define o refluxo alcalino e que é necessário ter a certeza que o paciente realmente tem refluxo. Porém, como esses exames nem sempre são acessíveis, ele reforça que hoje em dia é recomendável que o paciente passe por um exame de endoscopia a partir do momento que ele apresenta sintomas. 

Por fim, ele mostra que a maior parte dos refluxos são os alcalinos e gasosos e os pacientes precisam ser tratados adequadamente, serem neuromodulados. “Futuramente o tema será síndrome da laringe hiperestável”, finaliza.

Ao final da sessão, os participantes aprofundaram os temas discutidos durante um debate entre eles e a mesa de palestrantes. A atividade reforçou o compromisso do Congresso em oferecer conteúdo científico atualizado, baseado em evidências e diretamente aplicável ao cotidiano dos profissionais que atuam na atenção primária, nos serviços ambulatoriais e nas urgências médicas.