Alto contraste

Dia 1 CBMGNotícias

Home / Dia 1 CBMG / Avaliação clínica é a principal aliada contra a dor na coluna

Avaliação clínica é a principal aliada contra a dor na coluna

CBMG 11 06 2026 0214 scaled

A dor na coluna vertebral é uma das queixas mais frequentes na prática médica e nos serviços de pronto atendimento, representando um importante desafio diagnóstico e terapêutico. Na maioria dos casos, entre 90% e 95%, trata-se de dor de origem mecânica e inespecífica, com boa evolução clínica quando conduzida de forma adequada. Ainda assim, uma pequena parcela pode estar relacionada a condições graves que exigem investigação imediata.

O tema foi debatido hoje, durante o 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB (4º CBMG), realizado em São Paulo, reunindo especialistas para discutir os principais desafios relacionados ao diagnóstico, à identificação de sinais de alerta e às estratégias mais atuais para o manejo da dor na coluna vertebral.

Durante as discussões, os especialistas reforçaram a importância da avaliação clínica criteriosa, baseada principalmente na anamnese e no exame físico, como pilares fundamentais para a condução adequada desses pacientes. A interpretação dos exames de imagem também foi destacada como etapa essencial, já que muitos achados podem não ter relação direta com os sintomas apresentados.

O tema contou com a participação do Dr. Miguel Akkari, presidente eleito da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) 2026, que destacou a relevância da correta identificação dos padrões de dor na coluna e seu impacto na tomada de decisão clínica.

A dra. Fernanda Silber Caffaro, diretora do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Santa Casa de São Paulo – Pavilhão Fernandinho Simonsen e membro Titular da Sociedade Brasileira de Coluna e da SBOT, falou sobre a necessidade de integrar achados clínicos e exames complementares, evitando interpretações isoladas. Também comentou a importância da análise biomecânica e de ferramentas modernas de avaliação funcional, incluindo dispositivos vestíveis, especialmente em atletas e indivíduos com alta demanda física.

Já o Dr. Renato Hiroshi Salvioni Ueta, chefe do Grupo da Coluna do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Escola Paulista de Medicina da UNIFESP (2016–2022), abordou os principais sinais de alerta associados à dor na coluna. Ele reforçou que a identificação de “red flags” é fundamental para diferenciar quadros benignos de condições potencialmente graves, como tumores, infecções, fraturas e síndromes neurológicas, especialmente em idosos.

O especialista lembrou ainda que a dor na coluna tem alta prevalência, podendo atingir até 80% da população mundial ao longo da vida, o que reforça seu impacto em saúde pública.

No manejo clínico, o Dr. Robert Meves, chefe do Grupo de Coluna da Santa Casa de São Paulo, destacou que a maioria dos pacientes evolui bem com tratamento conservador, baseado em orientação, reabilitação e fortalecimento muscular. Destacou que a anamnese e o exame físico continuam sendo ferramentas essenciais para a tomada de decisão, mesmo diante dos avanços em exames complementares.

Ainda foi reforçado que a lombalgia permanece entre as principais causas de absenteísmo laboral, enquanto a dor cervical se destaca como uma das queixas mais comuns na prática médica. Os especialistas também foi enfatizaram a importância de estratégias de prevenção na atenção primária, com foco em educação em saúde, ergonomia e atividade física, além da atenção às quedas em idosos como fator relevante de morbimortalidade.