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Drauzio Varella pede aos médicos engajamento na luta contra o sedentarismo

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O combate ao sedentarismo é um desafio para a saúde e qualidade de vida nos dias atuais. Nesta quinta-feira (11), na palestra que finalizou os trabalhos do primeiro dia do 4º Congresso de Medicina Geral da Associação Médica Brasileira (AMB), realizado no Anhembi, em São Paulo, o médico Drauzio Varella defendeu maior compromisso dos médicos com a promoção do exercício físico perante seus pacientes.

“Não dá para passar o dia sentado, comendo tudo que oferecem. Vivemos uma epidemia de obesidade. No século 21, o sedentarismo vai matar 800 milhões de pessoas no mundo, como o tabagismo. Mas nós temos de nos movimentar, como era a vida antigamente”, disse Varella para um auditório lotado.

“Corpo humano é movimento, mas a gente passa a vida sentado. E não podemos levar a vida desse jeito. A pessoa fala que não tem tempo para a atividade física, faz um rosário de lamentações. Mas se você não consegue 30 minutos por dia para fazer exercício, você está vivendo de maneira errada. Sem o corpo com saúde, você não tem nada, e fica dando trabalho para os outros que terão de cuidar. Nós somos responsáveis pelo nosso corpo”, disse de modo enfático.

Para Varella, saúde é a coisa mais importante que existe. Cabe ao médico educar no sentido da atividade física e dieta saudável. “Tem que explicar que não se deve comer alimentos ultraprocessados, que a vitamina não serve para nada. Se a pessoa tem diabetes ou glicemia alta não pode comer doces. É preciso ter essa clareza, não se pode dizer que se pode comer doces com moderação. O doce é compulsivo e o médico não pode ser conivente com isso”, destacou.

Na exposição que durou mais de uma hora, o médico também falou sobre a maior presença da mulher entre os profissionais médicos atualmente, o que é um sinal alentador. “O predomínio da mulher é enorme na medicina hoje. Essa prevalência vai melhorar o trabalho da medicina”, defendeu. Varella citou um estudo que mostra que, na área cirúrgica, graças à presença de mulheres nessa especialidade, os dias de internação foram mais baixos, o que impacta também o custo de tratamentos, além da recuperação mais rápida do paciente.

O médico também avaliou que o Sistema Único de Saúde (SUS) representa uma revolução no país e um exemplo para o mundo, desde que esse sistema foi criado pela Constituição, em 1988. “O SUS é um caso único. Nenhum país fez isso para uma população de 100 milhões de habitantes, e olha que nós temos mais de 200 milhões no Brasil”, disse. Ele lamentou que os brasileiros não tenham o orgulho que o SUS merece, citando que enquanto isso, na Inglaterra, a população e o governo promovem a imagem de seu sistema de saúde.

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Ao lado de Varella, o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), César Eduardo Fernandes, frisou que Varella é um exemplo de credibilidade, honestidade e transparência, desde que começou a ter expressão nos meios de comunicação. “Eu tive aula com ele na USP [Universidade de São Paulo] e tenho muito orgulho disso”, afirmou, e agradeceu a motivação e o entusiasmo de Varella, que é um exemplo para a classe médica, do alto de seus 83 anos de vida.