Alto contraste

Dia 2 cbmgNotícias

Home / Dia 2 cbmg / “Interoperabilidade e inteligência artificial devem transformar a prática médica”, apontam especialistas durante o CBMG

“Interoperabilidade e inteligência artificial devem transformar a prática médica”, apontam especialistas durante o CBMG

Na tarde do segundo dia do 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB, a palestra “Interoperabilidade – proposta de valor para o setor de saúde” discutiu como a integração segura de dados e o uso da inteligência artificial podem apoiar a prática clínica, melhorar a tomada de decisão e fortalecer a jornada do paciente no sistema de saúde. A atividade foi coordenada pelo Dr. Antonio Carlos Endrigo, presidente da Comissão de Saúde Digital da AMB.

Ao abrir a sessão, Endrigo destacou que o tema integra uma agenda mais ampla da entidade voltada à saúde digital. “Nesta sala, estamos tratando de temas centrais para a saúde digital. A interoperabilidade entra nessa agenda como uma proposta de valor para todo o setor, porque discute como os dados podem circular melhor e apoiar a assistência médica”, afirmou.

A apresentação inicial foi conduzida pela Dra. Cristina Ellert Salomão, médica reumatologista, com atuação no acompanhamento de pacientes crônicos e experiência no uso de prontuário eletrônico desde 2005. A especialista abordou o impacto da inteligência artificial na rotina do consultório e destacou que a chegada da interoperabilidade exigirá dos médicos capacidade de interpretar dados vindos de diferentes fontes, como laboratórios, hospitais e outros profissionais de saúde.

“Se hoje já é difícil localizar e organizar toda a história do paciente dentro de um prontuário, imaginem quando a interoperabilidade trouxer informações de laboratórios, hospitais e outros profissionais. O desafio será transformar esse volume de dados em conhecimento útil para a prática clínica”, afirmou.

Durante a apresentação, Cristina mostrou exemplos práticos de uso de inteligência artificial para organizar históricos extensos, gerar sumários clínicos, transcrever relatos de pacientes e apoiar hipóteses diagnósticas. Para ela, a tecnologia não elimina a responsabilidade médica, mas amplia a necessidade de análise crítica. 

O painel também contou com a participação de Marco Antonio Bego, diretor executivo do Instituto de Radiologia HCFMUSP, que apresentou um projeto piloto de interoperabilidade voltado à troca segura de informações entre diferentes pontos do sistema de saúde. Ele explicou que interoperabilidade não é apenas integrar sistemas, mas permitir que dados relevantes sejam acessados, com consentimento, no momento em que são necessários para o cuidado.

“Interoperabilidade não é simplesmente fazer um sistema conversar com outro. É permitir que a informação certa esteja disponível no momento certo, para quem precisa dela, independentemente de onde o dado foi gerado”, explicou. Segundo ele, o objetivo é manter os dados na origem e compartilhá-los apenas quando houver necessidade assistencial, reduzindo riscos, custos e duplicidade de informações.

Na etapa final, Paulo Salomão, doutor em Informática Médica e CEO de uma health tech, reforçou que interoperabilidade e inteligência artificial caminham juntas. Para ele, dados em grande volume, sem inteligência aplicada, têm pouco valor para a assistência. “Dados são tão importantes quanto uma prescrição ou uma conduta médica. Sem dados corretos, o médico não consegue fazer um bom diagnóstico, indicar o melhor tratamento ou tomar uma decisão clínica segura”, afirmou.

A mesa reforçou que a transformação digital na saúde depende de governança, segurança, consentimento, padronização de dados e uso responsável das novas tecnologias. O debate mostrou que a interoperabilidade pode deixar de ser apenas uma promessa tecnológica para se tornar um caminho concreto de melhoria da assistência médica.