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4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB promove atualização sobre HIV e hepatites virais

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O 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB promoveu uma atualização sobre os principais desafios e avanços no manejo do HIV e das hepatites virais. Durante a mesa “Virologia na Prática do Clínico Geral: Desafios Atuais e Atualização Clínica”, especialistas destacaram o papel estratégico do clínico geral no diagnóstico precoce, acompanhamento e encaminhamento desses pacientes.

Ao abordar o cuidado da pessoa vivendo com HIV sob a perspectiva do clínico geral, o Dr. Ricardo Sobhie Diaz ressaltou a importância da viremia na história natural da infecção e destacou que o envelhecimento ocorre de forma acelerada entre pessoas infectadas pelo vírus. Segundo ele, o tratamento antirretroviral é capaz de reduzir esse processo, embora não o elimine completamente.

“Quando você trata uma pessoa, espera que os níveis de CD4 retornem ao normal ou se elevem. Mas, se esse nível estiver muito baixo, nem sempre é possível atingir a normalidade. Isso gera, inclusive, imunossenescência, que é o processo natural de deterioração e reestruturação do sistema imunológico decorrente do envelhecimento”, explicou.

Apesar dos desafios, o especialista destacou uma perspectiva positiva. “Se você consegue tratar, a carga viral fica indetectável e os níveis de CD4 aumentam. Com isso, a expectativa de vida pode ser até maior do que a de pessoas sem HIV”, afirmou.

Na sequência, o Dr. Dimas Carnaúba Jr. discutiu as hepatites virais, com foco nos avanços recentes em diagnóstico e tratamento, além das novas estratégias terapêuticas disponíveis.

“Para o diagnóstico das hepatites virais, é fundamental descobrir os casos o mais cedo possível. Tão importante quanto curar é identificar quem tem hepatite B ou C, pois milhões de pessoas convivem com essas infecções, sabendo ou não do diagnóstico”, disse. “E o clínico geral é a principal porta de entrada desses pacientes”.

O especialista ressaltou que os tratamentos evoluíram significativamente. “Hoje não precisamos mais de biópsia, interferon, tratamentos prolongados ou muitos efeitos adversos. Para se ter uma ideia, a cura da hepatite C está em torno de 95%. Porém, precisamos detectar os casos. Além disso, os testes atuais são não invasivos, funcionando como um ‘novo estetoscópio’ do fígado”.

Para finalizar, ele reforçou a importância da prevenção e do diagnóstico precoce para evitar a progressão para doenças hepáticas avançadas. “Nosso trabalho é impedir que o paciente desenvolva uma doença crônica avançada, situação em que a expectativa de vida pode cair de 12 para dois anos. Alguns países já colocaram o clínico geral no centro das estratégias de eliminação das hepatites”, concluiu.

Na terceira apresentação, Dra. Nancy Cristina Belei abordou as infecções respiratórias virais, destacando a abordagem clínica das síndromes gripais, os critérios de gravidade, as estratégias de prevenção e a importância da vacinação.

Durante a exposição, ela apresentou dados sobre a sazonalidade das infecções respiratórias entre 2021 e 2026, incluindo casos de SARS-CoV-2, influenza, VSR (Vírus Sincicial Respiratório) e resultados negativos para esses agentes.

“Essas doenças apresentam uma capacidade de replicação extremamente rápida. Para um tratamento realmente efetivo, seria necessário atender os primeiros pacientes em menos de 24 horas, o que, na prática, é muito difícil de acontecer”, destacou.

Segundo a especialista, no caso da influenza, a transmissão pode ser reduzida quando o tratamento é iniciado precocemente. “O contato com uma pessoa infectada por influenza ainda permite reduzir a transmissão da doença se houver intervenção terapêutica em até 48 horas”, explicou.

O encerramento do painel reforça a importância da virologia como componente essencial da formação e atuação do clínico geral, destacando que o domínio desse conhecimento é fundamental para o diagnóstico precoce, o manejo adequado e a prevenção eficaz das principais infecções virais na prática médica contemporânea.