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Simpósio destaca cuidado integral à saúde da mulher em todas as fases da vida

No 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB houve o simpósio “Saúde da Mulher ao Longo da Vida”, que reuniu especialistas para discutir temas fundamentais relacionados à atenção integral à saúde feminina, com foco em prevenção, qualidade de vida e abordagens atualizadas em ginecologia.

A sessão contou com coordenação da Dra. Maria Celeste Osório Wender e debates com Dr.  Cesar Eduardo Fernandes, presidente da AMB e Dr. Etelvino de Souza Trindade, profissionais reconhecidos na área da ginecologia e obstetrícia. 

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Ao iniciar a palestra sobre “Prevenção e rastreamento do câncer ginecológico”, Dr. Jesus Paula Carvalho começou dizendo que o sistema de saúde funciona bem se a porta de entrada funcionar bem. Para tal, ele destacou a importância do diagnóstico precoce e as estratégias de rastreamento para cânceres como o de colo do útero e endométrio.

“O Câncer de Colo do Útero não deveria nem existir, pois se uma menina fizer a prevenção primária, o controle etiológico com vacina, ele não acontece. Queremos eliminar este câncer e temos como”, disse. “Essa doença foi escolhida pela OMS para deixar de existir no século 21 e há uma campanha que isso aconteça até 2030”. 

“O Brasil é o terceiro país em que o câncer de endométrio aumenta no mundo”, disse “E o fator de risco é o hiperestrogenismo decorrente da obesidade”, explicou. “Precisamos aprender a fazer biópsia e isso se gasta um real para fazer, com o próprio espéculo”. Ao falar sobre câncer de ovário, ele explicou que o início se dá nas tubas uterinas. “Além do foco nas tubas uterinas, é preciso saber a história familiar”, disse. 

Em seguida, a presidente da FEBRASGO, Dra. Maria Celeste Osório Wender abordou o tema “Climatério e menopausa: abordagem atual”, trazendo atualizações sobre o manejo clínico dessa fase da vida da mulher, com foco em sintomas, terapias disponíveis e impacto na qualidade de vida. “Com o aumento da expectativa de vida de 54 anos em 1950 para 80 anos atualmente, percebemos que aproximadamente 1/3 da vida da mulher é no pós menopausa”, disse. “As mulheres também mudaram nas atividades gerais neste período e isso ocasionou a queda da fecundidade, pois deixaram para engravidar depois ou optaram por não engravidar”, completou.

Hoje há uma janela de oportunidade para a Terapia de Reposição Hormonal, que pode ser feita por mulheres abaixo de 60 anos e até 10 anos do início dos sintomas. “Hoje a FDA reduziu muito as advertências possíveis. Antigamente trabalhávamos com a menor dosagem no menor tempo possível. Atualmente se preconiza a menor dose eficaz, explicou”. 

A especialista ainda salientou que neste período é importante o diálogo com a mulher para que ela repense sua vida em todos os aspectos, tais como profissionais, atividades físicas, hábitos, saber tudo que pode ser controlado, melhorado para daí ela fazer início da sua terapia.

Na sequência, Dr. Rogério Bonassi Machado apresentou a palestra “Contracepção e planejamento reprodutivo”, discutindo métodos contraceptivos modernos e a importância do planejamento reprodutivo individualizado ao longo das diferentes fases da vida feminina.

Segundo ele, há vários estudos que mostram que anticoncepcionais hormonais também previnem cânceres. Num gráfico entre mortalidade materna versus utilização de contraceptivos, ele explica que quanto mais se utiliza, maior é a chance de se prevenir morte materna.  

Porém, ele explicou as diferenças entre os métodos contraceptivos, pois os de longa duração, como um DIU que fica por três anos, acaba sendo muito mais eficaz que um anel vaginal, que você coloca e tira a cada relação, por exemplo. 

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O simpósio “Saúde da Mulher ao Longo da Vida” reforçou a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da adoção de estratégias personalizadas de cuidado ao longo das diferentes etapas da vida feminina. Ao reunir especialistas de referência para discutir temas como câncer ginecológico, climatério, menopausa, contracepção e planejamento reprodutivo, a atividade evidenciou o compromisso da comunidade médica com a atualização científica e a promoção da saúde da mulher. A programação integrou o 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB, consolidando o evento como um espaço de debate qualificado e troca de experiências em prol de uma assistência cada vez mais abrangente e baseada em evidências.