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‘Segurança Ética na Saúde Digital’ é tema de debate em painel no segundo dia do CBMG 20265

CBMG 12 06 2026 9778

Um erro de procedimento médico com o auxílio de inteligência artificial é responsabilidade do profissional ou da IA? Este foi um dos questionamentos levantados durante o debate sobre ‘Segurança Ética na Saúde Digital’, coordenado pela Dra. Paula Calderon, membro da Comissão de Saúde Digital da AMB. 

O painel foi realizado na tarde desta sexta-feira (12), durante o segundo dia do 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da Associação Médica Brasileira – CBMG 2026.

Em sua apresentação, Jeancarlo Fernandes Cavalcante, head do Departamento de IA do Conselho Federal de Medicina (CFM) deu destaque à Resolução CFM nº 2.454/2026, que normatiza o uso da Inteligência Artificial (IA) na medicina no Brasil. A norma garante ao médico o direito de utilizar ferramentas de IA como apoio à decisão clínica, à gestão em saúde, à pesquisa científica e à educação médica continuada, desde que os limites éticos e legais da profissão sejam respeitados.

Segundo o especialista, a resolução também estabelece que a palavra final sobre as decisões diagnósticas, terapêuticas e prognósticas sempre será do médico. “A IA não substitui a relação médico-paciente. A inteligência artificial amplia a capacidade médica, mas não substitui a inteligência clínica humana. O profissional deve ser o responsável final pelas decisões clínicas”, explicou Jeancarlo. 

O especialista finalizou sua fala dizendo que a tecnologia deve servir à medicina, e não o contrário. Isso protege o paciente, preserva a autonomia do médico, estimula a inovação responsável e fortalece a confiança.

Em complemento à apresentação de Jeancarlo Fernandes, Juliana Hasse, presidente da Comissão Estadual de Direito Médico e da Saúde da OAB-SP ressaltou os deveres dos médicos a partir da nova resolução ao usar a inteligência artificial. Registrar em prontuário, ou seja, documentar o uso da IA como suporte à conduta, foi um dos pontos destacados pela advogada. Ela também falou sobre a decisão clínica, que deve ser sempre humana. “A IA não tem essa capacidade de substituir o profissional, mas ela auxilia esse profissional. Mas deve ser usada conforme a técnica e a ética”, disse.

Conclusão do painel

Após alguns questionamentos dos congressistas presentes no painel, os debatedores concluíram que cada situação relacionada ao médico utilizar a IA como ferramenta de apoio em seu trabalho com seus pacientes é muito particular. 

“Não há resposta sim ou não quando há um erro de procedimento por parte do médico ao consultar ou não a IA. Todo o processo precisa ser analisado minuciosamente”, afirmou Wagmar Barbosa de Souza, 2º secretário do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp).