Tabagismo é a maior ameaça à saúde pública e precisa ser mais combatido

Apesar de seus efeitos nocivos bem conhecidos, o tabagismo continua transmissível atualmente por meio da propaganda e da publicidade. O vício afeta 1,3 bilhão de pessoas no mundo e está relacionado a 55 doenças.
“Nada é mais letal do que o tabagismo que chega a matar metade de seus usuários”, afirmou nesta sexta-feira (12), o médico Ricardo Henrique Sampaio Meirelles, coordenador da Comissão de Combate ao Tabagismo da Associação Médica Brasileira (AMB), no segundo dia de trabalhos do 4º Congresso de Medicina Geral da Associação Médica Brasileira (AMB), realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo.
“O cigarro tem 7 mil substâncias tóxicas e não existe nenhum órgão no corpo que não seja afetado pelo tabagismo. Mas é uma doença que tem tratamento”, afirmou Meirelles.
O especialista também alerta que o problema vai além do fumante ativo, apontando o tabagismo passivo como a terceira maior causa de morte evitável no planeta. Ele reforça que nenhum sistema de ventilação é capaz de limpar o ar em ambientes fechados, defendendo a proibição total do fumo nesses locais para proteger a população.
Atualmente, o médico direciona grande parte de suas advertências para a nova epidemia dos cigarros eletrônicos, combatendo a falsa ideia de que os dispositivos são inofensivos. Ele destaca o crescimento da EVALI, uma lesão pulmonar grave e aguda causada pelas substâncias químicas desses aparelhos, o que representa um desafio urgente para a saúde coletiva.
Diante desse cenário, o especialista sustenta que o combate ao tabagismo exige políticas públicas severas, o cumprimento de tratados internacionais e a proibição de propagandas. Além disso, ele defende que o Sistema Único de Saúde (SUS) forneça amplo acesso ao tratamento adequado, o qual deve obrigatoriamente combinar o apoio psicológico comportamental ao uso de medicamentos específicos para a dependência.
Ao participar da palestra, o médico pneumologista Luiz Fernando Ferreira Pereira, coordenador do Ambulatório de Cessação do Tabagismo da UFMG e membro da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, faz alertas severos sobre os cigarros eletrônicos.
O especialista aponta que esses dispositivos funcionam como uma armadilha para atrair novos usuários ao vício, desmistificando a ideia de que o vapor liberado seja inofensivo à saúde. Segundo ele, os aparelhos liberam concentrações de nicotina mais altas do que os cigarros tradicionais, o que acelera e intensifica o processo de dependência química no organismo. Além disso, o médico destaca que o uso do vape triplica o risco de o indivíduo começar a consumir cigarros convencionais no futuro.
“Os danos causados pelos dispositivos eletrônicos vão além da dependência química”, diz. Pereira afirma que as substâncias e o material particulado fino presentes no vapor provocam lesões que podem evoluir para insuficiência respiratória grave e morte. Ele esclarece que esses compostos químicos tóxicos persistem no ar ambiente, transformando as pessoas ao redor em fumantes passivos prejudicados. O pneumologista critica duramente o apelo tecnológico e o design moderno desses produtos, criados estrategicamente para atrair o público jovem.