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4º Congresso AMB destaca diagnóstico precoce e manejo de condições urológicas de grande impacto na saúde da população

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O 4º Congresso da Associação Médica Brasileira (AMB) promoveu uma importante sessão dedicada à atualização em temas de alta relevância para a prática clínica urológica. Coordenada pelo Dr. Roni de Carvalho Fernandes e pelo Diretor de Assuntos Parlamentares da AMB, Dr. Luciano Gonçalves de Souza Carvalho, a atividade reuniu referências nacionais para discutir diagnóstico precoce, fatores de risco e estratégias de manejo de condições que afetam milhões de brasileiros.

Ao abrir o debate, o Dr. Roni apresentou um vídeo sobre os 100 anos da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), destacando que a entidade é mais antiga que o próprio Conselho Federal de Medicina (CFM) e que a AMB, atualmente com 75 anos de história.

A palestra “Torção testicular: reconhecimento clínico precoce e impacto no salvamento testicular”, ministrada pelo Dr. Lucas Antonio Pereira do Nascimento, abordou a importância da identificação rápida dessa emergência urológica, condição em que o tempo de intervenção é determinante para a preservação da função testicular e para a redução de complicações futuras.

“É o generalista quem inicia uma cadeia de reconhecimento precoce e de tratamento adequado da torção testicular”, afirmou.

Segundo o especialista, a doença apresenta maior incidência em crianças e adolescentes. “Ela existe em adultos, mas é menos frequente”, explicou. “Quanto mais precoce fazemos esse diagnóstico, maior é a taxa de salvamento testicular”, acrescentou.

Entre os sinais e sintomas que auxiliam na identificação d4º Congresso AMB destaca diagnóstico precoce e manejo de condições urológicas de grande impacto na saúde da população

a condição, ele destacou dor súbita ao despertar, sem histórico de dor ao deitar, aumento do volume testicular, endurecimento do testículo, ausência do reflexo cremastérico, náuseas, vômitos e elevação da posição testicular. O palestrante ressaltou ainda que exames complementares não devem atrasar a abordagem cirúrgica. “Tempo é testículo”, concluiu.

Na sequência, a Dra. Cristiane Gaspar apresentou a conferência “Noctúria no adulto: quando levantar à noite para urinar se torna um marcador clínico de risco e desfechos adversos”.

“Primeiramente, há uma diferença entre noctúria e poliúria noturna. Esta última apresenta maior incidência, acometendo entre 76% e 86% dos pacientes”, explicou.

Segundo a especialista, a noctúria merece atenção não apenas pela fadiga decorrente das interrupções do sono, mas também por estar associada ao aumento do risco de quedas, piora da qualidade de vida e até maior mortalidade. A apresentação destacou como um sintoma aparentemente simples pode estar relacionado a doenças sistêmicas e a outros desfechos clínicos relevantes, reforçando a necessidade de uma avaliação abrangente dos pacientes.

Nesse contexto, a Dra. Cristiane recomendou que a abordagem prática do paciente com noctúria inclua exame pélvico em mulheres e homens, avaliação das funções renal e cardiovascular, dosagem de PSA, análise do sódio sérico, avaliação do resíduo pós-miccional e investigação endócrina.

Em seguida, o Dr. Hudson de Lima conduziu a palestra “Hiperplasia prostática benigna: identificando uma doença prevalente, progressiva e frequentemente subdiagnosticada”. Durante sua apresentação, destacou a importância do diagnóstico adequado e o aumento da incidência da doença com o envelhecimento da população.

“Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos, a hiperplasia prostática benigna (HPB) é a quarta principal causa de procura por tratamento”, afirmou.

Segundo ele, a maioria dos pacientes apresenta sintomas mistos, o que torna fundamental a utilização de questionários padronizados para auxiliar na identificação correta do quadro clínico.

“Há questionários validados e disponíveis para uso na prática clínica, que representam ferramentas importantes para apoiar o diagnóstico”, explicou.

O especialista destacou ainda que idade acima de 62 anos, score de sintomas superior a 12 pontos e volume prostático superior a 30 cm³ são alguns dos indicadores que merecem atenção, além dos achados de exames de imagem, como a ultrassonografia.

Ele observou que a HPB permanece frequentemente subdiagnosticada porque muitos pacientes não procuram atendimento, seja por considerarem os sintomas uma consequência natural do envelhecimento, por constrangimento, por dificuldades de acesso aos serviços de saúde ou por receio dos custos envolvidos.

“A HPB é uma doença comum, de alta prevalência, mas culturalmente silenciada e clinicamente heterogênea. O paciente demora a valorizar os sintomas, enquanto os sistemas de saúde, em todo o mundo, acabam priorizando o câncer. A melhor estratégia é incorporarmos formas mais simples de triagem”, concluiu.

A sessão foi encerrada com um debate entre palestrantes e participantes, promovendo a troca de experiências e a discussão de casos clínicos e evidências científicas capazes de contribuir para uma assistência mais qualificada e centrada no paciente.

Com isso, o 4º Congresso AMB reafirma seu compromisso com a educação médica continuada e com a disseminação de conhecimento científico atualizado, promovendo discussões que impactam diretamente a prática clínica e a qualidade do cuidado em saúde