Acupuntura é discutida como recurso terapêutico em neuromodulação, saúde da mulher e dor

Na manhã do terceiro e último dia do 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB, a palestra “Acupuntura” discutiu diferentes aplicações da especialidade médica, da neuromodulação ao cuidado em ginecologia, obstetrícia e dor. A atividade foi coordenada pelo Dr. Luiz Carlos Souza Sampaio, presidente do Colégio Médico de Acupuntura (CMBA), e contou com apresentações dos médicos Ricardo Bassetto, diretor do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP), Luciano Ricardo Curuci de Souza, vice-presidente do CMAeSP e Luciana Aikawa, membro da diretoria do CMAeSP.
Na primeira exposição, Ricardo Bassetto abordou a relação entre acupuntura e neuromodulação, explicando que os efeitos terapêuticos dependem do local, da profundidade e da forma como o estímulo é aplicado. Segundo ele, a acupuntura atua sobre receptores e trajetos neurais específicos, podendo modular respostas do sistema nervoso central, periférico e autonômico. “A acupuntura não depende apenas da inserção da agulha, mas de onde, como e em que profundidade o estímulo é aplicado. Cada tecido responde de uma forma, e esse conhecimento é essencial para que a técnica tenha efeito neuromodulatório e terapêutico”, afirmou.
Na sequência, Luciano Ricardo Curuci de Souza, apresentou o tema “Acupuntura em ginecologia e obstetrícia”. Ele ressaltou que a acupuntura deve ser integrada ao cuidado médico, mas sem substituir o tratamento convencional. “A acupuntura não deve ser vista apenas como um recurso para dor. Ela pode participar do cuidado em diferentes fases da vida da mulher, ajudando no controle de sintomas, na melhora da qualidade de vida e no equilíbrio físico e emocional, sempre integrada ao tratamento médico convencional”, destacou.

O especialista citou aplicações em cólicas menstruais, dor pélvica crônica, endometriose, síndrome ovariana metabólica poliendócrina, infertilidade, sintomas climatéricos e suporte a pacientes oncológicas. Também abordou o uso em gestantes, especialmente para náuseas, vômitos, lombalgia, ansiedade e constipação, reforçando que o procedimento deve ser realizado por profissionais habilitados.
A terceira apresentação foi conduzida por Luciana Aikawa. Ao falar sobre acupuntura e dor, ela destacou que a dor é uma das queixas mais frequentes nos consultórios e que a técnica pode ser aplicada tanto em quadros agudos quanto crônicos. “A dor não é apenas física. Ela também envolve aspectos emocionais, cognitivos e sociais, e tudo isso interfere na forma como o paciente sente e lida com o sofrimento. A acupuntura atua nesses diferentes níveis, ajudando no controle da dor e dando mais recursos para o paciente enfrentar o quadro”, afirmou.
A médica explicou que os mecanismos de ação envolvem respostas locais, medulares e suprassegmentares, com participação de vias do sistema nervoso central, periférico e autonômico, além de neurotransmissores relacionados à analgesia e ao equilíbrio emocional.
Ao final, o coordenador Luiz Carlos Souza Sampaio reforçou que o efeito analgésico da acupuntura é relevante, mas não deve ser visto como o único objetivo do tratamento, sobretudo em pacientes com dor crônica. “O efeito analgésico da acupuntura é comprovado, mas ele é apenas uma parte do tratamento. Principalmente na dor crônica, o objetivo não pode ser só aliviar naquele momento; é preciso tratar a base do problema e integrar diferentes abordagens médicas para melhorar o cuidado”, destacou.
A mesa mostrou que a acupuntura pode contribuir para o cuidado médico em diferentes cenários, desde o controle de sintomas até o suporte em tratamentos complexos, sempre de forma individualizada, integrada e alinhada às evidências científicas.