Congresso da AMB faz balanço de ações para consolidar comissão que vai atuar em defesa da equidade em práticas médicas

O espaço do 4º Congresso de Medicina Geral da Associação Médica Brasileira (AMB), realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo, abrigou neste sábado (13) uma reunião que representou mais um passo para a consolidação institucional da Comissão Nacional de Equidade, Diversidade e Inclusão (CONEDI), no seio da Associação Médica Brasileira (AMB). O encontro fez um balanço das iniciativas em curso e destacou a importância de envolver a classe médica em ações de equidade, o que vai melhorar os desfechos de saúde para as minorias na sociedade brasileira.
O presidente da AMB, Cesar Eduardo Fernandes, afirmou que esse tema é da maior importância para o exercício profissional. “Os médicos muitas vezes não valorizam algo de tamanha relevância. Mas nós temos constituído a comissão nacional. O projeto nasceu depois de um evento nas Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, quando vimos pessoas falando com dados e muita propriedade sobre esse tema. E entendemos que a AMB não pode ficar à margem e decidimos levar isso para a AMB. A comissão foi recém-criada e este é o nosso quarto evento”, disse.
Maria Rita de Souza Mesquita, primeira secretária da AMB e Presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de SP (SOGESP), afirmou que essa comissão “tem importância grande, foi idealizada em julho de 2025 e em outubro criamos a comissão com representação de todos os estados do país. Temos de dividir esse grupo em subgrupos, como mulheres, negros, LGBTQIAPN+, e pretendemos dividir de acordo com o interesse de cada grupo. Vamos encaminhar um projeto de ação para montar uma cartilha que será publicada ainda nesta gestão da AMB. Os subgrupos vão trabalhar para desenvolver a cartilha da CONEDI”.
Juliana Kozan, advogada especialista em Direito Médico e da Saúde, afirmou que a CONEDI terá objetivo de promover a equidade no acesso à saúde e fez uma retrospectiva dos passos dados até agora para dar fundamento institucional ao grupo. “Em dezembro de 2025, Maria Rita levou o informe para o conselho deliberativo da AMB e a primeira reunião da CONEDI foi realizada em fevereiro deste ano, com 34 participantes”.
Segundo Juliana, entre as propostas está sendo planejada a realização de um workshop e, dentro do site da AMB, uma biblioteca para consolidar referências sobre o tema. Ela também destaca que “a CONEDI não quer agravar o problema atual de divisões na sociedade brasileira, mas criar pontes entre as diferentes áreas para enriquecer a prática médica por meio da equidade”.
Para Júlio César de Oliveira, médico assistente da Disciplina de Clínica Geral e Propedêutica do Hospital das Clínicas da FMUSP, é importante compreender a diferença entre igualdade e equidade. “Equidade é buscar justiça para entender a necessidade de cada um, e a igualdade está no resultado. Devemos pensar na inclusão de minorias. E, se todos são iguais perante a lei, por que falar disso? Porque há grupos excluídos. Minorizado é um grupo que perde poder na sociedade”.
Ana Amélia Viana, coordenadora do comitê de diversidade da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, falou sobre diversidade étnica em oncologia. Ela usou como exemplo a incidência e mortalidade do câncer de mama em relação à mulher negra. “O impacto da fome e da pobreza no câncer de mama provoca diferenças na agressividade tumoral, e mesmo nas áreas de pobreza, os pretos são os mais pobres. A mulher preta tem mais 24 % de chance de morte com o câncer de mama”.


