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Diabetes, anemia e crescimento fetal são as principais preocupações de risco no atendimento pré-natal

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O atendimento a gestantes, atualmente, é uma das três especialidades que mais criam demandas em UBSs, segundo o Ministério da Saúde. Por conta desse fato, os profissionais de medicina geral precisam se manter atualizados sobre pré-natal, planejamento reprodutivo e testes rápidos, sem o que podem se ver em dificuldades ao atuar no pronto atendimento.

Dependendo da região em que se localiza a UBS, o atendimento a gestantes concentra de 5% a 15% da demanda de consultas e acolhimentos. E eventualmente esses casos redundam em complicações, como mostrou palestra na tarde desta sexta-feira (12), no segundo dia de trabalhos do 4º Congresso de Medicina Geral da Associação Médica Brasileira (AMB), realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo.

Com o título ‘Complicações do pré-natal na gestante de risco habitual’, a palestra abordou três temas: a diabetes mellitus gestacional, a anemia ferropriva e as alterações no crescimento fetal.

“Foram muito importantes os assuntos discutidos aqui, porque o generalista, nos plantões, vai atender gestantes, vai dar assistência à gestante inicial, vai fazer o pré-natal, os médicos de família vão fazer a primeira assistência. Assim, ele deve ter o conhecimento sobre a utilização das vitaminas de ferro, por exemplo, é importante também identificar gestantes que possam ser de riscos”, afirmou Maria Rita De Souza Mesquita, primeira secretária da AMB e presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP).

Segundo Mesquita, em geral, as gestantes são de baixo risco, mas na gravidez podem se tornar de alto risco por falta de ferro, ou por um diagnóstico de diabetes, ou um crescimento fetal restrito ou por uma macrossomia – bebês que nascem com peso excessivo, geralmente acima de 4 kg. “Essa discussão é muito importante para auxiliar o médico que está no primeiro momento da assistência à gestante para fazer as orientações adequadas”, disse.

Ao abordar a diabetes mellitus gestacional, a médica Rafaela Alkmin Da Costa, professora livre-docente da Faculdade de Medicina da USP e uma das principais referências científicas no país sobre o tema, disse que essa doença é uma epidemia silenciosa.  “A prevalência no Brasil estimada que 18% das gestantes, então, praticamente uma a cada cinco gestantes no país, apresenta diabetes gestacional”, afirma.

Segundo a médica, essa prevalência não é diferente do restante da América do Sul, em que a estimativa afeta 17% das gestantes. Costa defende a padronização e a aplicação rigorosa de critérios de rastreamento, como a glicemia de jejum e o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) para que a doença seja identificada a tempo de reduzir complicações.

A ginecologista e obstetra Lilian de Paiva Rodrigues Hsu, professora-adjunta da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, disse em sua exposição sobre a anemia ferropriva que o problema afeta no país 5 milhões de mulheres que têm essa comorbidade, que vem de distúrbios ginecológicos, sangramento intrauterino anormal, fluxo menstrual excessivo, diversidade na alimentação, cirurgia bariátrica, má alimentação, dificuldades inúmeras e também quando engravidam podem estar associadas ainda a uma hemorragia materna.

“Em 2015, a Cúpula das Nações Unidas fez uma reunião com 193 países que foram signatários de um pacto global para promover o crescimento sustentável global até 2030. E foram traçados 17 objetivos que são interconectados e dão origem a 169 metas e o nosso interesse aqui é a meta 3.1, que é a redução da taxa de mortalidade materna global para menos de 70 a cada 100 mil nascidos”, afirmou.

Na abordagem sobre alterações do crescimento fetal, o médico Mario Henrique Burlacchini de Carvalho, especialista em Medicina Fetal e professor da USP, afirmou que os casos que mais preocupam são os de feto pequeno, abaixo dos padrões. “É preciso verificar se ele é pequeno por fator constitucional ou se é um feto patológico”, explicou.

Se a segunda hipótese for confirmada, é necessário investigar fatores maternos, como hipertensão e diabetes, ou fatores de comportamento, como tabagismo e uso de álcool, entre outros. “O diagnóstico tem que contar coma fita métrica, é por meio da medida em cada consulta que será verificado o desvio na curva padrão que vai ajudar a investigar as hipóteses sobre o crescimento fetal”, afirmou.