Tratamento da obesidade deve seguir o paradigma da doença crônica, defendem especialistas
Reconhecida como doença crônica no ano passado, a obesidade é uma epidemia que afeta atualmente cerca de 40 milhões de pessoas no país, seguindo uma curva de crescimento que em 20 anos passou de 11% da população para mais de 20%. É um problema que tem diferentes causas e exige tratamento contínuo, e muitas vezes está associado a diabetes e hipertensão.
O médico Neuton Dornelas Gomes, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), entende que o tratamento da obesidade hoje representa uma “revolução”, tanto do ponto de vista dos medicamentos existentes como quanto da abordagem. Dornelas acha essencial para garantir o direito dos brasileiros à saúde “que o SUS passe a ter medicamentos para combater essa doença”. O médico também diz que a obesidade tem impacto crescente no custo da saúde e está, na verdade, associada a 200 doenças.
O tratamento da obesidade foi debatido nesta quinta-feira (11), no primeiro dia de trabalhos do 4º Congresso de Medicina Geral da Associação Médica Brasileira (AMB), realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo, em palestra com o título ‘A epidemia de obesidade e a revolução no seu tratamento’.
Endocrinologista clínica, pesquisadora e professora do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), Carolina Porto Janovsky, diz que o Índice de Massa Corporal (IMC) foi considerado padrão ouro para identificar obesidade, “mas ele não conta toda a história, porque não diferencia músculo de gordura e assim não reflete a capacidade metabólica do corpo”.
Ela lembra que no ano passado, a obesidade foi redefinida, reconhecida como doença crônica e sistêmica. E também destaca que há diversos critérios além do IMC. “A obesidade é caracterizada por alterações dos tecidos e órgãos devido ao excesso de adiposidade. O diagnóstico da obesidade deve ser associado a critérios como a circunferência abdominal, se maior do que 102 cm em homens ou 88 cm em mulheres. A razão entre cintura e altura também deve ser considerada”, destaca.
Já Kyara Ramalho, médica especialista em Endocrinologia e Metabologia, afirmou que é preciso individualizar as estratégias de tratamento da obesidade e o ponto de partida é reconhecer o problema como doença crônica. “É importante alinhar a estratégia de tratamento com o paciente. A perda de peso é gradual e a manutenção do peso menor é um desafio”. Ramalho também diz que o tratamento é contínuo, não é uma linha reta e, portanto, tem vários percalços até chegar ao objetivo.