Alto contraste

Dia 1 CBMGNotícias

Home / Dia 1 CBMG / Congresso da AMB começa com intensa programação científica voltada aos desafios da Medicina contemporânea

Congresso da AMB começa com intensa programação científica voltada aos desafios da Medicina contemporânea

2 CBMG 11 06 2026 0200 2 scaled

O primeiro dia do 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da Associação Médica Brasileira (AMB), realizado em 11 de junho, foi marcado por uma intensa programação científica voltada à atualização dos médicos que atuam na linha de frente da assistência. Ao longo do dia, especialistas de diversas áreas abordaram temas fundamentais para a prática clínica, desde urgências e emergências até prevenção, rastreamento, reabilitação e avanços terapêuticos.

Com atividades simultâneas distribuídas em diferentes auditórios, o congresso reforçou seu papel como espaço de educação continuada e integração entre especialidades, oferecendo conteúdo prático e baseado em evidências para os desafios enfrentados diariamente pelos profissionais de saúde.

Urgências reumatológicas e cuidados pós-operatórios abriram a programação

As primeiras atividades da manhã destacaram situações clínicas que exigem reconhecimento e intervenção rápida. No simpósio sobre urgências reumatológicas, coordenado por Nafice Costa Araújo, os participantes discutiram condições frequentemente encontradas nos serviços de emergência e ambulatórios, como lombalgia, dor difusa, poli artralgias, vasculites graves e manifestações renais e neurológicas do lúpus.

Paralelamente, especialistas em medicina intensiva e anestesiologia abordaram os desafios do pós-operatório de cirurgias de grande porte. Sob coordenação de Flavia Ribeiro Machado e Aristotenis Cardoso Cruz, foram discutidos aspectos fundamentais relacionados à estabilidade hemodinâmica, ventilação mecânica, analgesia e sedação, reforçando a importância do acompanhamento multiprofissional para a recuperação dos pacientes.

Rastreamento do câncer colorretal e atualização em hipertensão

A prevenção e o diagnóstico precoce também estiveram em destaque. A sessão dedicada ao câncer colorretal apresentou estratégias atuais de rastreamento, orientações sobre indicação e adesão à colonoscopia e a interpretação dos achados de pólipos para definição do seguimento clínico.

Já o simpósio sobre as Diretrizes 2025 para Hipertensão Arterial Sistêmica trouxe uma atualização das recomendações para controle da doença, incluindo novas metas pressóricas, início precoce do tratamento, manejo da hipertensão resistente e revisão crítica do conceito de urgência hipertensiva.

Medicina intensiva reforça reconhecimento precoce de condições graves

A programação de medicina intensiva concentrou-se em três dos principais desafios encontrados nos serviços de urgência e terapia intensiva: insuficiência respiratória, choque e sepse. Os especialistas destacaram a necessidade do diagnóstico precoce e da implementação rápida de medidas terapêuticas para reduzir complicações e mortalidade.

Gastroenterologia aborda doenças prevalentes e prevenção

Dividida em dois módulos, a programação de gastroenterologia percorreu todo o trato digestivo, abordando desde a doença do refluxo gastroesofágico até condições pancreáticas e intestinais.

Os debates incluíram o uso prolongado de bloqueadores de ácido, a infecção por Helicobacter pylori e sua relação com o câncer gástrico, estratégias para identificação precoce da cirrose hepática metabólica, além de discussões sobre pancreatite crônica, microbiota intestinal e a persistente relevância das parasitoses intestinais no Brasil.

Saúde renal e cirurgia cardíaca: foco na prevenção de complicações

No simpósio “Rim no consultório: o que todo médico precisa saber”, especialistas apresentaram orientações práticas para interpretação da creatinina, investigação de proteinúria e hematúria e estratégias para retardar a progressão da doença renal crônica.

Ao mesmo tempo, a sessão sobre desafios no pós-operatório de cirurgia cardíaca discutiu o manejo da instabilidade hemodinâmica, a aplicação dos protocolos ERAS (Enhanced Recovery After Surgery) e as complicações neurológicas que podem ocorrer após procedimentos cardiovasculares.

Especialidades cirúrgicas e clínicas compartilharam conhecimentos práticos

A programação do final da manhã contemplou diversas áreas de atuação médica. Em oftalmologia, foram discutidas condutas diante de urgências oculares, a interface entre doenças sistêmicas e a saúde ocular e a avaliação visual em contextos periciais e previdenciários.

Na anestesiologia, o foco esteve no manejo da via aérea em situações críticas, incluindo trauma cervical instável e choque neurogênico. Já a cirurgia da mão trouxe atualizações sobre reimplantes e tratamento de fraturas do punho, metacarpos e falanges.

Dor torácica, saúde do idoso e reabilitação em destaque à tarde

Durante a tarde, os participantes acompanharam uma atualização sobre a abordagem da dor torácica na emergência, tema de grande relevância para médicos que atuam em pronto atendimento. As discussões incluíram o uso da troponina ultrassensível, diagnósticos diferenciais potencialmente fatais e a utilização racional dos exames de imagem.

O envelhecimento populacional também foi tema de debate na sessão “O cérebro da pessoa idosa”, que abordou demência, delirium e depressão, condições frequentes e frequentemente subdiagnosticadas na população idosa.

Na área de medicina física e reabilitação, especialistas apresentaram estratégias para avaliação funcional de pacientes com incapacidades, investigação de distúrbios do movimento e manejo da dor crônica.

Neurocirurgia e ampliação do acesso à atenção especializada

A programação de neurocirurgia reuniu discussões sobre hemorragias decorrentes de aneurismas cerebrais, doenças cerebrovasculares isquêmicas e malformações arteriovenosas, enfatizando os avanços no tratamento dessas condições complexas.

Também integrou a programação a apresentação da AGSUS sobre as novas ofertas assistenciais móveis e temporárias voltadas à ampliação do acesso à atenção especializada em saúde, tema estratégico para o fortalecimento da assistência em diferentes regiões do país.

Esporte, oncologia e neurologia encerraram o dia

As últimas atividades científicas do dia reuniram temas de grande interesse para a prática clínica contemporânea.

Na medicina do exercício e do esporte, foram discutidos aspectos relacionados ao doping, medicina regenerativa aplicada às lesões esportivas e os limites da especialização precoce em crianças atletas.

A cirurgia oncológica abordou os critérios para encaminhamento ao especialista, os sinais de alerta para detecção precoce do câncer e a importância da prevenção e da imunização.

Encerrando a programação, a neurologia ambulatorial trouxe atualizações sobre os novos tratamentos para a doença de Alzheimer disponíveis no Brasil, a abordagem da vertigem e o papel do médico generalista no diagnóstico e acompanhamento dos pacientes com migrânea.

Formação abrangente para os médicos que estão na linha de frente A diversidade dos temas apresentados ao longo do primeiro dia evidenciou o compromisso do 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB com a formação continuada dos médicos brasileiros. Ao reunir especialistas de diferentes áreas em torno de problemas frequentes da prática diária, o evento fortalece a integração entre especialidades e oferece ferramentas para uma assistência mais qualificada, segura e resolutiva para a população.