Comunicado aos associados da Associação Médica Brasileira
O encerramento de um ciclo e o compromisso permanente com o associativismo médico
Prezados associados,
A recente Assembleia que apreciou a proposta de reforma do Estatuto da Associação Médica Brasileira (AMB), destinada à criação da categoria de sócio afiliado, marcou o encerramento de um importante ciclo de trabalho e reflexão sobre o futuro do nosso movimento associativo.
Embora tenha recebido o apoio da maioria dos votantes, superando 50% dos votos favoráveis, a proposta não alcançou o quórum regimental de dois terços necessário à sua aprovação. Esse resultado, expressão legítima do processo democrático que rege nossa instituição, deve ser acolhido com respeito e serenidade.
Encerra-se, assim, um trabalho desenvolvido ao longo de aproximadamente seis anos, durante os quais nos dedicamos à construção de uma alternativa que acreditávamos representar um passo importante para a modernização, a ampliação da representatividade e o fortalecimento institucional da AMB.
Desde sua concepção, a iniciativa esteve fundamentada na convicção de que a força do associativismo médico depende da integração, da cooperação e do reconhecimento da importância de todas as entidades que compõem nosso sistema associativo.
A proposta buscava aproximar ainda mais a AMB, suas Federadas e as Sociedades de Especialidades, reunindo-as em um projeto institucional mais abrangente, sob a coordenação da Associação Médica Brasileira, preservando integralmente a autonomia, a identidade e as prerrogativas de cada entidade.
A criação da categoria de sócio afiliado permitiria incorporar à AMB médicos vinculados às Sociedades de Especialidades, mediante contribuição simbólica e com direitos estatutários restritos, sem direito a voto ou à candidatura aos cargos eletivos. A participação nesse novo modelo seria facultativa, respeitando a liberdade de adesão de cada entidade.
Mais do que uma alteração estatutária, tratava-se de uma iniciativa de aproximação e fortalecimento coletivo, concebida para enfrentar um desafio que merece a atenção de todos: a progressiva redução do número de associados da AMB e suas consequências para a representatividade e a sustentabilidade institucional.
Acreditamos que a força da AMB constitui um patrimônio compartilhado por suas Federadas e Sociedades de Especialidades. Sua preservação é essencial para que possamos continuar exercendo, com legitimidade e independência, nossas responsabilidades na defesa da Medicina e dos médicos brasileiros.
Entre essas responsabilidades, destaca-se a participação da AMB, em conjunto com suas Sociedades de Especialidades, no sistema de concessão dos títulos de especialista, uma conquista histórica de extraordinário valor para a Medicina brasileira.
Ao longo das discussões, diferentes opiniões, preocupações e perspectivas foram apresentadas. Todas merecem respeito, pois refletem a diversidade de experiências e visões existentes entre as entidades que integram a AMB.
É próprio da vida associativa que propostas de transformação suscitem debates e posicionamentos distintos. Essa diversidade integra a construção democrática e deve ser valorizada como expressão de nossa convivência institucional.
Embora a proposta não tenha alcançado a aprovação necessária, permanece nossa convicção de que foi concebida com espírito construtivo, responsabilidade e genuíno propósito de contribuir para o futuro da AMB e de todas as entidades que a integram.
É com esse sentimento que encerramos este capítulo, respeitando a decisão da Assembleia e reconhecendo o empenho de todos que participaram desse longo processo de reflexão e construção.
O trabalho realizado não perde seu significado pelo fato de a proposta não ter sido aprovada. Permanecem as ideias debatidas, as experiências compartilhadas e, sobretudo, a consciência de que os desafios do associativismo médico exigem atenção permanente e disposição para buscar novos caminhos.
A modernização e o fortalecimento da AMB continuam sendo responsabilidades coletivas, que ultrapassam propostas específicas e exigem diálogo, cooperação e compromisso com o futuro.
Seguiremos trabalhando com a mesma dedicação que sempre orientou nossa atuação, respeitando as diferenças e valorizando aquilo que nos une: a defesa da Medicina brasileira, a valorização dos médicos e o fortalecimento de suas entidades representativas.
Ao concluir este ciclo, renovamos nossa confiança na capacidade da AMB, de suas Federadas e de suas Sociedades de Especialidades de construir, pelo entendimento e pela união, um futuro cada vez mais sólido para o associativismo médico brasileiro.
Encerra-se uma proposta, mas permanecem nossos ideais, nossa confiança no diálogo e nosso compromisso inabalável com a AMB e com a Medicina brasileira.
Atenciosamente,
Associação Médica Brasileira — AMB