Livro sobre violência contra crianças e adolescentes é lançado no 42º Congresso Brasileiro de Pediatria
Obra reúne orientações para profissionais de saúde e outros agentes da rede de proteção, com foco na identificação precoce de sinais de violência, na prevenção e na garantia dos direitos da infância e da adolescência

O enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes exige atenção permanente, conhecimento técnico e atuação integrada entre famílias, profissionais de saúde, educadores e instituições de proteção. Com esse propósito, será lançado nesta quinta-feira, dia 15, durante o 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, o livro dedicado à prevenção, à identificação e ao enfrentamento das diferentes formas de violência contra a população infantojuvenil – Manual de Atendimento às Crianças e Adolescentes em Situação de Risco e Violência (3ª edição), de autoria da Dra. Renata D. Waksman e Dr. Mario R. Hirschheimer.
O lançamento oficial ocorrerá às 15h30, no estande da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), durante o congresso. Editada pela Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), a obra tem versão digital com 452 páginas e será disponibilizada gratuitamente nos portais da Associação Médica Brasileira (AMB), da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Sociedade de Pediatria de São Paulo.
A publicação surge em um cenário de preocupação com o avanço dos registros de violência contra crianças e adolescentes no Brasil, que ultrapassam 115 mil notificações anuais no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), conforme os dados apresentados pelos autores. O livro também aborda desafios contemporâneos, como abusos e crimes no ambiente digital, cyberbullying, exposição excessiva às telas e outras situações que podem comprometer o desenvolvimento e a segurança de crianças e adolescentes.
Identificar os sinais e agir precocemente
O livro aborda as principais formas de violência física, psicológica e sexual, além da negligência e da omissão de cuidados. Também chama a atenção para situações menos reconhecidas socialmente, como a violência institucional, o abandono digital, a negligência emocional, a autolesão não suicida e a simulação ou indução de doenças por cuidadores.
Um dos pontos centrais da publicação é a importância de reconhecer sinais que podem passar despercebidos por familiares, professores e profissionais de saúde. Mudanças repentinas de comportamento, isolamento social, queda no rendimento escolar, alterações no sono e no apetite, dores recorrentes sem causa aparente e regressões no desenvolvimento podem indicar sofrimento e merecem atenção.
No campo clínico, hematomas em bebês que ainda não engatinham ou caminham, lesões em locais incomuns para acidentes e marcas em diferentes estágios de cicatrização também exigem avaliação cuidadosa. A identificação desses sinais, associada à análise do contexto e à escuta adequada, pode contribuir para interromper situações de violência e evitar novos danos.
A obra destaca, ainda, que crianças e adolescentes podem ter dificuldade para relatar as agressões, especialmente quando os responsáveis pela violência são pessoas próximas, das quais dependem emocional ou materialmente. Medo, vergonha, culpa, ameaças e a dificuldade de compreender ou expressar o que aconteceu estão entre os fatores que favorecem o silêncio das vítimas.
Responsabilidade compartilhada e atuação em rede
Além de orientar a identificação dos casos, o livro reforça o papel dos profissionais na proteção integral de crianças e adolescentes. Médicos, enfermeiros, professores e outros integrantes da rede de atendimento precisam estar preparados para reconhecer sinais de alerta, acolher as vítimas sem julgamentos e acionar os mecanismos de proteção previstos na legislação.
A publicação enfatiza a importância de distinguir a comunicação aos órgãos de proteção, a notificação aos sistemas de vigilância em saúde e a denúncia às autoridades de segurança pública. Também ressalta que a suspeita fundamentada de violência deve ser considerada no encaminhamento dos casos, sem que os profissionais aguardem a obtenção de provas conclusivas para buscar a proteção necessária.
Outro aspecto abordado é a prevenção da revitimização. A escuta deve ocorrer de forma acolhedora, respeitosa e adequada à idade e às condições da criança ou do adolescente, evitando a repetição desnecessária de relatos e procedimentos. Para isso, a integração entre saúde, educação, assistência social, Conselhos Tutelares, Ministério Público e demais órgãos da rede de proteção é fundamental.
A obra também apresenta caminhos para a prevenção, incluindo o fortalecimento dos vínculos familiares, a adoção de práticas educativas não violentas, o desenvolvimento de programas permanentes contra o bullying e a promoção da cidadania digital nas escolas. O fortalecimento dos serviços públicos e a capacitação continuada dos profissionais são apontados como medidas essenciais para ampliar a capacidade de resposta do país.
Violência na infância pode deixar consequências por toda a vida
As repercussões da violência não se limitam ao momento em que ocorre a agressão. Experiências traumáticas na infância podem afetar o desenvolvimento neurológico, a saúde mental, o desempenho escolar e a capacidade de estabelecer vínculos afetivos saudáveis. Ao longo da vida, também podem estar associadas a maior vulnerabilidade a transtornos de ansiedade e depressão, autolesão, uso abusivo de substâncias e doenças crônicas.
Por isso, o reconhecimento precoce e a intervenção adequada são decisivos para reduzir os danos e ampliar as possibilidades de recuperação. A proteção da infância, nesse contexto, não é uma responsabilidade exclusiva das famílias ou dos profissionais de saúde, mas um compromisso coletivo que envolve toda a sociedade e o poder público.
Ao reunir informações e orientações práticas, o livro busca contribuir para uma mudança de postura diante da violência: substituir a omissão pela responsabilidade ativa, reconhecer crianças e adolescentes como sujeitos de direitos e fortalecer uma cultura de prevenção e proteção.
A mensagem central da publicação é direta: diante de uma suspeita fundamentada de violência, é preciso acolher, agir e acionar a rede de proteção. O silêncio e a espera por certezas podem prolongar situações de risco e comprometer o desenvolvimento e a vida das vítimas.
Acesso gratuito
A versão digital, com 452 páginas, será disponibilizada gratuitamente nos portais da Associação Médica Brasileira (AMB), da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).
Exemplares impressos ficarão disponíveis nas sedes das três entidades, com distribuição definida por cada associação.
SERVIÇO
Livro: Manual de Atendimento às Crianças e Adolescentes em Situação de Risco e Violência (3ª edição)
Coordenadores/Autores:Dra. Renata D. Waksman e Dr. Mario R. Hirschheimer.
Lançamento: 15 de outubro de 2026, às 15h30
Local: estande da Sociedade Brasileira de Pediatria, durante o 42º Congresso Brasileiro de Pediatria
Editora: Sociedade de Pediatria de São Paulo
Versão digital: gratuita, nos portais da AMB, da SBP e da SPSP.
Autores


Assessoria de Comunicação da AMB