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A Mulher Médica: protagonismo, desafios e avanços em debate no 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB

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A participação feminina na medicina brasileira tem promovido importantes transformações na assistência à saúde, na produção científica, na gestão e na formação de novas gerações de profissionais. Apesar dos avanços conquistados ao longo das últimas décadas, as médicas ainda enfrentam desafios relacionados à equidade de oportunidades, à representatividade em cargos de liderança, às condições de trabalho e ao reconhecimento profissional.

Com o objetivo de ampliar esse debate e contribuir para a construção de um ambiente cada vez mais inclusivo e valorizador, o 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da Associação Médica Brasileira (CBMG 2026) realizou a mesa-redonda “A Mulher Médica”, promovida pela Comissão Nacional em Defesa dos Direitos no Trabalho da Mulher Médica da AMB (CONADEM) e pela Comissão Nacional do Médico Jovem (CNMJ). A atividade foi coordenada pelas médicas Luciana Rodrigues Silva, Maria Rita de Souza Mesquita e Amanda Oliva Spaziani, reunindo especialistas para discutir temas centrais relacionados à atuação feminina na medicina contemporânea.

O presidente da AMB, Dr. Cesar Fernandes, fez questão de cumprimentar e parabenizar as organizadoras. Em sua fala, destacou que as mulheres já representam 52% da medicina brasileira.

“Quanto mais observamos as faixas etárias mais jovens, maior é a participação feminina. Precisamos inserir cada vez mais mulheres nas esferas de decisão, pois elas ainda estão sub-representadas, mas isso é uma questão de tempo”, afirmou. “Este é meu último ano como presidente, mas, como ginecologista e pai de três filhas, tenho certeza de que a CONADEM dará continuidade a essa força feminina que demonstra tanta liderança e competência”.

A programação teve início com reflexões sobre a demografia médica e os desafios enfrentados pelas mulheres na profissão, apresentadas pela Dra. Luciana Rodrigues Silva. Na palestra “Entre presença e poder: representatividade, liderança e carreira médica das mulheres no Brasil”, ela destacou o crescimento da participação feminina na medicina e ressaltou que as mulheres já são maioria entre os residentes e estudantes de medicina.

“Entender essa transição é essencial para discutirmos temas relevantes e planejarmos o futuro da medicina”, afirmou. Segundo a especialista, embora a medicina brasileira esteja passando por um processo de feminização, o poder institucional permanece distribuído de forma desigual.

Para sustentar essa análise, foi apresentada uma pesquisa inédita baseada em um estudo observacional transversal, com coleta sistemática de dados em sites institucionais. O levantamento avaliou 2.187 médicos e médicas em todos os estados brasileiros. Os resultados demonstraram que, em todas as instituições analisadas, os homens ainda ocupam a maior parte dos cargos de liderança.

A pesquisa também incluiu uma etapa qualitativa, com entrevistas semiestruturadas, que permitiram compreender as trajetórias profissionais, experiências de assédio e obstáculos enfrentados por mulheres em posições de liderança. A maternidade foi apontada como um dos principais desafios.

“Queremos reduzir as desigualdades e construir uma medicina mais justa, com órgãos representados por homens e mulheres, equidade salarial, progressão de carreira semelhante, programas de mentoria para jovens médicas e mudanças institucionais que certamente ocorrerão ao longo do tempo”, destacou. “Precisamos desenvolver políticas públicas voltadas ao apoio das profissionais médicas”, concluiu.

Antes de passar a palavra à próxima palestrante, Dra. Amanda Oliva lançou uma reflexão ao público: “Se somos a maioria, por que ainda não estamos na liderança?”

Na sequência, a Dra. Ivani Pereira Baptista dos Santos abordou os aspectos éticos, legais e institucionais da relação entre a mulher paciente e a mulher médica. Durante sua apresentação, discutiu as dificuldades enfrentadas pelas pacientes e ressaltou a importância da Lei do Acompanhante. “A mulher tem direito a um acompanhante durante o atendimento, independentemente de notificação prévia. Quem escolhe é a própria mulher, e não o profissional que está prestando o atendimento”, afirmou.

A especialista também defendeu mudanças culturais e institucionais para garantir maior respeito à autonomia feminina. “É preciso ouvir e acreditar nas pacientes. Precisamos repensar critérios e práticas para que a mulher seja respeitada e valorizada tanto quanto o homem. Em 2026, ainda precisamos recorrer à legislação para garantir respeito à autonomia feminina”, observou.

A participação feminina na produção científica e na pesquisa foi o tema da apresentação da Dra. Diana Lara Pinto de Santana, que também destacou os desafios enfrentados pelas mulheres no exercício da medicina. Em sua fala, enfatizou a importância da atuação coletiva na promoção de mudanças estruturais.

“Trajetórias individuais não mudam o sistema. Precisamos compreender nosso papel enquanto instituições para que as conquistas não beneficiem apenas indivíduos, mas toda a coletividade”, afirmou.

A especialista reconheceu os avanços alcançados, mas ressaltou que ainda há muito a ser feito. Segundo ela, a promoção ativa da carreira feminina deve ser prioridade, assim como o fortalecimento das redes de colaboração profissional.

Ao compartilhar sua experiência pessoal, destacou que a resiliência foi fundamental em sua trajetória. “Os obstáculos não foram impeditivos da minha jornada, mas etapas que precisei superar para chegar até aqui”, relatou.

Durante o debate, acrescentou uma mensagem de incentivo às novas gerações: “Não fique presa ao que passou. Siga em frente, porque novas oportunidades surgirão”.

O encontro reforçou o compromisso da Associação Médica Brasileira com a valorização da mulher médica, o fortalecimento da diversidade e a promoção de discussões fundamentais para o futuro da profissão e da assistência à saúde no país.

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