Alto contraste

Dia 2 cbmgNotícias

Home / Dia 2 cbmg / Abordagem integrada transforma o cuidado em doenças tromboembólicas e cardiovasculares

Abordagem integrada transforma o cuidado em doenças tromboembólicas e cardiovasculares

CBMG 12 06 2026 0264 scaled

Na manhã do segundo dia do 4º CBMG, especialistas de diferentes áreas debateram condições clínicas que exigem uma abordagem integrada entre angiologia, cirurgia vascular, hematologia e cardiologia. A programação percorreu temas que vão da prevenção do tromboembolismo venoso na gravidez à investigação das trombofilias e aos desafios relacionados à morte súbita, reunindo evidências científicas e aplicações práticas para a assistência médica.

Para o Dr. Paulo Martins Toscano, vice-presidente Norte da AMB e membro titular do Conselho Científico da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), a evolução da especialidade está diretamente associada à capacidade de antecipar riscos e ampliar a precisão diagnóstica.

“A angiologia e a cirurgia vascular têm avançado significativamente com a incorporação de técnicas menos invasivas e diagnósticos mais precisos. A prevenção continua sendo o principal instrumento para reduzir complicações vasculares, especialmente por meio do controle do diabetes, da hipertensão e do tabagismo. O diagnóstico precoce também tem papel decisivo para melhorar os resultados dos tratamentos e a qualidade de vida dos pacientes”, afirmou.

O tromboembolismo venoso associado à gestação esteve entre os assuntos centrais da discussão conduzida pelo Dr. Adilson Ferraz Paschôa, chefe do Centro de Cirurgia Vascular Integrada e membro titular da SBACV. O especialista abordou o aumento do risco trombótico durante a gravidez e o puerpério, período considerado particularmente vulnerável para a ocorrência desses eventos. A utilização da heparina de baixo peso molecular, os cuidados com pacientes anticoaguladas no momento do parto e os critérios para manutenção da profilaxia após o nascimento foram alguns dos aspectos discutidos. Também foram apresentados parâmetros para estratificação de risco e indicações para acompanhamento mais rigoroso em gestantes com histórico prévio de trombose ou embolia.

A compreensão das trombofilias e o uso racional dos exames diagnósticos nortearam a participação da Dra. Elisabetta Sachsida Colombo, membro-fundadora e ex-diretora da Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia (SBTH). A médica analisou os principais defeitos hereditários e adquiridos relacionados à formação de trombos, observando que a solicitação de testes deve estar vinculada ao contexto clínico e às possíveis repercussões na condução do caso. A especialista revisou fatores como mutação do fator V de Leiden, mutação da protrombina, síndrome do anticorpo antifosfolípide e deficiências de proteínas anticoagulantes naturais, além de discutir os limites e as indicações da investigação laboratorial.

A programação foi concluída com a participação do Dr. Sérgio Timerman, diretor do Centro de Parada Cardíaca, Time de Resposta Rápida e Ciência da Ressuscitação do InCor-HCFMUSP, que trouxe uma reflexão sobre a magnitude da morte súbita e das doenças cardiovasculares. A discussão passou pelos avanços das diretrizes de ressuscitação, pela chamada jornada da sobrevivência e pela necessidade de ampliar o treinamento da população para o reconhecimento precoce e o atendimento imediato das emergências cardíacas. O cardiologista também abordou os desafios para reduzir a mortalidade e ampliar o acesso às estratégias de prevenção e resposta rápida.

CBMG 12 06 2026 0279 scaled

As discussões reforçaram que a integração entre especialidades tem papel fundamental na redução de complicações, na identificação precoce de fatores de risco e na construção de linhas de cuidado mais efetivas para pacientes com doenças tromboembólicas e cardiovasculares.