Abordagem integrada transforma o cuidado em doenças tromboembólicas e cardiovasculares

Na manhã do segundo dia do 4º CBMG, especialistas de diferentes áreas debateram condições clínicas que exigem uma abordagem integrada entre angiologia, cirurgia vascular, hematologia e cardiologia. A programação percorreu temas que vão da prevenção do tromboembolismo venoso na gravidez à investigação das trombofilias e aos desafios relacionados à morte súbita, reunindo evidências científicas e aplicações práticas para a assistência médica.
Para o Dr. Paulo Martins Toscano, vice-presidente Norte da AMB e membro titular do Conselho Científico da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), a evolução da especialidade está diretamente associada à capacidade de antecipar riscos e ampliar a precisão diagnóstica.
“A angiologia e a cirurgia vascular têm avançado significativamente com a incorporação de técnicas menos invasivas e diagnósticos mais precisos. A prevenção continua sendo o principal instrumento para reduzir complicações vasculares, especialmente por meio do controle do diabetes, da hipertensão e do tabagismo. O diagnóstico precoce também tem papel decisivo para melhorar os resultados dos tratamentos e a qualidade de vida dos pacientes”, afirmou.
O tromboembolismo venoso associado à gestação esteve entre os assuntos centrais da discussão conduzida pelo Dr. Adilson Ferraz Paschôa, chefe do Centro de Cirurgia Vascular Integrada e membro titular da SBACV. O especialista abordou o aumento do risco trombótico durante a gravidez e o puerpério, período considerado particularmente vulnerável para a ocorrência desses eventos. A utilização da heparina de baixo peso molecular, os cuidados com pacientes anticoaguladas no momento do parto e os critérios para manutenção da profilaxia após o nascimento foram alguns dos aspectos discutidos. Também foram apresentados parâmetros para estratificação de risco e indicações para acompanhamento mais rigoroso em gestantes com histórico prévio de trombose ou embolia.
A compreensão das trombofilias e o uso racional dos exames diagnósticos nortearam a participação da Dra. Elisabetta Sachsida Colombo, membro-fundadora e ex-diretora da Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia (SBTH). A médica analisou os principais defeitos hereditários e adquiridos relacionados à formação de trombos, observando que a solicitação de testes deve estar vinculada ao contexto clínico e às possíveis repercussões na condução do caso. A especialista revisou fatores como mutação do fator V de Leiden, mutação da protrombina, síndrome do anticorpo antifosfolípide e deficiências de proteínas anticoagulantes naturais, além de discutir os limites e as indicações da investigação laboratorial.
A programação foi concluída com a participação do Dr. Sérgio Timerman, diretor do Centro de Parada Cardíaca, Time de Resposta Rápida e Ciência da Ressuscitação do InCor-HCFMUSP, que trouxe uma reflexão sobre a magnitude da morte súbita e das doenças cardiovasculares. A discussão passou pelos avanços das diretrizes de ressuscitação, pela chamada jornada da sobrevivência e pela necessidade de ampliar o treinamento da população para o reconhecimento precoce e o atendimento imediato das emergências cardíacas. O cardiologista também abordou os desafios para reduzir a mortalidade e ampliar o acesso às estratégias de prevenção e resposta rápida.
As discussões reforçaram que a integração entre especialidades tem papel fundamental na redução de complicações, na identificação precoce de fatores de risco e na construção de linhas de cuidado mais efetivas para pacientes com doenças tromboembólicas e cardiovasculares.