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Alívio do sofrimento e comunicação: os pilares dos cuidados paliativos na atenção generalista

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Apesar dos avanços no tema, os cuidados paliativos ainda são cercados por equívocos que dificultam sua aplicação na prática médica. Com o objetivo de esclarecer conceitos e apresentar ferramentas para o dia a dia dos profissionais, especialistas reunidos no 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral (CBMG) discutiram como incorporar essa abordagem à rotina do médico generalista, destacando a importância do alívio do sofrimento, da comunicação efetiva e da tomada de decisão centrada no paciente.

Coordenada por Dr. Luis Felipe de Barros Ura, assistente do Grupo de Cuidados Paliativos do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), a atividade reforçou o papel do médico generalista na identificação precoce das necessidades paliativas e na construção de um cuidado centrado na pessoa.

Dra. Luciana de Oliveira Neves, membro das Comissões de Cuidados Paliativos em Neurologia da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e de Medicina Paliativa da Associação Médica Brasileira (AMB), explicou que os cuidados paliativos têm como objetivo aliviar o sofrimento e melhorar a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias, por meio de uma abordagem interdisciplinar que contempla aspectos físicos, psicológicos, sociais e espirituais.

A médica chamou atenção para a necessidade de ampliar o entendimento sobre o tema entre os profissionais de saúde e a população. “Cuidado paliativo não é retirar tratamento. É oferecer o tratamento adequado para cada fase da doença, buscando aliviar o sofrimento e preservar a qualidade de vida”, afirmou.

Durante a palestra, foram apresentados os principais pilares dessa abordagem, entre eles o controle da dor e de outros sintomas desagradáveis, o suporte aos familiares durante a doença e o luto, a valorização da vida, o reconhecimento da morte como um processo natural e a atuação multiprofissional focada nas necessidades de cada paciente.

“Os cuidados paliativos são uma forma ativa de cuidado. O objetivo é reduzir o sofrimento e oferecer suporte ao paciente e à família ao longo de toda a trajetória da doença”, pontuou.

Habilidade essencial 

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A comunicação em situações complexas foi abordada pela Dra. Halane Maria Rocha Pinto Lima, membro do Grupo de Trabalho de Cuidados Paliativos da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC). A médica definiu as chamadas conversas difíceis como aquelas relacionadas a diagnósticos graves, falhas terapêuticas, prognósticos desfavoráveis e decisões sobre limitações de tratamento.

Segundo a palestrante, a comunicação deve ser encarada como uma habilidade clínica essencial. “A comunicação deve ser vista como um procedimento médico. Ela precisa ser preparada e conduzida de forma estruturada para que o paciente e a família compreendam o que está acontecendo e participem das decisões”, afirmou.

Ao abordar a chamada “anatomia da comunicação”, a médica apresentou estratégias para reconhecer emoções frequentemente presentes nesses diálogos, como medo, esperança e desconfiança. Também destacou a importância de adaptar a conversa às necessidades de cada pessoa e de compreender o que está por trás das perguntas e reações apresentadas durante o atendimento.

“Precisamos reconhecer a esperança e o medo e responder a essas emoções. Muitas vezes, o paciente não está apenas buscando informação, mas acolhimento, segurança e apoio”, observou.

A especialista também apresentou resultados de estudos realizados no Brasil sobre comunicação em saúde, reforçando a necessidade de os profissionais transitarem entre diferentes níveis de conversa, equilibrando informações técnicas e acolhimento emocional.

Já a Dra. Ana Beatriz Galhardi Di Tommaso, médica referência técnica do time de Cuidados Paliativos do Hospital Israelita Albert Einstein. ressaltou a importância da adoção de modelos compartilhados de decisão, nos quais pacientes, familiares e equipe de saúde participam da definição dos objetivos terapêuticos.

A palestrante reforçou ainda que decisões relacionadas a tratamentos e intervenções devem ser tomadas de forma conjunta, sempre considerando os desejos do paciente e o contexto clínico. O objetivo, segundo ela, é garantir que as condutas adotadas estejam alinhadas ao que realmente faz sentido para cada pessoa.

Ao longo do painel, os especialistas convergiram em uma mesma mensagem: mais do que uma área específica da Medicina, cuidados paliativos são cada vez mais necessários para o médico generalista, que frequentemente ocupa uma posição estratégica no acompanhamento longitudinal dos pacientes e de suas famílias.