Atualização contínua e foco no paciente são essenciais para a atuação do médico generalista

Na manhã do primeiro dia do 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral (CBMG), promovido pela Associação Médica Brasileira (AMB), em São Paulo, a Clínica Médica foi um dos destaques da programação. Especialistas de diferentes áreas discutiram temas essenciais para a prática do médico generalista, reforçando a importância da atualização contínua e de um olhar abrangente para o atendimento de pacientes em diferentes níveis de complexidade.
A programação foi coordenada pelo Dr. Fernando Sabia Tallo, diretor-tesoureiro da Associação Médica Brasileira (AMB), e pelo Dr. Carlos Vicente Serrano Júnior, diretor de Relações Internacionais da AMB.
Na abertura da sessão, Serrano Júnior destacou a relevância do evento para o fortalecimento da Medicina Geral no país.
“É uma honra participar do CBMG. Eventos como este fortalecem a formação médica, promovem a atualização científica e valorizam o papel do médico generalista como peça fundamental na assistência à saúde da população”, afirmou.
Durante sua participação, Tallo ressaltou a necessidade de fortalecer a formação médica no Brasil, com foco na qualidade do ensino e no planejamento adequado da formação de especialistas.
“O fortalecimento da Clínica Médica é fundamental para a assistência hospitalar e para o atendimento de pacientes complexos. Precisamos investir em formação de qualidade e em um planejamento mais eficiente da residência médica para garantir um sistema de saúde mais preparado para os desafios atuais e futuros”, destacou.
Emergências hematológicas exigem reconhecimento precoce
A Dra. Tereza Cristina de Brito Azevedo, especialista em Clínica Médica, Hematologia e Hemoterapia, apresentou as principais urgências e emergências hematológicas que o médico generalista deve conhecer. Segundo a especialista, muitas dessas condições têm como porta de entrada os serviços de urgência e emergência, tornando o reconhecimento precoce decisivo para o prognóstico dos pacientes.
“Quem atende inicialmente emergências como a neutropenia febril é, na maioria das vezes, o médico generalista. O reconhecimento rápido e o início do tratamento adequado nas primeiras horas fazem toda a diferença”, ressaltou.

Novas diretrizes ampliam o olhar sobre a hipertensão arterial
As atualizações trazidas pelas novas diretrizes brasileiras e americanas, publicadas recentemente, evidenciam a necessidade de um controle cada vez mais rigoroso dos níveis pressóricos. A avaliação foi apresentada pelo Dr. Wallace André Pedro da Silva, presidente da Associação de Medicina Intensiva do Tocantins (AMIB-TO) e da Associação Médica do Tocantins.
Segundo o especialista, a hipertensão arterial continua sendo um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares e um dos maiores desafios de saúde pública. Dados apresentados durante a palestra mostram que cerca de 38% da população brasileira vive com hipertensão arterial e que aproximadamente 60% desses pacientes não mantêm a doença sob controle adequado.
Wallace reforçou que as medidas não medicamentosas permanecem como base do tratamento, incluindo alimentação saudável, prática regular de atividade física, controle do peso corporal, redução do consumo de álcool e abandono do tabagismo.
Outro ponto enfatizado foi a importância da aferição correta da pressão arterial e da realização dos exames de Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) e Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA) para o diagnóstico e acompanhamento dos diferentes fenótipos da hipertensão, como a hipertensão do avental branco e a hipertensão mascarada. Apesar dos avanços diagnósticos, o especialista destacou que a anamnese continua sendo um dos principais pilares da avaliação clínica.
Diplopia pode sinalizar condições neurológicas graves
O Dr. João Cláudio da Costa Urbano, neurologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), abordou a diplopia e os principais aspectos que o médico generalista deve considerar durante a avaliação inicial desses pacientes.
O médico explicou que a avaliação neurológica cuidadosa é indispensável para identificar situações potencialmente graves, como compressões nervosas secundárias a aneurismas intracranianos.
“A diplopia pode ser o primeiro sinal de doenças neurológicas importantes. Reconhecer os sinais de alerta é fundamental para garantir um diagnóstico precoce e evitar desfechos mais graves”, finalizou.