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Cirurgia Digestiva alerta para investigação adequada de cistos pancreáticos, dispepsias e sangramento intestinal

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Na manhã do primeiro dia do 4º Congresso de Medicina Geral da AMB, a sessão “Cirurgia Digestiva” abordou temas frequentes na rotina médica: cistos pancreáticos encontrados em exames de rotina, investigação das dispepsias e avaliação do sangramento intestinal baixo. As apresentações reforçaram a importância de diferenciar achados de baixo risco de situações que exigem encaminhamento especializado, além de reconhecer sinais de alerta capazes de mudar a conduta e evitar atrasos no diagnóstico.

Cistos pancreáticos exigem classificação de risco

A primeira apresentação foi conduzida pelo Dr. Andre Luis Montagnini, médico do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. O especialista destacou que as lesões císticas pancreáticas têm sido identificadas com mais frequência, principalmente pelo aumento do uso de exames de imagem e pela melhora da resolução dos métodos diagnósticos. “Lesões pequenas, subcentimétricas, 3, 4, 5 milímetros, hoje são diagnosticadas com muita facilidade”, afirmou.

Segundo o médico, esse cenário gera preocupação para pacientes e clínicos. Por isso, a conduta depende da correta classificação da lesão, considerando tipo, localização, características radiológicas, sintomas e potencial de malignidade. “As lesões císticas pancreáticas são achados frequentes”, resumiu Andre Luis Montagnini.

O palestrante explicou que nem todo cisto pancreático exige cirurgia ou vigilância prolongada. Lesões simples e assintomáticas podem não demandar acompanhamento, enquanto alterações com características de alto risco devem ser encaminhadas para centros de referência e avaliadas de forma multidisciplinar. “A ressonância, ou ressonância dinâmica, é um exame de escolha para nos ajudar”, destacou.

Dispepsia deve ser investigada com atenção aos sinais de alerta

Na sequência, o Dr. Osvaldo Antonio Prado Castro,médico da Santa Casa de São Paulo, chamou atenção para a necessidade de não banalizar sintomas dispépticos, especialmente diante do risco de doença maligna no trato gastrointestinal alto. “Quando a gente está lidando com uma dispepsia, a nossa preocupação é de que não seja uma doença péptica e sim seja uma malignidade”, afirmou.

A apresentação abordou sinais de alarme como perda de peso não intencional, sangramento digestivo, disfagia, anemia, vômitos persistentes, massa palpável e histórico familiar de câncer gastrointestinal. Para o especialista, a história familiar merece atenção especial. “Mas tem um sinal de alarme que, na minha concepção, é o mais importante. Que é o histórico familiar de câncer gastrointestinal”, disse.

O palestrante também alertou para o risco de adiar a investigação endoscópica, sobretudo quando há uso prolongado de inibidores de bomba de prótons, que podem melhorar sintomas sem resolver a causa do problema.

Sangramento intestinal baixo pede avaliação rápida da gravidade

A terceira apresentação foi conduzida pelo Dr. Caio Nahas, docente e médico do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. O especialista explicou que a hemorragia digestiva baixa ocorre, na maior parte das vezes, no intestino grosso, reto e ânus, podendo variar de pequenos sangramentos a quadros de emergência.

Entre as principais causas citadas estão doença diverticular, doenças anorretais, angiodisplasias, doenças inflamatórias intestinais, colite isquêmica, retite actínica, neoplasias e lesões relacionadas ao uso de anti-inflamatórios ou anticoagulantes. O especialista reforçou a importância de investigar medicações em uso. “Há uma ampla anamnese em relação às medicações atuais da situação”, disse.

Na investigação, Caio Nahas também destacou o papel da colonoscopia em pacientes estáveis e da angiotomografia nos casos de instabilidade. “Todos os guidelines recomendam o primeiro exame hoje: a angiotomografia”, afirmou, “Graças a esse fluxo conseguimos evitar grande parte de cirurgias hoje em dia”, completou.

Sessão reforça investigação bem indicada

A sessão mostrou que quadros comuns da cirurgia digestiva podem esconder situações de maior risco. Nos cistos pancreáticos, a classificação correta evita intervenções desnecessárias e atrasos no encaminhamento. Nas dispepsias, a suspeição clínica e a qualidade da endoscopia são decisivas. No sangramento intestinal baixo, a estabilidade do paciente orienta a sequência de exames e tratamentos.