Cuidado integral redefine a prática clínica ao integrar pessoa, território e sustentabilidade na atenção primária

No 4º CBMG, o painel de Medicina de Família e Comunidade, coordenado pelo Dr Hercules de Pinho, coordenador de conteúdo da PrepSaúde, reuniu discussões que reforçaram a ampliação do olhar clínico para além da doença, integrando coordenação do cuidado, determinantes sociais da saúde mental e impactos da saúde planetária na prática assistencial.
As palestras destacaram o método clínico centrado na pessoa como eixo principal da atenção. Dra Zeliete Linhares Leite Zambon, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), ressaltou a necessidade de reorganizar o cuidado a partir da experiência vivida pelo paciente e da construção compartilhada do plano terapêutico. “A organização do cuidado precisa partir da pessoa e do que faz sentido para a sua vida, não apenas da doença. Quando o plano é construído de forma compartilhada, a adesão deixa de ser imposição e passa a ser construção conjunta”, afirmou.
Sobre saúde mental no território, a Dra Brenda Freitas da Costa, diretora de Comunicação da SBMFC, reforçou o papel dos determinantes sociais na produção do sofrimento psíquico e a centralidade da atenção comunitária na resposta clínica. Ela destacou a relação direta entre contexto social e cuidado em saúde mental. “Não é possível compreender saúde mental sem olhar para o território. As condições sociais organizam o modo como o sofrimento aparece e também como ele pode ser cuidado, dentro e fora do serviço de saúde”, disse.
O painel também trouxe a saúde planetária como campo estratégico para a compreensão dos impactos ambientais sobre a saúde humana e a prática médica. A Dra Isadora Vianna Fernandes, diretora do Departamento de Desenvolvimento Profissional Contínuo e coordenadora do Grupo de Trabalho de Saúde Planetária da SBMFC, chamou atenção para a dimensão sistêmica do tema. “As mudanças ambientais já estão entre os principais determinantes de adoecimento e morte. Incorporar a saúde planetária à prática clínica significa reconhecer que o cuidado também passa pela forma como produzimos, consumimos e organizamos os sistemas de saúde.”
As discussões apresentadas no 4º CBMG reforçaram a necessidade de uma atenção primária mais integrada, sustentada pela articulação entre cuidado centrado na pessoa, leitura do território e responsabilidade diante dos desafios ambientais contemporâneos.