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Diagnóstico da anemia é fundamental para o sucesso das estratégias de gerenciamento do sangue

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O diagnóstico da anemia é uma ação fundamental para otimizar as estratégias de gerenciamento de sangue em pacientes. Com base nesse conceito, o médico Carlos Eduardo Panfilio, especialista em Gerenciamento de Sangue do Paciente (PBM – Patient Blood Management, na sigla em inglês) defende que a partir do diagnóstico os outros pilares ou desfechos da abordagem da PBM tornam-se mais fáceis.

Panfilio coordenou os debates sobre ‘Gerenciamento do Sangue no Paciente’, na manhã desta quinta-feira (11), primeiro dia do 4º Congresso de Medicina Geral da Associação Médica Brasileira (AMB), realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo.

Ao defender a importância do diagnóstico, os especialistas lembram que 30% da população mundial, quase 2 bilhões de pessoas no mundo, são anêmicas. “Diante de qualquer profissional de saúde, essa porcentagem é um número razoável. Então, se você trabalhar o primeiro pilar corretamente, ou seja, diagnosticar e tratar essa anemia, os outros pilares, os desfechos, são bem melhores”, afirma Panfilio.

Hoje, as doações de sangue têm caído, em média, de 4% a 6% ao ano. O uso racional de sangue é muito importante. Em 2036, a expectativa de vida do Brasil é que haja um colapso entre doadores e estoque de sangue. Quem mais vai precisar – no caso os idosos, não vai mais poder doar. O sangue é um recurso finito, e como o petróleo, o sangue é uma commodity extremamente cara para empresas.

PMB

O PBM é um programa com 38 estratégias divididas em três pilares: otimização da eritropoiese e prevenção da anemia; minimização da perda sanguínea e aumento da tolerância à anemia. Desde o seu surgimento em 2008, a ciência vem mostrando que hoje não transfundir ou o uso racional de sangue é muito mais eficaz do que a própria transfusão de sangue. 

A pesquisadora da Escola Paulista de Medicina Unifesp, Isabel Cristina Céspedes, diz que o PBM vai além da transfusão: é uma realidade internacional e uma nova linha de cuidado que melhora desfechos clínicos, reduz tempo de internação, diminui infecções, mortalidade e ainda tem impacto direto nos custos hospitalares.

“Hoje na medicina há uma mudança de conceito, que é usar o sangue da própria pessoa, esse é um fundamento do PBM”, completou Isabel.

Já a Dra. Maria Stella de Figueiredo, renomada hematologista e professora titular da UNIFESP, defende que o Patient Blood Management é um divisor de águas fundamental na medicina moderna, transformando a forma como a hematologia e a hemoterapia enxergam as transfusões de sangue.

A especialista em transplante de fígado e cirurgia do aparelho digestivo na EPM/UNIFESP, Dra. Barbara Burza Benini defende que o Patient Blood Management (PBM) deve ser encarado como um pilar central na segurança e no cuidado cirúrgico. A médica destaca que o gerenciamento do sangue não é apenas uma prática de hematologia, mas sim uma estratégia cirúrgica multidisciplinar essencial.

“A cirurgia é um movimento que usa o hospital inteiro. É como se fosse uma dança, tem que coordenar as partes para trazer uma mesma ideia. O paciente vem com uma anemia, faz-se necessário entender qual é o seu estado real. Será que ele precisa de sangue mesmo quando tem um HB Basal (quantidade de hemoglobina no sangue) mais baixo?”, questiona Benini.