Do consultório ao diagnóstico: mesa orienta quando suspeitar de câncer de cabeça e pescoço
No terceiro dia do 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB, a mesa-redonda “Cirurgia de Cabeça e Pescoço” discutiu temas frequentes na prática do médico generalista, como suspeita de câncer de vias aéreas digestivas superiores, manejo de via aérea difícil em pacientes oncológicos e abordagem de nódulos tireoidianos. A atividade foi coordenada pelo Dr. José Guilherme Vartanian, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, e pelo Dr. Antonio José Gonçalves, presidente da Associação Paulista de Medicina.
Ao abrir a mesa, Antonio José Gonçalves destacou que o tema tem impacto direto na rotina do generalista. “A cirurgia de cabeça e pescoço envolve doenças que chegam ao pronto-atendimento, aos ambulatórios e aos consultórios. Por isso, reconhecer sinais, suspeitar do diagnóstico e encaminhar no momento certo é essencial para mudar a evolução desses pacientes”, afirmou.
Na primeira apresentação, o Dr. Genival Barbosa de Carvalho, diretor científico da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, abordou o manejo de via aérea difícil em pacientes com neoplasias de cabeça e pescoço. Segundo ele, o atendimento exige planejamento, conhecimento do cenário e atuação em equipe. “Via aérea difícil é uma corrida contra o tempo. Sem protocolo e sem estratégia, a chance de erro aumenta”, alertou.
Na sequência, o Dr. Murilo Catafesta das Neves, professor afiliado de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM), falou sobre a abordagem de nódulos tireoidianos. O especialista explicou que a ultrassonografia não deve ser usada como rastreamento indiscriminado, mas indicada diante de achados clínicos, alterações laboratoriais, fatores de risco ou necessidade de seguimento. “Nem todo nódulo de tireoide precisa virar uma cascata de exames e procedimentos. O ultrassom deve ser pedido com critério”, afirmou.
A última apresentação foi conduzida por José Guilherme Vartanian, que chamou atenção para o diagnóstico ainda tardio no Brasil, mesmo em tumores que poderiam ser identificados com exame físico simples. “Qualquer ferida na boca que não cicatriza em duas semanas deve acender um alerta. Atitudes simples de investigação já podem antecipar o diagnóstico e evitar tratamentos mutilantes”, destacou.
A mesa reforçou que, na cirurgia de cabeça e pescoço, a atuação do generalista é decisiva para reconhecer sinais de risco, evitar atrasos diagnósticos e encaminhar o paciente de forma adequada.