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Inteligência Artificial na Prática Clínica: Aplicações, Limites e Transformações na rotina do dia a dia do médico

A inteligência artificial (IA) está redefinindo a prática médica, especialmente no ambiente ambulatorial, onde decisões clínicas cbmgrápidas, precisas e fundamentadas em evidências são essenciais. A incorporação dessas tecnologias tem ampliado a capacidade de análise de dados, apoiado o raciocínio clínico e contribuído para a personalização do cuidado, inaugurando uma nova etapa na integração entre medicina e tecnologia.

Para discutir o tema, o 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral promoveu o painel “Inteligência Artificial na Prática Clínica: Potencial, Limites e Aplicações no Consultório”, que trouxe uma abordagem prática sobre como a IA está sendo incorporada à rotina médica. O debate destacou benefícios já observados no dia a dia dos profissionais, além das limitações e dos desafios éticos e operacionais envolvidos em sua adoção crescente.

A sessão foi coordenada pelo Dr. Thiago Ligouri e contou com a participação dos debatedores Dr. Cesar Biselli e os especialistas em IA, Filipe Loures e Bruno Dornelles. As discussões tiveram início com uma análise sobre o uso da IA na rotina dos consultórios e os impactos dessas ferramentas na prática assistencial.

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Segundo Bruno Dornelles, embora não tenha formação médica, seu trabalho está diretamente ligado ao desenvolvimento de soluções capazes de compreender e apoiar o raciocínio clínico por meio da inteligência artificial.

“Estamos trabalhando há algum tempo com modelos de linguagem e transcrição em tempo real. Um aspecto muito importante desse processo foi a proximidade que construímos com os médicos, acompanhando suas rotinas para entender como poderíamos aprimorar a solução”, afirmou. “O primeiro passo é gerar a documentação clínica”, acrescentou.

Complementando a discussão, o Dr. Cesar Biselli destacou que áreas como prontuário eletrônico, secretariado e agendamento vêm registrando avanços significativos com a adoção da IA. Segundo ele, o uso dessas ferramentas tem reduzido entre 70% e 80% o volume de digitação realizado pelos profissionais de saúde.

Como exemplo, Dr. Biselli citou a experiência da Alice, operadora de saúde que utiliza inteligência artificial para qualificar o atendimento aos pacientes. “Com essa tecnologia, conseguimos identificar rapidamente se o cliente precisa ou não de uma consulta presencial. Esse é um uso reativo da IA”, explicou. Além disso, ele ressaltou a utilização de ferramentas com atuação proativa. “Também contamos com uma IA que sinaliza quando a pessoa precisa repetir exames ou realizar acompanhamentos periódicos, como consultas ginecológicas, por exemplo”, completou.

Dr. Cesar ainda salientou que não possui nenhum conflito de interesse ao fazer a afirmação aos médicos para ficarem de olho nas novas empresas que estão surgindo ou que já surgiram propondo soluções. “Vou ser sincero, não gosto de ficar preenchendo prontuários. E há soluções que fazem isso por você”, disse.

Dr. Thiago ressaltou que há IAs que ajudam tanto nas pesquisas clínicas e auxiliam em prontuários e agendamentos, como também as que ajudam na parta administrativa e a terceira que são chamados de copilotos. “Sobre a transcrição da consulta, é um mercado que vem crescendo no Brasil, mas nos Estados Unidos já é um cenário real. Com isso, diminui o tempo de documentação do médico, aumenta o contato ocular ocasionando uma melhora da relação médico-paciente e também a qualidade da documentação do prontuário, melhorando o armazenamento. Tudo isso aumenta a satisfação do paciente”, colocou.

Mais do que apresentar ferramentas, a sessão buscou estimular uma reflexão crítica sobre o papel da inteligência artificial na prática clínica, reforçando que seu maior valor está em ampliar a capacidade de decisão do médico, e não em substituí-la. Nesse contexto, a IA deve ser compreendida como um recurso de apoio, que exige supervisão, senso crítico e integração ao julgamento clínico.

Quando abordado sobre o uso da IA perante o CFM. Para o Dr. Biselli, ainda chegará na questão: – “quem vai se responsabilizar por isso?”. O CFM já liberou o que é de baixo, médio e alto risco. “Fazer diagnóstico como uma máquina não está liberado pelo CFM e eu acho isso correto”, disse. “Além disso, somos corresponsáveis. E humanos também erram. Na minha opinião, isso é um problema de governança maior. Não há uma resposta clara, pois pode haver um contraponto sobre o não uso da IA, também, e o paciente sair de uma consulta sem um pedido de eletro, por exemplo, sendo que ele precisava fazer”.

Ao fim, juntou-se à mesa Filipe Loures, fundador da VOA. Para ele, desenvolver na saúde não é como desenvolver em outros setores. “Em saúde, tudo depende. Se o paciente está marcando uma consulta de rotina ou se é um pós-operatório que precisa de um atendimento mais rápido. São muitas nuances que em outros setores não existem, tal como agendar a revisão de um automóvel, por exemplo”. 

Ao final, o debate reforça que o futuro do consultório será cada vez mais híbrido, sendo que a IA jamais substituirá a humanização do médico, combinando inteligência humana e artificial de forma complementar, com foco na segurança, na eficiência e na qualidade do cuidado ao paciente.