Livro ‘As novas faces da Medicina’ destaca a nova realidade da profissão médica, os avanços científicos e os desafios da formação dos futuros médicos no Brasil
Confira entrevista com o autor da obra, o médico Protásio da Luz.

O médico cardiologista e escritor Protásio da Luz conversou com a equipe do JAMB sobre seu livro As Novas Faces da Medicina, que está na segunda edição (Editora Manole Saúde, 448 páginas, setembro de 2023, em português) e aborda a nova realidade da profissão médica, os avanços científicos e os desafios da formação dos futuros médicos.
Nascido em 1940, em Vacaria (RS), Protásio é professor titular sênior de Cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e autor de outras obras, como Nem Só de Ciência se Faz a Cura (3ª edição, 2019) e Endothelium and Cardiovascular Diseases (2ª edição, 2025), publicada em inglês.
Pode fazer um breve resumo sobre o livro?
O principal destaque é a evolução científica da Medicina nas últimas décadas. O segundo ponto trata da formação médica, tema que, atualmente, adquiriu enorme importância.
No Brasil, foram criadas escolas médicas sem os critérios educacionais necessários. Muitas delas não possuem corpo docente qualificado, estrutura adequada nem hospital de ensino. Assim, como formar bons médicos? Esses aspectos são fundamentais para a educação médica e refletem diretamente na prática profissional, que depende de uma formação sólida. Infelizmente, muitas escolas, especialmente privadas, não estão formando médicos de maneira adequada. Isso é muito grave.
Como surgiu a ideia de escrever essa obra?
A ideia surgiu da observação da evolução da Medicina ao longo das últimas três ou quatro décadas. Tomei como referência o período em que fiz residência médica e comparei com tudo o que surgiu desde então.
Os maiores avanços ocorreram, principalmente, nas técnicas de diagnóstico por imagem. Naquela época, não existiam ecocardiogramas, exames com radioisótopos, tomografia computadorizada ou ressonância magnética. Os diagnósticos e as decisões terapêuticas baseavam-se, essencialmente, na anamnese e no exame clínico. Atualmente é possível analisar com grande precisão toda a anatomia do coração.
Outra transformação importante foi o desenvolvimento dos tratamentos minimamente invasivos por cateter. Hoje, procedimentos que antes exigiam grandes cirurgias podem ser realizados com menor risco e recuperação mais rápida. As angioplastias coronárias e as intervenções em valvas cardíacas são bons exemplos.
O mesmo aconteceu no tratamento do câncer. Atualmente, em muitos casos, é possível realizar cirurgias mais conservadoras, preservando tecidos e proporcionando melhor qualidade de vida aos pacientes.
Outra área profundamente transformada foi a tecnologia da informação. Temos atualmente acesso instantâneo às pesquisas realizadas nas principais universidades do mundo. Além disso, a inteligência artificial já está promovendo uma verdadeira revolução na Medicina. Também avançamos muito no conhecimento da genética. Hoje identificamos mutações importantes relacionadas a diversas doenças, permitindo o aconselhamento genético e tratamentos cada vez mais personalizados.
Outro campo revolucionário é o da biologia molecular e das chamadas ciências ômicas — genômica, proteômica e metabolômica — que ampliaram significativamente nossa compreensão sobre os mecanismos das doenças. Além disso, surgiram novos medicamentos, como estatinas, anti-hipertensivos e anticorpos monoclonais, que transformaram o tratamento de doenças cardiovasculares, inflamatórias e de diversos tipos de câncer. Todos esses avanços mudaram profundamente a Medicina contemporânea. Foi a partir dessa análise que surgiu a ideia de escrever o livro.
Marcele Martorelli