Médicos cobram ação urgente dos governos contra os impactos das mudanças climáticas
Crise climática ameaça a saúde global, alerta Associação Médica Mundial, durante 77ª Assembleia da entidade

A Associação Médica Mundial (WMA) aprovou durante a 77ª Assembleia Geral da entidade, realizada em Roterdã, entre 7 e 10 de outubro uma versão revisada da Declaração de Delhi sobre Saúde e Mudanças Climáticas. O documento pede que os governos reconheçam as mudanças climáticas como uma emergência de saúde e garantam às futuras gerações o direito de viver em um ambiente saudável.
A entidade defende a eliminação rápida e equitativa dos combustíveis fósseis em todo o mundo, como medida para proteger a saúde, acompanhada de uma transição justa para trabalhadores e comunidades envolvidos na extração, no processamento e na queima desses recursos.
“As mudanças climáticas já estão afetando a saúde dos nossos pacientes, por meio do calor, das enchentes e das doenças”, afirmou o presidente da WMA, Dr. Jung Yul Park. “Nosso código de ética exige que os médicos protejam a saúde das futuras gerações, assim como a dos pacientes de hoje. Isso significa agir sobre as causas, e não apenas tratar as consequências”, explicou ele.
Park também destacou que as populações mais vulneráveis são, muitas vezes, as que menos contribuíram para a crise climática. “Os governos precisam garantir que seus sistemas de saúde estejam preparados e que as medidas de adaptação cheguem às comunidades que mais necessitam delas”, acrescentou.
Diretrizes
A WMA pede aos governos que cumpram seus compromissos climáticos internacionais, destinem recursos para fortalecer os sistemas de saúde, invistam em pesquisas sobre clima e saúde e capacitem médicos e outros profissionais para atuar em desastres relacionados às mudanças climáticas.
A entidade também defende a participação de representantes da saúde no planejamento de emergências, a assistência às pessoas deslocadas por causas ambientais e a inclusão da saúde nas políticas públicas pertinentes.
Os médicos, por sua vez, são orientados a se preparar para emergências climáticas e interrupções no fornecimento de insumos, reduzir a pegada ambiental dos serviços de saúde e considerar fatores ambientais durante a anamnese dos pacientes. Já as associações médicas devem incorporar a emergência climática às suas agendas e promover a inclusão do tema das mudanças climáticas e da saúde na formação médica. A Associação Médica Brasileira (AMB) esteve presente com sua delegação e acompanhou as discussões durante os três dias do evento.
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Assessoria de Comunicação da AMB