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Mesa aborda diarreia aguda, obesidade infantil e infecção urinária na prática do consultório

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Na manhã do segundo dia do 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB, a mesa “Práticas no dia a dia do consultório” reuniu especialistas para discutir condições frequentes na rotina de atendimento pediátrico: diarreia aguda, obesidade e infecção urinária.

A atividade foi coordenada pela Dra. Luciana Rodrigues Silva, 1ª vice-presidente da AMB, que deu as boas-vindas aos participantes. “Sejam todos muito bem-vindos ao segundo dia do congresso. Esperamos que este seja um período enriquecedor, de muito aprendizado, troca de experiências e atualização para a prática médica”, afirmou.

A primeira palestra foi conduzida pela Dra. Ana Cristina Fontenele Soares, médica doutora assistente em Gastroenterologia Pediátrica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A especialista abordou a avaliação clínica dos quadros diarreicos, a importância da hidratação e o cuidado na indicação de exames e medicamentos.

Durante a apresentação, a médica reforçou que a condução da diarreia aguda deve começar pela avaliação da gravidade do quadro e pela prevenção da desidratação. Ao abordar o tratamento, Ana Cristina Fontenele Soares destacou que as medidas de suporte seguem como base do cuidado, mas que algumas terapias podem ser consideradas conforme a indicação clínica. “O manejo pode incluir reposição adequada, uso de zinco, antibióticos quando indicados e outras estratégias de suporte, sempre avaliando a gravidade do quadro e o perfil do paciente”, afirmou.

Na sequência, a Dra. Fabíola Isabel Suano de Souza, professora do Departamento de Pediatria da Unifesp/EPM e da Faculdade de Medicina do ABC, chamou atenção para o crescimento da prevalência de sobrepeso e obesidade em crianças e adolescentes, inclusive em países não desenvolvidos, e reforçou que o tema precisa ser enfrentado sem estigmatização. “Vale lembrar que a obesidade não é uma escolha do indivíduo e não é uma escolha da família. Ela está no contexto”, afirmou.

A médica explicou que a obesidade é uma doença crônica, multifatorial e heterogênea, influenciada por componentes neurobiológicos, ambientais, familiares, sociais e comerciais. Segundo ela, o cuidado não deve se limitar à perda de peso ou à melhora do IMC, mas considerar as diversas camadas que impactam a vida da criança, como família, escola, comunidade, políticas públicas e ambiente alimentar. “Diagnosticar cedo, acolher sem estigma, intervir precocemente e cuidar longitudinalmente é um processo que cabe para todos nós”, reforçou Fabíola Suano.

O terceiro tema foi apresentado pelo Dr. Olberes Vitor Braga de Andrade, professor assistente da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Na palestra, o especialista discute quando suspeitar do diagnóstico de infecção urinária, como coletar adequadamente os exames e quais critérios devem orientar o início do tratamento antimicrobiano.

Segundo o médico, a infecção urinária é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância e pode ter impacto importante, especialmente quando há recorrência, malformações renais ou risco de cicatriz renal. Por isso, ele defendeu atenção especial aos sinais clínicos, à idade da criança, ao histórico prévio e aos fatores de risco. “O diagnóstico preciso e a coleta adequada da urina é decisivo para evitar falso positivo e uso desnecessário de antibióticos”, afirmou.

A mesa reforçou que quadros comuns no consultório exigem avaliação cuidadosa e condutas individualizadas. No manejo da diarreia aguda, hidratação e identificação de gravidade são centrais. Na obesidade, o cuidado deve ser precoce, longitudinal e livre de estigma. Já na infecção urinária, diagnóstico preciso, coleta adequada e uso racional de antimicrobianos são fundamentais para proteger a criança e evitar complicações.

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