Nota de falecimento - Dr. Silvano Raia

A Associação Médica Brasileira (AMB) comunica, com profundo pesar, o falecimento do cirurgião Silvano Raia, aos 95 anos.
Referência incontornável da Medicina brasileira, professor Emérito da Universidade de São Paulo, Dr. Silvano construiu uma trajetória exemplar, marcada pela excelência, inovação e dedicação inabalável ao ensino, à pesquisa e à assistência.
Pioneiro na área de transplantes, o professor Raia foi responsável por feitos históricos que projetaram o Brasil no cenário internacional da cirurgia. Realizou o primeiro transplante de fígado da América Latina e protagonizou, em 1989, o primeiro transplante de fígado intervivos do mundo, marco que ampliou de forma decisiva as possibilidades terapêuticas, especialmente para pacientes pediátricos. Sua atuação no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo consolidou o país como referência em medicina de alta complexidade.
Docente da Faculdade de Medicina da USP e membro da Academia Nacional de Medicina, formou gerações de médicos sob os pilares do rigor científico, da ética e do compromisso com o paciente. Nos últimos anos, manteve-se na vanguarda da ciência ao dedicar-se aos xenotransplantes, liderando iniciativas inovadoras que resultaram, recentemente, na obtenção do primeiro porco clonado do Brasil e da América Latina, abrindo novas perspectivas para o futuro dos transplantes.
Ao longo de sua trajetória, presidiu a Sociedade Brasileira de Hepatologia (1982–1983), foi membro fundador da Sociedade Latino-Americana de Hepatologia, integrou importantes instituições científicas internacionais e exerceu o cargo de secretário municipal de Saúde de São Paulo (1993–1995), sempre com atuação pautada pelo interesse público e pelo fortalecimento da saúde no país.
Mais do que um cirurgião brilhante, o professor Silvano Raia foi um líder visionário, um humanista e um incansável defensor da ciência e da Medicina. Seu legado transcende gerações e permanecerá vivo na prática médica, na formação de profissionais e nas vidas que ajudou a salvar.
Neste momento de dor, a AMB expressa sua mais sincera solidariedade à família, aos amigos e a todos os colegas que tiveram o privilégio de conviver com sua presença marcante. Sua ausência será profundamente sentida, mas sua obra e seu espírito seguirão iluminando os caminhos da Medicina brasileira.
Assessoria de Comunicação da AMB