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Residência Médica: crescimento de formandos e limite de vagas desafiam formação de especialistas no Brasil

CBMG 11 06 2026 0037

O 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral (4º CBMG) promoveu, no primeiro dia do evento (26/6), um painel sobre a situação do médico generalista frente à deficiência de vagas na Residência Médica no país, reunindo especialistas para discutir o cenário atual da formação médica, os modelos de seleção e os desafios futuros do sistema.

A coordenação foi do Dr. Fernando Sabia Tallo, diretor tesoureiro da Associação Médica Brasileira (AMB), especialista em Clínica Médica, Anestesiologia, Medicina de Emergência e Terapia Intensiva, que destacou a relevância do tema diante das transformações do ensino médico no país. “O descompasso entre a formação médica e a capacidade de absorção da residência médica é hoje um dos principais desafios estruturais do sistema de saúde brasileiro.”

O Dr. Alcindo Cerci Neto, diretor clínico do Hospital Universitário de Londrina e conselheiro do Conselho Federal de Medicina (CFM), chamou atenção para o crescimento acelerado do número de cursos e egressos de Medicina. O Brasil já conta com mais de 485 cursos de Medicina, e em 2024 cerca de 41% dos médicos atuavam como generalistas, cenário que evidencia a limitação da oferta de vagas de residência frente ao volume de formandos.

Reiterando a análise, Dr. Gustavo Salata Romão, membro da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM/MEC) e consultor da Associação Médica Brasileira (AMB) em Educação Médica, apresentou um estudo comparativo dos processos seletivos no Brasil e em outros países. Segundo ele, o modelo brasileiro ainda se baseia predominantemente em provas cognitivas, enquanto sistemas internacionais incorporam avaliações práticas e de competências clínicas.

O Dr. Fernando Sabia Tallo também destacou o desequilíbrio entre o número de médicos formados e a oferta de vagas de residência. Atualmente, há aproximadamente 58 mil vagas de residência ocupadas, enquanto mais de 80 mil médicos seguem sem acesso direto à especialização, o que mantém uma parcela significativa da categoria atuando como generalista.

O painel apontou ainda temas como a heterogeneidade da formação médica, a expansão das escolas de Medicina, a necessidade de regulação do ensino e o papel da residência médica como padrão-ouro para a especialização no país.

Os participantes reforçaram a importância de maior integração entre instituições formadoras, entidades médicas e órgãos reguladores, com o objetivo de equilibrar formação profissional, qualidade assistencial e demandas do sistema de saúde brasileiro.